Polícia Civil deflagrou no início da manhã desta terça-feira (18) a operação ‘Golpe de Fé’ para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes financeiras no Rio, Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias e em São Paulo. Por determinação da 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Comarca do Rio de Janeiro, foram expedidos 23 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas. O grupo é acusado de utilizar um falso banco digital ligado a uma instituição religiosa para enganar investidores.
As investigações apontam que o líder da Igreja Apostólica Vida e Adoração, entidade que tinha sede em São Gonçalo, na Região Metropolitana, e atualmente funciona em Niterói, usava sua posição religiosa para atrair fiéis e pessoas de sua rede de contatos. As vítimas eram incentivadas a aplicar recursos na plataforma “GAL INVEST BANK”, operada pela empresa Grupo América Latina e conhecida informalmente como ‘Banco do Pastor’. Os investimentos prometiam rentabilidade mensal de aproximadamente 10%.
Após a captação do dinheiro, os pagamentos dos rendimentos prometidos foram suspensos sob diferentes justificativas, até a interrupção definitiva do envio dos valores. A Polícia Civil já identificou ao menos sete registros de ocorrência com o mesmo método de atuação, somando um prejuízo estimado em cerca de R$ 1,11 milhão para as vítimas identificadas.
Como funcionava o Banco do Pastor
Segundo os investigadores, o esquema funcionava por meio de uma estrutura estável e organizada, com divisão definida de tarefas. O grupo contava com captadores de clientes, operadores financeiros e uma rede de pessoas físicas e jurídicas utilizadas para gerir e movimentar os recursos retirados das vítimas.
O levantamento do quadro societário da empresa responsável pelo “GAL INVEST BANK” indicou a presença de sócios sem capacidade econômico-financeira compatível com o capital social declarado, fixado em R$ 5 milhões. A polícia aponta o uso de “testas de ferro” para ocultar os reais controladores do negócio. Os valores captados eram repassados para contas pessoais do líder do esquema e de empresas vinculadas a ele nos setores de construção civil, laboratório, consultoria contábil e pagamentos, compondo uma rede de ocultação de recursos ilícitos. Uma das contas de passagem registrou mais de R$ 5,4 milhões em operações classificadas como estornos.
A apuração indica ainda a inclusão de familiares do investigado principal na engrenagem do grupo. Cônjuge e filho participavam de empresas do conglomerado utilizadas na circulação e no esvaziamento dos fundos, inclusive por meio de saques de valores elevados em espécie.
Estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro
A operação busca apreender documentos, mídias de armazenamento, dispositivos eletrônicos, veículos, joias e montantes em dinheiro associados às investigações. Os alvos são apurados pelos crimes de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo a polícia, as investigações prosseguem com o objetivo de aprofundar o mapeamento patrimonial dos envolvidos e reaver os ativos obtidos de forma ilícita.
A ação foi conduzida pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), vinculada ao Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD).