Skip to content

Curiosidades

Raia gigante fica presa em rede e mobiliza pescadores em Arraial do Cabo; vídeo

Ezequiel Manhães | Publicado em: - Atualizado 2 horas atrás

Foto: Reprodução / @embarcacaoagnusdei

Uma raia gigante, que pode chegar a seis metros de comprimento e pesar mais de uma tonelada, protagonizou uma cena impressionante na Praia Grande, em Arraial do Cabo. Preso por engano em uma rede de pesca, o animal mobilizou pelo menos oito pescadores para conseguir voltar ao mar. A movimentação chamou a atenção de dezenas de banhistas e turistas, que cercaram o local para acompanhar o resgate.

O episódio aconteceu no final da manhã desta quinta-feira (29), por volta de 11h30, durante uma pescaria artesanal de canoa. Ao perceberem a presença do animal, os pescadores agiram rapidamente para devolvê-lo ao seu habitat natural.

“A cena incomum marcou o dia de pescadores artesanais na quinta-feira, quando uma raia-manta acabou ficando presa na rede durante uma pescaria realizada em uma canoa”, contou o empresário de turismo Gustavo Neves, de 36 anos, em declaração ao ENFOCO.

Um vídeo do momento, gravado pela página Embarcação Agnus Dei, mostra o esforço coletivo para retirar a raia da rede e conduzi-la de volta ao mar. Depois da operação, os pescadores comemoraram o retorno do animal à água.

Apesar do espetáculo, o encontro também trouxe prejuízo. A força da raia rasgou a rede de pesca e permitiu que parte dos peixes escapasse. Não houve medição oficial, mas pescadores acreditam que o animal pudesse ter cerca de quatro metros. Alguns trabalhadores mais antigos da região afirmaram nunca ter visto uma raia daquele tamanho na praia.

A captura foi acidental e aconteceu durante o chamado arrasto de praia, modalidade tradicional em que pescadores utilizam uma canoa para cercar cardumes com uma grande rede, posteriormente puxada da areia.

A orientação é que banhistas e turistas mantenham distância de animais silvestres encontrados na praia e acionem os órgãos ambientais em casos de encalhe ou captura acidental.

Qual é a espécie?

A raia gigante que ficou presa acidentalmente em uma rede de pesca artesanal na Praia Grande, em Arraial do Cabo, pode pertencer a uma espécie descrita pela ciência há pouco mais de um ano. A avaliação é do biólogo marinho Rodrigo Leão de Moura, professor do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ao ENFOCO, o pesquisador explica que as imagens do animal apresentam características semelhantes às da Mobula yarae, conhecida como raia-manta do Atlântico ou simplesmente yara.

Descrita cientificamente em 2025, Moura aponta que a espécie tem aparência semelhante à de outras raias-manta, com corpo de grande porte e coloração preta e branca.

“A raia nas imagens parece com uma espécie que foi descrita pela ciência apenas em 2025, muito recentemente, a Mobula yarae. A confirmação dependeria de imagens que permitissem observar detalhes da coloração”, explicou.

Gigante dos mares pode chegar a seis metros

O encontro impressionou pescadores e banhistas, principalmente pelo tamanho do animal. Embora a presença de grandes raias-manta no Sudeste brasileiro não seja incomum, encontrá-las tão perto da faixa de areia é algo mais raro.

De acordo com Rodrigo, a possível espécie identificada pode atingir cerca de cinco metros e, eventualmente, chegar a seis metros de envergadura, medida entre as extremidades das nadadeiras. Isso significa que o animal resgatado em Arraial do Cabo poderia até crescer ainda mais.

“A ocorrência de grandes raias-manta no Sudeste brasileiro é comum. O que não é comum é uma ocorrência tão próxima da praia. A Mobula yara pode atingir cerca de cinco metros e eventualmente seis metros de envergadura. Ou seja, essa espécie pode ficar ainda maior do que o indivíduo que foi capturado e devolvido ao mar. Tomara que ele sobreviva e possa crescer ainda mais”, afirmou o pesquisador.

O que uma raia desse tamanho come?

Apesar da aparência assustadora e das dimensões impressionantes, as raias-manta não são predadoras de grandes animais. Durante a alimentação, nadam com a boca aberta e utilizam estruturas especializadas para reter o alimento, funcionando como verdadeiros filtros naturais.

“A raia-manta é um animal filtrador. Ela se alimenta principalmente de zooplâncton, de pequenos crustáceos e outros animaizinhos que ocorrem na coluna d’água. Durante a alimentação, nada com a boca aberta e utiliza estruturas especializadas para reter esse alimento”, detalhou Rodrigo.

Rodrigo Leao
Biólogo marinho Rodrigo Leão de Moura, professor do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foto: Arquivo Pessoal

Ressurgência pode explicar presença perto da praia

Mas por que um animal tão grande aparece tão perto da areia? Segundo o professor, a explicação pode estar diretamente relacionada às características naturais do litoral de Arraial do Cabo.

A região é conhecida pelo fenômeno da ressurgência, quando águas profundas, frias e ricas em nutrientes chegam à superfície. Esse processo favorece a produtividade biológica e aumenta a disponibilidade de alimento para diferentes espécies marinhas, inclusive animais que se alimentam de plâncton.

Por isso, a presença da raia perto da costa não significa necessariamente que ela estivesse perdida, debilitada ou em situação de perigo.

“A presença de uma raia-manta próxima à costa pode estar relacionada à disponibilidade de alimento e às próprias condições oceanográficas. A região de Arraial do Cabo é muito rica, conhecida pelo fenômeno da ressurgência, que favorece essa produtividade biológica no mar e atrai organismos que se alimentam de plâncton”, explicou.

Captura acidental e importância da devolução ao mar

No episódio registrado na Praia Grande, a raia ficou presa em uma rede utilizada na pesca artesanal de arrasto, direcionada à captura de outras espécies. Rodrigo explica que situações como essa podem acontecer, já que animais de grande porte também acabam presos acidentalmente em diferentes equipamentos de pesca.

O especialista destaca que a atitude dos pescadores de devolver o animal rapidamente ao mar foi fundamental para reduzir os riscos à sua sobrevivência. Quanto menos tempo o animal permanecer preso, menores são as chances de ferimentos, estresse e outras complicações.

“Por sorte, os pescadores estão cada vez mais conscientes de que, quando isso ocorre de forma incidental, a medida correta é a liberação do animal o mais rápido possível, enquanto ele ainda está vivo e saudável”, ressaltou.

O professor também faz um alerta importante: embora a raia-manta não tenha ferrão, seu tamanho e seus movimentos bruscos podem provocar acidentes. Outras espécies de raias possuem ferrão e podem representar riscos ainda maiores. Tubarões capturados também podem reagir e morder.

Por isso, a recomendação é que a população não tente manusear animais marinhos encontrados presos em redes ou próximos à areia. A liberação deve ser feita com cuidado, evitando colocar pescadores e banhistas em risco.

Rodrigo lembra ainda que a captura de espécies marinhas ameaçadas de extinção é proibida e que a devolução rápida também ajuda a evitar complicações com os órgãos ambientais.

Pescadores viram exemplo de conservação

Para o pesquisador, a mobilização dos trabalhadores de Arraial do Cabo merece reconhecimento. Além de devolver a raia ao ambiente natural, os pescadores registraram o episódio, ajudando a divulgar a importância da conservação da vida marinha.

“Parabéns para a galera que liberou a raia-manta, que fez o registro e que sirva de exemplo para outros incidentes deste tipo”, afirmou.

O biólogo reforça que encontros como esse fazem parte da dinâmica de um ambiente marinho saudável e biodiverso. A presença de grandes animais é um sinal da riqueza dos ecossistemas, mas também exige responsabilidade de quem vive, trabalha ou frequenta o litoral.

“Enquanto o mar tiver saudável, [cenas como essas] vão continuar acontecendo. Enquanto o mar tiver biodiversidade e esses grandes animais, eventualmente vamos ter que lidar com esses encontros, com as capturas incidentais. E é importante que isso seja feito da melhor maneira possível, tanto para o animal, quanto para os pescadores e banhistas”, concluiu.

Ezequiel Manhães

Jornalista com experiência em hard news e produção audiovisual, tendo como foco reportagens factuais, especiais e conteúdos multimídia. Atua com rapidez, comprometimento e precisão na apuração, tendo como destaques coberturas de temas como política, economia, cidades, segurança pública e comportamento. LinkedIn: @ezequiel-manhães-b073921b3

Notícias Relacionadas

Últimas Notícias

Rio

Estagiário é demitido após gravar vídeo de conteúdo sexual no prédio da Defensoria Pública

Imóvel veio abaixo por volta das 4h desta sexta-feira (30), na comunidade do Caniçal, em Piratininga. Morador ouviu um estalo e conseguiu sair a tempo; familiares também escaparam após perceberem novos sinais de desabamento.
Niterói

Casa desaba durante a madrugada em Niterói e morador escapa segundos antes da queda

Niterói

Niterói abre seleção para residência médica com bolsa de R$ 4,1 mil

Engavetamento na Via Dutra deixa um morto e 10 feridos
Baixada

Morte de motorista de ônibus ao volante provoca engavetamento com 22 veículos na Dutra; há feridos