Uma quadrilha especializada em roubar, clonar e revender veículos é alvo de uma operação da Polícia Civil nesta quinta-feira (27), em diferentes pontos do Rio, além de Niterói e São Gonçalo. A ação, batizada de Operação Sinal Oculto, busca desarticular os núcleos operacional, financeiro e digital do grupo. Até o momento, um criminoso foi preso.
Policiais da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA-CAP) cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão na Zona Oeste e na Zona Sudoeste do Rio e também na Região Metropolitana. A ação tem apoio de equipes dos departamentos-gerais de Polícia da Capital (DGPC) e da Baixada (DGPB).
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, a quadrilha trabalhava sob encomenda. Os criminosos pesquisavam na internet carros regulares anunciados para venda e usavam os dados desses veículos como uma espécie de “matriz de clonagem”.
Depois, procuravam carros semelhantes que haviam sido obtidos de forma ilícita. Esses veículos tinham os sinais identificadores adulterados para receber as características do automóvel usado como modelo.
Com a clonagem concluída, os carros eram anunciados novamente em redes sociais e plataformas digitais. Em alguns casos, os preços ficavam muito abaixo do valor de mercado, uma estratégia para facilitar a venda.
Grupo tinha criminosos armados e bloqueadores
A investigação também apontou a existência de um núcleo armado que dava proteção e apoio logístico à quadrilha. Segundo a polícia, nove criminosos armados foram identificados.
Os investigadores também encontraram referências ao uso de bloqueadores de sinal, equipamentos que podem ser empregados para dificultar o rastreamento de veículos roubados.
Dinheiro era movimentado por “laranjas”
O esquema contava ainda com uma estrutura financeira própria. Pessoas usadas como “laranjas” recebiam e distribuíam os valores obtidos com a venda dos veículos adulterados.
As investigações identificaram sete beneficiários financeiros ligados à movimentação considerada ilícita, inclusive por meio de transferências via PIX.
Aliança entre ADA e Comando Vermelho
A polícia também identificou uma articulação operacional envolvendo integrantes das facções Amigos dos Amigos (ADA) e Comando Vermelho (CV).
Em Realengo, na Zona Oeste, integrantes da ADA teriam atuado de forma coordenada com criminosos ligados ao CV, permitindo o uso de áreas sob influência da facção para dar suporte à circulação e às atividades criminosas.
Na Favela da Light, também em Realengo, os investigadores identificaram uma dinâmica de coordenação com a estrutura do Jardim Novo, relacionada ao apoio e à expansão territorial do CV na região.
Onde a operação acontece
Os mandados são cumpridos em diferentes áreas de Realengo, incluindo Cosme e Damião, Periquito, Ideal, Cohab, Carumbé, Favela da Light, Canecão, Barata, Batan e Fumacê. Também há alvos em Bangu, Praça Seca, Pechincha, Tanque e Vargem Pequena, além de endereços em Niterói e São Gonçalo.
A ação busca atingir simultaneamente os núcleos operacional, financeiro e digital da organização, além de localizar os pontos utilizados para a adulteração dos sinais identificadores dos veículos.