O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) encerrou o mês de setembro em R$ 9,383 trilhões, registrando um crescimento de 0,97% (alta de R$ 90 bilhões) em relação ao mês de agosto (R$ 9,293 trilhões). De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Tesouro Nacional, o avanço do endividamento público foi impulsionado principalmente pela apropriação mensal de juros — que somou R$ 89,29 bilhões. O aumento gerou reflexo direto da taxa básica de juros (Selic) em patamar elevado.
Apesar da elevação consecutiva registrada desde que ultrapassou a marca de R$ 9 trilhões em maio, o montante total permanece enquadrado nos limites estabelecidos pelo Plano Anual de Financiamento (PAF), que projeta para o encerramento de 2026 um estoque final entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
Desempenho da Dívida Interna e Externa
Além da DPF, a Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) também teve alta de 1,04%, passando de R$ 8,944 trilhões em agosto para R$ 9,037 trilhões em setembro. No período, o Tesouro realizou uma emissão líquida positiva modesta de R$ 3,78 bilhões (emissões de R$ 189,44 bilhões contra resgates de R$ 185,66 bilhões), sendo a incorporação dos juros o vetor predominante no crescimento do saldo.
Por outro lado, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) recuou 0,82%, fixando-se em R$ 345,41 bilhões. O recuo no endividamento externo foi favorecido pela relativa estabilidade do câmbio e pelo pagamento corrente de amortizações no valor aproximado de R$ 3 bilhões.
| Indicador da DPF | Agosto 2026 | Setembro 2026 | Variação (%) |
| Dívida Mobiliária Interna (DPMFi) | R$ 8,944 trilhões | R$ 9,037 trilhões | +1,04% |
| Dívida Externa (DPFe) | R$ 348,26 bilhões | R$ 345,41 bilhões | -0,82% |
| Dívida Pública Federal (DPF Total) | R$ 9,293 trilhões | R$ 9,383 trilhões | +0,97% |
| Colchão de Liquidez (Reserva) | R$ 1,208 trilhão | R$ 1,273 trilhão | +5,38% |
Colchão Financeiro e Composição dos Títulos
A reserva financeira do governo (colchão da dívida) apresentou recuperação em setembro, atingindo R$ 1,273 trilhão — montante suficiente para cobrir 7,71 meses dos vencimentos futuros. Para os próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,87 trilhão em títulos federais.
Em relação ao perfil do interno, o vencimento expressivo de papéis pós-fixados reduziu ligeiramente a participação de títulos atrelados à Selic, abrindo espaço para o aumento relativo dos papéis prefixados e indexados à inflação, todos dentro das metas estabelecidas pelo PAF:
- Atrelados à Selic: 51,60% (meta PAF: 49% a 53%)
- Corrigidos pela Inflação (IPCA): 23,59% (meta PAF: 21% a 25%)
- Prefixados: 21,14% (meta PAF: 20% a 24%)
- Atrelados ao Câmbio: 3,67% (meta PAF: 3% a 7%)
O prazo médio de refinanciamento da DPF permaneceu estável em 4,1 anos. Na divisão por detentores da dívida interna, as instituições financeiras lideram com 31,33%, seguidas por fundos de investimento (22,93%) e fundos de pensão (22,41%). A participação de investidores não residentes (estrangeiros) recuou para 9,58%, em meio ao aumento das incertezas geopolíticas globais durante o mês.
Informações via EBC