O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou, nesta quinta-feira (27), 20 pessoas investigadas por integrar núcleos ligados à milícia do bairro Curicica, na Zona Oeste da capital, e à facção Terceiro Comando Puro (TCP). Entre os alvos da ação estão dois policiais militares acusados de intermediar o fornecimento de armas e munições para os grupos criminosos.
De acordo com o Ministério Público, a organização contava com a participação de um PM lotado no 4º BPM (Méier), e de outro do 2º BPM (Botafogo). Os acusados responderão por constituição de milícia privada, associação para o tráfico de drogas com emprego de arma de fogo e comércio ilegal de armas de uso restrito, incluindo fuzis e pistolas.
Milícia
A estrutura paramilitar seria comandada de forma estratégica pelo miliciano conhecido como ‘Boto’ ou ‘Redbull’, mesmo estando custodiado no sistema penitenciário federal. A liderança operacional da organização criminosa cabia a ‘Messi’ ou ‘Novinho’. As fontes de renda do grupo vinham de extorsões contra moradores e comerciantes, além de roubos de cargas e veículos em Jacarepaguá.
TCP versus CV
As investigações do Gaeco revelaram ainda uma aliança de cooperação operacional e pacto de não agressão entre a milícia e lideranças do TCP nos complexos da Maré e da Pedreira. O objetivo da união era o confronto direto contra a facção Comando Vermelho (CV) e o fortalecimento do comércio ilícito, tendo criminoso conhecido como ‘Lirow’, como o principal elo entre as duas facções.
A Justiça acolheu o pedido do Ministério Público e decretou a prisão preventiva dos envolvidos para garantir a ordem pública. Ao fundamentar a decisão, o Juízo da 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital destacou “a gravidade concreta dos fatos, a estrutura armada da organização, o risco de reiteração criminosa e a necessidade de preservação da ordem pública”.
Policiais detidos
Em nota oficial, a Polícia Militar informou à Agência Brasil que a Corregedoria Geral acompanhou o cumprimento dos mandados expedidos contra os agentes e declarou que ‘os agentes serão submetidos a Procedimentos Administrativos Disciplinares (PADs), que têm como objetivo avaliar a permanência dos acusados nos quadros da corporação’.
Os policiais militares foram detidos e serão transferidos para a Unidade Prisional da Polícia Militar, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, onde ficarão custodiados à disposição do Poder Judiciário.