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Niterói

Família autoriza doação de órgãos de pizzaiolo morto após abordagem policial em Niterói

João Alves | Publicado em: - Atualizado 1 mês atrás

Família de jovem morto em Niterói autoriza doação de órgãos
Danilo Jander Francisco Alves, de 26 anos, morreu na noite de ontem (15) após três dias internado em estado grave de saúde. Foto: Redes sociais / Reprodução

A família de Danilo Jander Francisco Alves, de 26 anos, autorizou a remoção e doação dos órgãos do rapaz após ter morte encefálica confirmada pelo Hospital Estadual Azevedo Lima, na Zona Norte de Niterói. O jovem, que atuava como ajudante de cozinha e pizzaiolo, estava internado em estado grave de saúde até a noite de ontem, terça-feira (15), após ser baleado na cabeça durante uma abordagem policial.

A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, que assegurou que o pedido de doação de órgãos foi acatado pela direção do hospital.

Até o momento, não há informações divulgadas sobre quando o corpo da vítima será liberado para sepultamento.

Relembre a fatalidade

O caso ocorreu na noite do último sábado (12), na Rua Mariz e Barros, em Icaraí, bairro onde o jovem trabalhava em um restaurante.

Segundo a versão da Polícia Militar, o rapaz teria não colaborado com uma abordagem, necessitando do uso de spray de pimenta e ameaça por meio de arma de fogo. O PM responsável pelo tiro afirma que o disparo foi acidental.

O jovem foi socorrido no local e conduzido ao Hospital Azevedo Lima, onde foi internado em estado grave. O PM que realizou a abordagem foi preso no sistema prisional da corporação, enquanto a arma utilizada foi apreendida.

Nada de ilícito foi encontrado

Ainda de acordo com o depoimentos dos agentes envolvidos na abordagem, após o disparo, a mochila de Danilo foi revistada e nenhum material ilícito foi encontrado, reforçando a versão dos familiares, que dizem que o rapaz estava próximo do local onde trabalhava.

No local, uma câmera de segurança flagrou o momento em que a suposta abordagem policial e o disparo ocorreram.

A investigação segue em curso na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSG).

Luto da Família

Para os familiares de Danilo, o sentimento de luto é acompanhado de indignação. Em entrevista exclusiva, a empresária Rosani Mathias, tia da vítima, declarou que o rapaz saiu de casa pela rotina de trabalho, já que era empregado de um restaurante em Icaraí.

‘Ele saiu de casa, né? No story, por volta de 6h50, ele colocou o irmãozinho dele, de 5 anos, que deu uma garrafa de café para ele. Todo dia ele fazia esse percurso. Às 19h da noite, ele foi parado por uma blitz‘, explicou a tia.

Ainda de acordo com a família, Danilo estava parado no sinal quando teria sido atingido por spray de pimenta durante a abordagem. No relato, eles contam que o rapaz levantou as mãos para enxugar o rosto, quando foi atingido, de forma inesperada, por um tiro na cabeça.

‘Ele não insultou ninguém. Ele só se assustou e colocou a mão na vista, o que levou ele a atirar, né? Só ele pode falar. Ele acabou interrompendo, de forma brutal, o que o Danilo tem que fazer aqui fora. Ele está lá deitado numa cama, sendo cuidado, muito bem cuidado, por sinal. As partes do Estado estão sendo feitas, mas a segurança, não. E a gente espera, em Deus, que Danilo saia realmente dessa com vida e que se recupere‘, relatou a tia.

Motociata e polícia nas ruas de Niterói

Na tarde de segunda-feira (14), motociclistas que conheciam Danilo se organizaram para realizar uma manifestação pacífica com buzinaço em Niterói. O trajeto contemplou diferentes vias da cidade. Em paralelo, manifestações de motociclistas e familiares aconteceram em frente ao Hospital Azevedo Lima, no Fonseca.

Em resposta ao chamado de manifestação, a PM reforçou o policiamento nas ruas do município, incluindo a Zona Norte e Centro. A justificativa, segundo a corporação, era garantir que os protestos ocorrecem de forma pacífica, garantindo a ‘segurança da população e a ordem pública’ da cidade

João Alves

Amante do cinema, se descobriu no jornalismo através de conversas e boas histórias. É focado em contar os relatos de quem vive o dia a dia no Rio de Janeiro, sempre atento às denúncias dos leitores.

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