Motociclistas pretendem realizar uma manifestação pacífica no Centro de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, em favor do pizzaiolo Danilo Jander Francisco, de 25 anos. O jovem foi baleado na cabeça durante uma abordagem de agentes do Segurança Presente, no último sábado (12), na Rua Mariz e Barros, em Icaraí. De acordo com a família ao ENFOCO, o estado de saúde do jovem é gravíssimo.
Na região do Ponto Cem-Réis, na Alameda São Boaventura, a Polícia Militar reforçou o policiamento. Segundo a corporação, a medida tem como objetivo garantir a segurança da população e a preservação da ordem pública.
De acordo com os motociclistas, a manifestação tem como objetivo pedir justiça e chamar a atenção para o caso de Danilo.
‘Como vocês viram, né, a Polícia Militar está lá, cheia de policiais. Mas eles já vieram aqui e falaram que só estão fazendo isso para manter a nossa segurança, tá? Falamos que pode ter a manifestação. A gente está aguardando a família descer, porque foram fazer uma visita ao nosso amigo‘, explica o responsável pela organização da manifestação, da Família 2 Rodas, Léo.
Segundo o Léo, o ato vai ocorrer do Hospital Estadual Azevedo Lima, no bairro Fonseca até a Câmara Municipal de Niterói, localizada no Centro.
‘A gente só tá esperando chegar mais motoboys aqui pra gente sair e passear. A gente vai sair daqui, né, do Azevedo, e a gente vai pra Câmara dos Vereadores de Niterói, de frente.’
Em nota, a Polícia Militar informou “que defende e respeita o direito constitucional à manifestação, desde que exercido de forma ordeira e pacífica, assegurando a todos o direito de se expressar e de transitar com segurança”, informou a corporação em nota.
No próprio sábado, após Danilo ser baleado, motociclistas também realizaram um protesto em Icaraí, pedindo justiça pelo jovem.

Foto: João Victor Guedes

Foto: João Victor Guedes
Versão da família
Segundo a tia de Danilo, a empresária Rosani Mathias, o jovem saiu de casa no sábado para trabalhar. Ela afirma que ele trabalha em uma pizzaria localizada em Icaraí e que costumava seguir a mesma rotina diariamente.
‘Ele saiu de casa, né? No story, por volta de 6h50, ele colocou o irmãozinho dele, de 5 anos, que deu uma garrafa de café para ele. Todo dia ele fazia esse percurso. Às 19h da noite, ele foi parado por uma blitz‘, explicou.
Ainda de acordo com a família, Danilo estava parado no sinal quando teria sido atingido por spray de pimenta durante a abordagem. Segundo o relato, ele levantou as mãos para enxugar o rosto e, nesse momento, foi atingido pelo tiro na cabeça.
‘Um policial despreparado, né? Atira à queima-roupa. Não existe uma abordagem assim. Se procurarem e se informarem, abordagem não é essa. Não existe isso, nem com o experimento, nem com arma na cabeça, nada disso. O Danilo é um trabalhador‘, afirmou a tia.
Ela também questiona o que teria motivado o disparo.
‘Ele não insultou ninguém. Ele só se assustou e colocou a mão na vista, o que levou ele a atirar, né? Só ele pode falar. Ele acabou interrompendo, de forma brutal, o que o Danilo tem que fazer aqui fora. Ele está lá deitado numa cama, sendo cuidado, muito bem cuidado, por sinal. As partes do Estado estão sendo feitas, mas a segurança, não. E a gente espera, em Deus, que Danilo saia realmente dessa com vida e que se recupere‘, relatou.
Estado de saúde do jovem
Danilo está internado no Hospital Estadual Azevedo Lima. Segundo a tia, o estado de saúde do jovem é gravíssimo.
‘Ele continua na mesma situação em que entrou. Para a gente, considerar um estado estável é porque não evoluiu nem diminuiu. Ele continua entubado, porque precisa de ventilação, porque está inconsciente. A oração dele continua da mesma forma, batendo da mesma forma, como a gente fala, assim, sozinho, né? Enfim, eu vou entrar agora, vou fazer uma oração para ele e vou trazer mais notícias para vocês‘, explicou Rosani.

PM diz que tiro foi involuntário
Segundo a Polícia Militar, o disparo teria sido acidental e involuntário. O policial apontado como responsável pelo tiro foi preso e conduzido ao sistema prisional da corporação.
A arma utilizada na ocorrência foi apreendida pela Polícia Civil. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSG), que ouve testemunhas e analisa imagens de câmeras de segurança para esclarecer a dinâmica da ocorrência.
De acordo com os depoimentos apresentados pelos policiais envolvidos na abordagem, Danilo estaria pilotando uma motocicleta em alta velocidade. Os agentes relataram que o semáforo estava vermelho e que o motociclista teria avançado o sinal. Ainda segundo essa versão, Danilo teria empinado a motocicleta durante o trajeto.
Os policiais afirmaram que iniciaram uma perseguição e que o motociclista só teria parado por causa de um congestionamento.
Na sequência, segundo os relatos apresentados à investigação, os agentes se aproximaram de Danilo. Um dos policiais afirmou que utilizou spray de pimenta para tentar impedir que o motociclista fugisse.
Outro agente relatou que, diante de um suposto movimento de Danilo com a mão em direção à cintura, sacou a pistola e a apontou para o jovem. Foi nesse momento, segundo o depoimento do policial, que ocorreu o disparo que atingiu Danilo na cabeça. O agente sustenta que o tiro foi involuntário
Nada de ilícito foi encontrado
Ainda de acordo com os depoimentos dos policiais, após a abordagem, a mochila de Danilo foi revistada. Os agentes disseram que nenhum material ilícito foi encontrado. A ocorrência aconteceu próximo ao local de trabalho da vítima.
De acordo com a tia do jovem, na mochila havia apenas uma garrafa de café, a mesma que o irmão havia dado mais cedo, antes de o jovem sair de casa.
As circunstâncias que levaram ao disparo, no entanto, ainda estão sendo apuradas pelas autoridades. A Polícia Civil investiga a dinâmica da ocorrência, enquanto a Corregedoria da Polícia Militar acompanha o caso.
O Segurança Presente instaurou um procedimento interno para verificar a atuação dos agentes e as circunstâncias do disparo.