Foragido do sistema penitenciário após não retornar de um benefício de saída temporária, Thalis Rosário Salles, de 30 anos, foi capturado na manhã de quarta-feira (4), em Magé, na Baixada Fluminense. Conhecido como “Cachorrão” ou “Morceguinho”, o criminoso também é apontado como um dos envolvidos no assassinato de Ivana Maria Marinho Sodré Leite, de 51 anos, funcionária administrativa aposentada da 65ª DP (Magé), morta em outubro de 2015.
A prisão aconteceu por volta das 4h30, na Rua Barão do Triunfo, na região da Lagoa. Policiais do 34º BPM (Magé) chegaram até o acusado após análise de informações e dados encaminhados pelo Disque Denúncia.
De acordo com as investigações, Ivana foi assassinada por causa de sua atuação profissional na delegacia. O trabalho da servidora teria provocado a revolta de traficantes ligados ao Comando Vermelho (CV). Na ocasião, os criminosos utilizaram uma estratégia para conseguir entrar na casa da vítima, que morava na Rua Hilário José Cabral, no bairro Figueira.
Segundo a apuração, Cachorrão e outros quatro comparsas simularam estar fugindo e feridos por disparos de arma de fogo. Eles pediram ajuda à funcionária, solicitando que ela abrisse a porta da residência. Quando Ivana atendeu ao pedido, acabou rendida e levada pelo grupo.
O corpo foi encontrado posteriormente dentro de um Volkswagen Gol pertencente à própria vítima, no bairro Saco, no primeiro distrito de Magé. Ela apresentava ferimentos provocados por tiros na perna, na boca e no peito.
Ainda conforme as investigações, os integrantes do CV escolheram uma área dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP), facção rival, para executar a funcionária. A intenção seria atribuir a autoria do assassinato a criminosos adversários.
Além de Cachorrão, outros envolvidos foram identificados: Gabriel Almeida Pereira, conhecido como “Biel” ou “Da Redley”, que morreu em agosto de 2026; Marcelo Matheus Pereira Santos, o “Crânio”, preso desde março deste ano; e outros dois criminosos identificados pelos apelidos de “Nike” e “PT”. Este último teve a prisão anulada em 2016.
Histórico na prisão
Thalis foi preso pela primeira vez em maio de 2016 e condenado a oito anos de reclusão por tráfico de drogas. Em setembro de 2020, passou a cumprir pena em prisão albergue domiciliar. Já em agosto de 2021, voltou a ser detido por policiais do 34º BPM, novamente por envolvimento com o tráfico.
Em agosto de 2025, ele conseguiu a transferência do regime fechado para o semiaberto. No ano seguinte, em junho, a defesa solicitou o benefício de Visita Periódica ao Lar (VPL), referente ao Dia dos Pais. A autorização estabelecia que o detento deveria retornar ao presídio até 13 de agosto, mas ele não se apresentou e passou a ser considerado foragido.
Adolescente também foi apreendido
Durante a ação policial de quarta-feira, um adolescente de 17 anos também foi apreendido na Comunidade da Lagoa, no Centro de Magé. Com os dois, os agentes encontraram um fuzil Colt calibre 5,56 mm, com a numeração raspada, 48 munições do mesmo calibre e dois carregadores.
Também foram recolhidos 327 pinos de cocaína, sendo 270 avaliados em R$ 20 cada e outros 57 em R$ 10; 76 tiras de maconha avaliadas em R$ 5 cada, além de outras 15 tiras da mesma droga. Um rádio transmissor e dois celulares, das marcas Motorola e Samsung, completaram a lista de materiais apreendidos.
Os suspeitos e os objetos foram encaminhados à 65ª DP (Magé). Contra Thalis havia um mandado de recaptura expedido pela Vara de Execuções Penais (VEP).
Na delegacia, Cachorrão foi indiciado por crimes previstos nos artigos 33 e 35 da Lei de Drogas, artigo 121 do Código Penal, artigo 14 e artigo 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O adolescente também foi indiciado pelos artigos 33 e 35 da legislação sobre drogas.
Após os procedimentos, Thalis foi levado para uma unidade prisional, onde permanece sob custódia da Justiça.