Quem está acostumado a admirar o Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói lá de baixo vai ter um motivo a mais para olhar para cima. Ou melhor, subir. ENFOCO participou, nesta sexta-feira (6), de uma visita antecipada à cobertura do museu e conferiu de perto a experiência que estará disponível ao público a partir deste sábado (7).
E a primeira impressão é daquelas que dispensam filtros: lá do alto, a entrada da Baía de Guanabara ganha uma perspectiva completamente diferente. A paisagem pode ser contemplada sem o enquadramento tradicional da arquitetura de Oscar Niemeyer, proporcionando um novo olhar sobre um dos cenários mais conhecidos de Niterói.
Para chegar ao topo, o visitante precisa encarar uma escada de estrutura tubular instalada em um trecho da rampa de acesso ao pavimento de exposições. A subida faz parte da experiência e aproxima o público de detalhes da arquitetura do museu que normalmente passam despercebidos. A estrutura utilizada é a mesma que serve de apoio aos alpinistas responsáveis pela limpeza dos vidros do MAC.
A iniciativa marca o retorno da visitação à cobertura após nove anos. A última oportunidade de conhecer o espaço por esse ângulo aconteceu em 2017, quando quase 4 mil pessoas participaram da experiência.
A instalação artística “De Onde Não Se Vê”, assinada pelo arquiteto e artista Pedro Varella, sócio do escritório Gru.a, retorna ao mesmo espaço onde foi apresentada originalmente. A remontagem integra a programação especial pelos 30 anos do MAC e é fruto do III Prêmio Reynaldo Roels Jr., parceria entre o museu e a Escola de Artes Visuais do Parque Lage.
“Lá em 2017 foi a primeira vez que isso aconteceu. O público nunca tinha experimentado essa experiência incrível e extraordinária que é estar no topo desse museu. E, devido ao enorme sucesso, foram quase 4 mil pessoas que tiveram essa oportunidade. Agora, o museu nos convidou, em comemoração aos 30 anos, para remontar esse trabalho. A gente está aqui na pré-abertura dessa instalação e amanhã abre para o público. Todo mundo pode vir. Não pode vir de chinelo, vestido muito longo. Existem algumas medidas de segurança importantes para a gente manter a integridade do público e fazer dessa uma experiência inesquecível”, disse Pedro Varella ao ENFOCO.
Além da vista privilegiada, a proposta convida o visitante a perceber o próprio edifício de outra maneira. O teto, que visto de baixo aparenta ser côncavo, passa a ser percebido como convexo quando observado de cima. A ideia do artista é provocar uma espécie de dissolução da imagem tradicional do MAC, fazendo com que o público deixe de reconhecer os limites e a forma do edifício.
Novos olhares

Brígida Adriely, conhecida como Brida, é ilustradora digital e aproveitou a oportunidade para conhecer o museu por esse novo ângulo.
“É uma experiência incrível, principalmente porque eu não sou de Niterói. Eu me mudei para cá recentemente. E poder conhecer esse novo ponto de vista da cidade é simplesmente esplêndido. É uma visão incrível. Aconselho a todos a vir”, disse.
O espaço também resgata uma relação antiga com a paisagem. Antes da construção do museu, inaugurado em 1996, o terreno abrigava o Mirante da Boa Viagem, conhecido pela vista para as águas da Baía de Guanabara.
Natália Mattos, também ilustradora digital, contou que a subida foi mais tranquila do que imaginava.
“Eu amei. No início, achei que iria ficar com medo, mas a escada é super de boa. Lá em cima é muito bom e não dá medo. A vista é maravilhosa e, como é muito grande, você consegue ficar no meio de boa”, opinou.
Como visitar?

A visitação começa neste sábado (7) e segue até 22 de novembro, de terça-feira a domingo. Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada). Têm direito ao valor reduzido idosos, pessoas com deficiência e um acompanhante, estudantes, menores de 21 anos, pessoas nascidas ou residentes em Niterói e servidores municipais.
O ingresso também dá direito à visitação das galerias internas do museu. A venda é realizada na bilheteria do MAC, mediante pagamento em dinheiro.
As visitas acontecem em grupos de até 15 pessoas, com duração aproximada de 15 minutos. As senhas são distribuídas no próprio museu, por ordem de chegada, em quatro horários: 9h30, 11h30, 13h30 e 15h30. Cada retirada dá acesso a diferentes sessões, realizadas ao longo do período, com intervalos de 20 minutos. Há uma pausa na visitação entre 13h e 14h.
A atividade é permitida para pessoas a partir de 12 anos. Adolescentes de 12 a 17 anos precisam estar acompanhados de um responsável ou apresentar autorização.
Medidas de segurança
Por questões de segurança, não é permitido acessar a instalação descalço, de chinelos, sandálias soltas, tamancos ou sapatos de salto alto. Também são proibidos vestidos, saias e roupas longas, bolsas, mochilas, chapéus, bonés, guarda-chuvas, garrafas e outros objetos soltos que possam comprometer o percurso. Câmeras fotográficas e celulares são permitidos. Os itens proibidos devem ser deixados no guarda-volumes.
A assinatura de um Termo de Responsabilidade é obrigatória no momento da aquisição do ingresso. Em dias de chuva ou ventos fortes, as visitas podem ser interrompidas, canceladas ou encerradas sem aviso prévio, por questões climáticas e de segurança. Nesses casos, não há reagendamento automático.