A Nova Ordem Mundial

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Aos poucos, vão sendo inseridos novos valores, no lugar dos antigos, até que a sociedade esteja sem referências culturais e morais, sem religião. Foto: Arquivo / Pedro Conforte

Vocês também olham para o mundo, e intuem que algo de muito errado está acontecendo? E que, como a música diz alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial? E que ordem mundial será essa? Eu, todos os dias, me pergunto se a distopia descrita em livros como 1984, de George Orwell, não está se concretizando debaixo de nossos olhos, e não queremos ver. Afinal, não há nada que aconteça na realidade, que já não tenha sido descrito na literatura…

Para visualizarmos os riscos que a civilização ocidental está correndo, através desse projeto de globalismo, é preciso compreender as bases sobre as quais a mesma está fundada, que são: O direito romano, a moral cristã e a cultura grega. A educação que recebemos, a religião que praticamos e as leis e o direito que aplicamos, vieram dessas três fontes.

O coração da vida dos gregos, na Antiguidade, era a PÓLIS (uma espécie de cidade). As pessoas viviam ali, conforme as regras sociais da época, a vida em comunidade. Esse modelo grego inspirou as demais sociedades, que se formaram posteriormente, no Ocidente.

A política devia ser exercida pelos mais sábios (os sacerdotes, detentores do conhecimento), segundo Platão. A liderança na guerra era exercida pelos nobres (que recebiam seus títulos com essa finalidade: a defesa do território contra invasões e ataques), e o trabalho devia ser exercido pelos comerciantes e pelos servos, que eram os camponeses, os artesãos e os operários.

Essa estrutura social perpetuou-se ao longo dos séculos, ao redor do mundo, e é intrínseca à idéia de comunidade, onde as tarefas de todos se complementam, a fim de que se viva em harmonia e com abundância, cada um exercendo seus talentos: existem, em toda sociedade, os intelectuais, os líderes, os negociantes e os trabalhadores.

Observe-se que, até mesmo nos países comunistas, em que se defende a inexistência de classes, basta analisarmos a divisão social de funções, e rapidamente percebe-se a distribuição das tarefas a serem desempenhadas, havendo categorias de trabalhadores braçais, de integrantes das forças armadas e os cargos de poder, do mesmo modo que ocorria, na civilização grega.

Iniciou-se, entretanto, principalmente depois do fim da guerra fria, um movimento, entre os metacapitalistas (homens que detem a maior parte das riquezas mundiais, e que dominam a mídia e as grandes empresas), os líderes de ditaduras comunistas, como a China, bem como os extremistas islâmicos, a fim de desmantelar-se o modelo ocidental, com o intuito de dominar o mundo.

Essa tríplice aliança tem como objetivos incinerar a cultura grega, o direito romano e a moral cristã, e um projeto de poder bem definido, no qual as estruturas da sociedade vão sendo minadas, de dentro para fora.

Não se trata de acreditar em teorias da conspiração, ou difundir idéias mirabolantes. Isso tem acontecido a olhos vistos, bem debaixo do nariz de cada um de nós, sem que façamos oposição ao que está por vir.

O pulo do gato foi esses líderes perceberem, que é muito mais fácil e barato dominar uma sociedade, por meio do esvaziamento paulatino dos valores seculares, nos quais a mesma está alicerçada, do que abrindo-se guerra declarada a esta. E é assim que se tem feito, nos moldes preconizados por Antonio Gramsci e pela Escola de Frankfurt.

Aos poucos, vão sendo inseridos novos valores, no lugar dos antigos, até que a sociedade esteja sem referências culturais e morais, sem religião. Vão sendo disseminados novos modos de pensar e de agir, por meio de movimentos que exaltam minorias, tendo a mídia e a internet papel preponderante, nessa manipulação.

Todo e qualquer pensamento conservador, em defesa dos valores morais elevados, da família, da igreja, da escola, da alta cultura e do cristianismo, passa a ser rotulado como postura fascista, opressora, que tolhe a individualidade e o direito de escolha das pessoas.

Novos padrões de arte são consagrados, o ensino se torna medíocre, a literatura de boa qualidade desaparece, a História é esquecida, nesse novo modelo social que vai sendo implantado. Afinal, é muito mais eficaz exercer domínio sobre uma população mal informada e sem memória.

Esse é o panorama da nova ordem mundial, que está sendo implantada no mundo ocidental. Um movimento silencioso, operado de forma muito eficiente, que visa a destruição completa dos valores milenares, para a adoção de um modelo de mundo globalizado, submetido a essas lideranças acima mencionadas. Essa é a verdade inconveniente que precisamos encarar, e contra a qual devemos reagir.

Resgatar os valores da civilização, lutar contra os absurdos que vem travestidos de “politicamente correto”: essa é nossa obrigação Não podemos ser homens massa (como Ortega Y Gasset ensinou, em seu Rebelião das Massas), que se moldam ao que está disseminado na sociedade, ao que se lhes apresenta, sem refletir sobre o conteúdo.

Precisamos, conforme dizia o autor, ser homens nobres, que buscam com coragem as dificuldades e a verdade, a fim de alcançarmos o aprimoramento moral e o conhecimento, que trazem consigo a evolução. Nunca é demais lembrar as palavras de Edmund Burke: “Para que o mal triunfe, basta que os homens de bem não façam nada”!

A niteroiense Erika da Rocha Figueiredo é escritora, promotora de Justiça Criminal, Mestre em Ciências Penais e Criminologia pela UCAM, membro da Escola de Altos Estudos em Ciências Criminais e do MP Pro Sociedade, aluna do Seminário de Filosofia e da Academia da Inteligência. Me siga no Instagram @erikarfig.

Texto publicado originalmente na Tribuna Diária