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Os dias eram assim e anos rebeldes

Redação | Publicado em:

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Olá! Eu sou o Marlon Eduardo Faria, jornalista e crítico de cinema e, a partir de hoje, estarei semanalmente com vocês comentando os principais destaques da TV e do Cinema.

‘Os Dias Eram Assim’, novela das 23h da Rede Globo, não poderia ficar de fora da estreia da nossa coluna. O folhetim que, inicialmente deu bastante dor de cabeça ao registrar baixa audiência, comemora agora a boa fase e o melhor índice de espectadores entre os produtos já exibidos no mesmo horário. Lugar, até então, ocupado por Verdades Secretas.

A novela, que tem último capítulo previsto para meados de setembro, fez com que o grupo de trabalho de pesquisa e dramaturgia da emissora se reunisse para realinhar o roteiro após receber críticas na primeira semana no ar. Na internet, o público não curtiu o fato dos roteiristas desperdiçarem um contexto político riquíssimo como o da ditadura militar utilizando o mesmo apenas como subtexto para a trama romântica dos personagens interpretados por Sophie Charlotte e Renato Góes.

Realizados os devidos ajustes, a trama ganhou fôlego e a audiência deslanchou após o roteiro valorizar personagens até então subutilizados como os de Gabriel Leone e os demais coadjuvantes. Outras mudanças bastante perceptíveis são a utilização mais assertiva dos fatos históricos como suporte para a evolução da trama central e também o uso mais intenso da trilha sonora, incluindo músicas que foram censurados durante o regime militar.

Em paralelo ao sucesso de sua atual novela, a Globo relançou recentemente através do Globoplay (aplicativo para plataformas móveis) todos os episódios de um de seus maiores sucessos, a série ‘Anos Rebeldes’. A produção, que também tem como pano de fundo o período militar, foi exibida durante o levante popular que culminou no impeachment do ex-presidente Fernando Collor, em 1992. Dirigida por Gilberto Braga, a produção é, até hoje, considerada um marco na história da televisão brasileira, pois foi a primeira vez que uma obra de teledramaturgia explorava o assunto.

Assisti esta semana os vinte episódios da série e é estranho perceber como ela permanece assustadoramente atual. Destaque para a saudosa Betty Lago, que fazia sua estreia na televisão e para Claudia Abreu, que deu vida a uma das personagens mais marcantes já escritas por Gilberto Braga.

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