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Tavi Moura

Miss brasileira acusa companhia aérea de transfobia

Redação | Publicado em:

Allek Castellani

 





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Gente, por mais que histórias assim se repitam, eu nunca vou me acostumar a saber que isso continua acontecendo. No último domingo (12), enquanto muitos comemoravam o Dia dos Namorados, a Miss Eloá Rodrigues passou por momentos constrangedores no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

A moradora do Jardim Catarina, em São Gonçalo, se preparava para embarcar às 20h35 em um voo pela companhia Qatar Airways, com destino à Tailândia, para participar do “Miss International Queen“, o concurso universal de beleza trans. Mas só conseguiu viajar um dia depois.

 





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Miss só conseguiu embarcar na noite desta segunda-feira (13)



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Segundo a denúncia, a artista recém campeã do “Miss Beleza T Brasil” foi impedida de entrar no avião por funcionários da companhia mesmo mostrando o Thailand Pass – um formulário online que o viajante deve preencher e disponibilizar as documentações exigidas pelo país asiático. 

Para ser acessada, é necessário apontar o dispositivo da companhia para o QR Code. Lá, constam as informações para o embarque, além de outros dados pessoais. 

“Após a apresentação, Eloá foi completamente ignorada e deixada de lado enquanto os funcionários atendiam outros passageiros cis e brancos”, disse Mathheus Alencar, que é preparador de Eloá. 

De acordo com Alencar, os funcionários encerraram o check-in, após terminarem de atender os demais passageiros, impossibilitando de vez o embarque da miss.

“Os funcionários alegaram que seria necessário entrar em contato com a companhia aérea pelo site para tentar encaixá-la em outro voo”, continua. 

A companhia, então, teria cobrado R$ 15 mil para realocar Eloá em um outro voo, segundo revelou o preparador. Esta informação foi compartilhada pela empresa através de contato virtual, diz ele. Conforme a equipe da miss, este mesmo voo sairia às 2:40h da madrugada desta segunda-feira (13).

Mathheus Alencar disse ter informado que não seria possível pagar o valor e solicitou que fosse encaminhado um voo que estivesse ‘mais em conta’. E, segundo ele, a resposta da companhia foi que ‘essa era a única opção’. 

Alencar, então, afirma que até então sabia da existência de um voo às 20h35 de domingo.

“Mas fui ignorado pela atendente que insistia no voo com o valor mais caro e,  como não havia a possibilidade do pagamento, o chat foi encerrado pela companhia”, conta.

Eloá e o preparador decidiram esperar para falar com a equipe responsável pelo check-in do voo de 2h40 da madrugada de segunda. Mas apontaram exigências que seriam indevidas.

“O atendente responsável informou que poderia encaixá-la, mas fez exigências absurdas como: ofício do concurso, explicando o que ela iria fazer na Tailândia; comprovante do hotel, além da conta bancária para saber quanto ela tinha em dinheiro. Mas esse trabalho é da Polícia Federal e imigração”, conta Mathheus.

Durante entrevista a esta coluna, Mathheus também afirmou que foi solicitado um certificado em inglês.

“Neste caso era desnecessário, já que para chegar na Tailândia, era necessário apresentar somente o certificado da comprovação de vacinas em português, tendo em vista que o embarque seria feito no Brasil, mas Eloá acabou sendo ignorada novamente enquanto aguardava para conseguir chegar ao seu destino e foi deixada para trás mais uma vez”, explica.

Eloá Rodrigues passou a noite de domingo (12), a madrugada e o dia inteiro da segunda-feira (13) no aeroporto.

“Sem assistência da companhia, nem do aeroporto, sem hospedagem e alimentação. Ela [Eloá] só conseguiu embarcar em um voo às 20h35 de segunda-feira (13), porque um outro integrante da equipe, que por sinal tem o tom de pele mais claro, conseguiu a atenção da gerente que prontamente resolveu a situação”, finaliza Mathheus.

A equipe informou que após o retorno da miss ao Brasil irá formalizar a denúncia às autoridades competentes. Procurado, o Aeroporto Internacional de Guarulhos ainda não se pronunciou sobre as acusações.

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