Skip to content

Entretenimento

Babalorixá abre o jogo sobre o enredo da Viradouro

Redação | Publicado em:

Divulgação / Thaís Brum



O sacerdote de Candomblé do culto Jeji Savalú, Vitor Friary, que vai desfilar pela vermelho e branco de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, e levará para a avenida o enredo “Arroboboi, Dangbé”, em homenagem aos cultos de Vodun, de Benin, na África, fala sobre o significado espiritual desse enredo. 

A Unidos do Viradouro entra na Sapucaí no dia 12 de fevereiro, celebrando a energia do culto ao vodun serpente, sob o comando do carnavalesco Tarcísio Zanon.

Leia+: Viradouro define samba-enredo para o Carnaval de 2024

Vitor, que nasceu em Niterói, fala sobre a importância do tema do enredo, que ainda é muito estigmatizado na sociedade.

“A África é conhecida pelos seus mistérios, riquezas culturais e espirituais. Existem milhares de etnias nos territórios africanos e uma diversidade enorme de culturas. Uma delas, e de fato uma sociedade historicamente significativa foram os Fon. Os povos oriundos da região do Daomé desempenharam um papel muito forte na formação do candomblé”, ensina.

Conhecido como povo Jeje, o antigo Império do Daomé ficou conhecido pela sua resistência e luta contra os ambiciosos Yorubá de Oyó e pelo seu exército feminino, as Agojiê, que, inclusive, inspiraram a produção do filme A Mulher Rei, com Viola Davis, conta Vitor.

“Dangbé é uma das mais importantes divindades do povo Jeje. Ele é representado por uma serpente. E o seu principal templo fica na cidade de Ouidah, que tive a enorme felicidade de visitar pessoalmente em 2023. Quando louvamos Dangbe pedimos que sejamos flexíveis e resistentes às adversidades. Dangbé é o elo entre o céu, e tudo que é celestial, e a terra e todos os seres. Sem Dangbé não há vida e não há resistência”, explicou o sacerdote.

Sobre a serpente que a agremiação vai trazer para a Avenida, o sacerdote explicou que o papel desempenhado pelas mulheres que aportaram no Brasil para o culto de Dangbe no país foi muito marcante historicamente.

“A Viradouro vem falando sobre uma personagem importante do povo Jeje no Brasil que é a Vodunon Ludovina Pessoa, que ergueu duas importantes casas de culto à Serpente Sagrada em solo brasileiro. Como Ludovina, outras mulheres tiveram um importante papel na manutenção e proteção do império do Daomé”, diz.

Nesse contexto, de acordo com Vitor, Dangbe se associa ao feminino como resistência e força, pois eram as mulheres que defendiam o Rei do Daomé, eram também as mulheres que desempenhavam um papel essencial no culto dos Voduns.

“A Serpente Dangbe é símbolo da vida, e o feminino é o ventre que dá luz à vida. A ligação entre Dangbé e o Feminino é a própria fertilidade”, enfatiza.

Vitor Friary, é Sacerdote de Culto Jeji Savalú, também conhecido como Vodunon ou Hungbono, e Babalawo no culto de Orunmilá, integrante da religião há mais de 35 anos e há 8 anos é devoto e iniciado nos cultos sagrados dos Voduns.

Notícias Relacionadas

Últimas Notícias

Manifestantes da UFF no Centro do Rio
Política

Protestos ajudaram na virada de Lula, mas governo precisa de ‘revolução na comunicação’

Rio

Espaços da Juventude têm 3,5 mil vagas abertas em cursos gratuitos 

Dia de Finados: confira os horários das missas em Niterói e São Gonçalo
Niterói

Dia de Finados: confira os horários das missas em Niterói e São Gonçalo

Festival de Covers de Rio das Ostras acontece de 6 a 8 de novembro, na Lagoa do Iriry, com shows gratuitos e tributos a grandes artistas.
Região dos Lagos

Rio das Ostras recebe Festival de Covers com três dias de shows gratuitos em novembro