Produtores culturais e artistas que se apresentam no Theatro Municipal de Niterói e demais espaços culturais da cidade denunciam prejuízos causados por falhas no sistema de venda de ingressos da plataforma Fever por aplicativo. Segundo relatos, o problema estaria afetando diretamente a compra pelo aplicativo, dificultando o acesso do público e derrubando as vendas de espetáculos.
Um dos casos mais recentes envolve o diretor de teatro e ator Guga Gallo, que afirma já ter perdido centenas de vendas por causa das falhas no sistema.
“É uma coisa assustadora. A gente não consegue falar com ninguém da plataforma. Eles não têm escritório no Brasil [a sede é em Nova York, nos EUA]. Isso dificulta ainda mais qualquer contato. Fiquei e estou mal com isso demais. Impotente, como me sinto”, desabafou o produtor.

Segundo Guga, o principal problema acontece no aplicativo da empresa.
“O problema maior está no aplicativo. Pelo site, às vezes, a pessoa consegue comprar, mas no aplicativo é muito difícil”, afirmou.
O ENFOCO tentou realizar uma compra na manhã desta segunda-feira (18) e confirmou a falha, já que o sistema não avança para finalizar a compra.
O ator contou que a situação ficou evidente durante uma ação de divulgação realizada no Campo de São Bento, no bairro de Icaraí, neste fim de semana. Segundo ele, diversas pessoas tentaram comprar ingressos na hora e não conseguiram concluir a operação.
“No Campo de São Bento, várias pessoas tentaram comprar na minha frente e não conseguiram. Recebi vídeos e mensagens de gente desesperada tentando finalizar a compra, sem sucesso”, relatou.
Prejuízo na bilheterias
Ainda de acordo com Guga Gallo, o prejuízo já é considerado alto. “Nós já deixamos de vender cerca de 300 ingressos. É um prejuízo incalculável. As pessoas querem comprar e simplesmente não conseguem”, disse.
O produtor também revelou que artistas envolvidos na produção têm grande alcance nas redes sociais e histórico de casa cheia, o que aumenta a frustração com os problemas no sistema.
“Só no nosso grupo reunimos artistas com milhões de seguidores e as pessoas não estão conseguindo comprar”, afirmou.
Apesar das críticas à plataforma, Guga fez questão de destacar o apoio recebido pelas equipes dos espaços culturais da cidade, geridos pela Prefeitura de Niterói, por meio da Secretaria Municipal das Culturas e da Fundação de Arte de Niterói (FAN).
“O diálogo com o teatro e demais espaços é sempre maravilhoso. Os funcionários e a direção dão todo o suporte possível dentro dos limites deles. A produção do teatro responde mensagem até tarde da noite, tentando ajudar e resolver os problemas. Eles não soltam a nossa mão”, completou, enfatizando que a questão é diretamente com a plataforma Fever.
Segundo artistas do setor cultural, existe a percepção de que a administração dos espaços culturais estaria limitada por questões jurídicas, já que a empresa responsável pelo sistema de vendas de ingressos teria sido escolhida por meio de licitação. Produtores culturais contam que vêm enfrentando dificuldades desde que a empresa passou a operar.

“Estou completando 50 anos de teatro agora, com mais de 60 espetáculos produzidos, e nunca vivi um problema tão sério como esse”, lamentou Guga.
Improviso
Para tentar minimizar os impactos, produtores estariam recorrendo até mesmo à venda manual de ingressos.
“Hoje estamos vendendo ingresso praticamente no braço, recebendo Pix e comunicando manualmente ao teatro para conseguir atender o público. É assim que estamos conseguindo trabalhar”, contou.
O que diz a Fever
Procurada, a Fever esclareceu que, na manhã de segunda-feira (18), foi informada sobre a situação “e imediatamente iniciou a investigação e tratativa de um problema técnico pontual que afetou temporariamente o fluxo de vendas na plataforma”.
Segundo a nota, “desde então, nossas equipes atuaram continuamente na resolução do caso até a normalização da operação”.
A Fever também diz que mantém canais contínuos de suporte operacional e técnico para seus parceiros, incluindo atendimento em horários não comerciais e fins de semana pelo e-mail [email protected].
“Neste caso específico, o contato solicitando suporte técnico foi realizado pelo Theatro Municipal de Niterói na manhã de segunda-feira, momento em que a equipe da Fever iniciou imediatamente a atuação sobre o problema reportado. Lamentamos os impactos causados à produção envolvida e estamos buscando contato direto com os responsáveis para compreender integralmente a situação e avaliar possíveis formas de apoio”, enfatizou.