A violência contra a mulher chega às salas de aula de escolas públicas de Niterói neste mês, em uma iniciativa que usa o teatro como ferramenta de conscientização. Durante o Agosto Lilás, período dedicado ao enfrentamento da violência de gênero, o espetáculo “Todas as Marias” retoma sua circulação, iniciada em 2023, com apresentações gratuitas voltadas ao público jovem.
Interpretado pela atriz Marina Malfacini, o monólogo busca aproximar crianças e adolescentes de um tema que costuma ser tratado a partir de suas consequências. A proposta da montagem é discutir também os sinais e comportamentos relacionados à violência contra a mulher, estimulando a reflexão desde a formação escolar.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil. Para Melissa de Castro, idealizadora e produtora executiva do espetáculo, a dimensão do problema reforça a necessidade de iniciativas que tratem da prevenção.
“‘Todas as Marias’ apresenta um espetáculo a fim de conscientizar não só sobre o efeito da violência, mas, em especial, contra suas causas”, afirma Melissa.
A montagem parte da ideia de que o feminicídio pode ser precedido por diferentes formas de violência e que a identificação desses sinais pode contribuir para evitar desfechos mais graves. Nesse contexto, o teatro é utilizado como uma linguagem capaz de apresentar o assunto de maneira direta e provocar diálogo com os estudantes.
Teatro como ferramenta de prevenção
Com direção de Bianca Bühring e texto de Paula Giannini, o espetáculo é produzido pela Painel Produções Artísticas. A proposta é levar informação para crianças e adolescentes por meio de uma abordagem artística, evitando que a discussão fique restrita ao ambiente familiar ou a campanhas institucionais.
A temporada nas escolas também foi viabilizada por meio de edital da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, com apoio financeiro destinado à produção literária e a projetos artísticos baseados em obras literárias no estado.
A circulação pretende ainda estimular uma discussão sobre comportamentos naturalizados pela sociedade e sobre como eles podem contribuir para a manutenção de diferentes formas de violência contra as mulheres.
As apresentações são gratuitas, têm duração de aproximadamente uma hora e classificação livre.