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Evento cultural combate a intolerância religiosa em São Gonçalo

Imagem ilustrativa da imagem Evento cultural combate a intolerância religiosa em São Gonçalo
Objetivo é relembrar a resistência e as tradições que os antepassados tiveram. Foto: Divulgação

Procurando diminuir as sequelas dos sobreviventes da Covid-19, e também o quadro de intolerância religiosa, racismo e principalmente violência contra a mulher, o Afrikerança projeto do grupo Matriarcado Ancestral do Brasil, fará no próximo dia 10, no Centro Cultural Joaquim Lavoura, em São Gonçalo. Das 10h às 18h, os frequentadores terão um dia cheio de Cultura, Artes e significados, com culto inter-religioso com padre, pastor, iyalorisás e sacerdote indígena.

Salvaguardando a resistência e as tradições que os antepassados tiveram na diáspora, as matriarcas, que são as mulheres que ficaram no comando religioso de matriz africano, e que foram trazidas ao Brasil como escravizadas, e formaram o pilar da resistência, criando Irmandades, iniciando os primeiros Candomblés na Bahia.

"Nos reunimos neste momento de tantas perdas à Grande Mãe Terra - assim como todas as mães – que precisam de grandes quantidades de bênçãos em forma de amor, acolhimento, troca de saberes e energia vital", aponta a Ìyálode Ojéwunmi Rosângela D'Yewa, idealizadora e coordenora do evento.

Ela reuniu uma pequena Comitiva de Matriarcas, formada pelas Iyaloriṣa Juçara D' Iyemonja, Iyalorisa Maristela D'Osun, Iyalorisa D'Avila D'Osun, Iyalorisa Mônica de Aganjú, Iyakekere Òjéronke Penha D'Yewa, Ìyámoro Regina D'Oya e Ebomy Moema D'Iyemonja para compor, desenvolver, e realizar o evento, que convida outras Matriarcas para fazerem parte do projeto. 

Neste dia a meta é desenvolver um novo comportamento psicossocial pós-crise pandêmica, a partir de saberes e diversidades de conhecimentos ancestrais, valorizando o papel da mulher, mãe biológica ou não, neste momento onde a sororidade e a solidariedade são a base da reconstrução de uma nova realidade, diz a organização.

Ìyálode Ojéwunmi Rosângela D'Yewa, herdou da Iyalode Asabi Anike Sikirati (in memorian) da Fraternidade (Iledi) Ògbóni Awurela em Oyó, na Nigéria, a missão de reunir matriarcas (Iyalorisás) para que juntas possam recriar uma nova sociedade neste momento, mostrando toda base de sororidade e solidariedade que sempre existiu no Candomblé.

De todos os saberes ancestrais, que ajudaram a resistência e sobrevivência da Cultura de Matrizes Africanas. A irmandade que antes fora criada com o intuito de comprar a alforria dos escravos, hoje luta contra o racismo estrutural, a intolerância religiosa e a violência contra à mulher, e ainda apoia o Empreendedorismo Feminino.

Dentre as atividades destaca-se as das casas religiosas envolvidas no projeto, em que pessoas serão capacitadas por meio de oficinas como a de Diversidade de Saberes, e promoverá também a reeducação ambiental, a desconstrução de preconceitos raciais, religiosos e de gênero. O poder maternal do amor incondicional apoiará socialmente às famílias atingidas pela Covid-19, com dinâmicas de grupo, mediadas por pedagogas e psicólogas.

"Nossas mães iyabás, que nos acolhem nestes momentos, precisam ser louvadas para que todas nós - mulheres, mães no sagrado, iyás, dones, mametos, ekedys e ebomys - possamos nos fortalecer e transformarmos esse mundo, fazendo renascer a esperança, o amor ao sagrado e a vida, em sua maior essência. Convidamos você, matriarca para comparecer ao nosso Candomblé pela vida e pela nossa Afrikerança, em nome de Nossas Iyabás e nossa "Mãe Ancestral". Traga o seu legado, seu abraço, seu desejo de amar, acolher e ser acolhida", convida a Ìyálode Rosângela.

Sobre o evento

Um dia com barracas de comidas típicas, artesanato, palestra "O que é Matriarcado?", roda de conversa, entrega das moções, apresentação do projeto "Afrikerança", apresentação de Jongo, Culto Inter-religioso com Padre, Pastor e Sacerdote Indígena, e fechando com o Candomblé em Celebração à vida orquestrado pelas Matriarcas. 

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