E se os álbuns de família de pessoas negras do século XIX contassem histórias de amor, elegância e pertencimento, em vez dos registros marcados pelos olhares e estereótipos do período colonial? É a partir dessa reflexão que nasce a exposição fotográfica “Àtúnṣe Ìtàn Àtijọ́”, que propõe reimaginar memórias apagadas e reconstruir narrativas sobre corpo, identidade e ancestralidade negra.
A mostra ocupa a Sala Educativo Mestre Marçal, no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), no Rio de Janeiro, entre os dias 19 e 24 de julho, com entrada gratuita. As fotografias foram produzidas no Solar do Jambeiro, em Niterói, casarão histórico construído em 1872, em uma região marcada pela presença do trabalho escravizado: escolha que conecta o cenário à pesquisa histórica da exposição.

O título da mostra vem do yorubá: “Àtúnṣe” significa corrigir, reconfigurar, e “Ìtàn Àtijọ́” significa história antiga. A proposta é preencher uma ausência histórica: a falta de registros visuais que apresentassem famílias negras com afeto, dignidade e protagonismo.

Dividida em três núcleos: “O arquivo que nos foi negado”, “O afeto entre nós” e “O que fica: reparação e futuro”, a exposição convida o público a refletir sobre memória, representação e a importância de pessoas negras produzirem suas próprias imagens e narrativas.
A pesquisa e curadoria são assinadas pela jornalista e pesquisadora Gabrielly Ferraz, com texto curatorial de Mélanie Mozzer, cenografia de Rafaella Baptista, fotografia de Luks Mont, modelo de Pedro Melodia e produção da INCria.
Serviço
Exposição: Àtúnṣe Ìtàn Àtijọ́
MUHCAB — Rua Pedro Ernesto, 80, Gamboa, Rio de Janeiro
De 19 a 24 de julho de 2026
Entrada gratuita