Um gesto que, em 1971, foi considerado escândalo e atentado ao pudor hoje se transforma em símbolo de liberdade feminina em pleno espaço público de Niterói, na Região Metropolitana do Rio. É assim que a cidade eterniza Leila Diniz: a mulher que, grávida de sete meses, expôs a barriga em um registro que desafiou padrões, quebrou tabus e marcou a história do comportamento no Brasil.
A partir desse momento icônico, a Prefeitura de Niterói inaugura nesta terça-feira (14), às 16h, uma estátua em homenagem à atriz no calçadão da Praia de São Francisco, na Avenida Quintino Bocaiúva, na Zona Sul da cidade. A escultura em bronze, em tamanho natural, será a primeira dedicada a uma mulher em espaço público do município. A iniciativa é coordenada pelo Escritório de Políticas Transversais de Direitos e Cuidados.
A obra retrata justamente essa imagem que se tornou símbolo de ruptura e autonomia, reforçando Leila como referência de liberdade, expressão e protagonismo feminino.
“Vamos inaugurar a primeira estátua de uma mulher na cidade de Niterói, homenageando a niteroiense Leila Diniz. Ela se eternizou por meio de um gesto simples: em um dia de sol, ao lado do marido, grávida de sua filha Janaína, expôs a barriga, algo que, em 1971, era considerado um escândalo, um atentado ao pudor. Leila quebrou tabus com alegria e sorriso, e se eternizou dessa forma. Ao reproduzirmos essa imagem icônica, reafirmamos que a autonomia e a liberdade feminina precisam ser celebradas todos os dias”, destacou a gestora do Escritório de Políticas Transversais de Direitos e Cuidados, Fernanda Neves.
A escolha da pose foi feita pela filha da atriz, Janaína Diniz Guerra, fruto do relacionamento com o cineasta Ruy Guerra, em conjunto com Fernanda Neves.
“Ver minha mãe, Leila Diniz, ocupando a orla de Niterói, sua cidade natal, é profundamente simbólico. A escolha de uma imagem em movimento não é por acaso. Quando a prefeitura de Niterói me procurou com o desejo de imortalizar seu legado, nos deparamos com um desafio. Leila nunca coube em moldes, e queremos que sua memória esteja sempre servindo de impulso para a transformação. Por isso, propus uma estátua que não a congele, mas que sustente o movimento que ela provocou na emancipação feminina. Que ela esteja em frente ao mar, saltando, grávida de biquíni, para lembrar que liberdade não nos é dada, é movimento, é uma prática cotidiana, e que ainda há muito a ser conquistado”, explicou.
A obra é de autoria do artista Rodrigo Pedrosa e retrata Leila em uma pose icônica, inspirada em ensaio fotográfico realizado na Ilha de Paquetá pelo fotógrafo Joel Maia, publicado na revista Cláudia, no início dos anos 1970.
Pedrosa afirma que a obra foi produzida ao longo de quatro meses, com etapas que incluíram pesquisa, modelagem, moldagem e fundição em bronze pelo método de cera perdida, além de acabamento e pátina.
“Foi uma grande honra produzir o monumento em homenagem a Leila Diniz. Este é um momento histórico para Niterói, ao inaugurar o primeiro monumento dedicado a uma mulher na cidade. Leila é um símbolo da luta feminista e da força da mulher brasileira”, afirmou o artista.
Reconhecida por sua personalidade irreverente e por desafiar tabus na década de 1960, Leila Diniz tornou-se um ícone de liberdade de expressão, comportamento e direitos das mulheres no Brasil. Nascida em Niterói, a atriz marcou gerações ao defender temas considerados controversos à época, como maternidade, sexualidade e autonomia feminina.