A venda de ingressos para os shows de Harry Styles em São Paulo provocou uma série de críticas de fãs nas redes sociais, que acusam a Ticketmaster de falhas no processo de comercialização e de possível favorecimento a cambistas. Segundo os relatos, bilhetes teriam se esgotado de forma considerada atípica durante a pré-venda, enquanto entradas surgiram rapidamente em plataformas de revenda por valores superiores aos oficiais.
Consumidores afirmam que enfrentaram instabilidades no sistema online e dificuldades também na bilheteria física, inclusive pessoas que aguardavam nas primeiras posições das filas e compradores com direito a atendimento prioritário. As queixas levantaram questionamentos sobre a transparência da operação e sobre a atuação de intermediários não autorizados na revenda dos ingressos.
Diante da repercussão, parlamentares do PSOL acionaram órgãos de defesa do consumidor e de investigação. A deputada federal Erika Hilton informou ter encaminhado pedidos à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e ao Procon-SP para apurar o que classificou como “esgotamento anormal e aparentemente irregular” dos ingressos, além de “fortes indícios de atuação organizada de cambistas”.
“Como as primeiras pessoas das filas, tanto a geral quanto a PCD, não conseguiram comprar ingressos, mas os cambistas já tinham ingressos em mãos?”, questionou a deputada em uma publicação nas redes sociais. Hilton também pediu esclarecimentos sobre eventuais limites de compra e possíveis vendas antecipadas.
🚨 Estou acionando as autoridades sobre as graves irregularidades na venda de ingressos para o show do Harry Styles em São Paulo.
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) January 26, 2026
Como as primeiras pessoas das filas, tanto a geral quanto a PCD, não conseguiram comprar ingressos, mas os cambistas já tinham ingressos em mãos?… pic.twitter.com/Uhq3RsU2OC
No âmbito estadual, o deputado Guilherme Cortez afirmou ter acionado o Procon, o Ministério Público e a Secretaria de Segurança Pública. Segundo ele, há indícios de práticas ilícitas e de um esquema estruturado de revenda. “Há uma indústria lucrando às custas da extorsão dos sonhos de fãs, que envolve cambistas, produtoras e ticketerias”, escreveu. Cortez disse ainda ter recebido provas da atuação de cambistas durante a pré-venda.
Recebi várias provas da ação de cambistas durante a pré-venda do show do Harry Styles.
— Guilherme Cortez (@cortezpsol) January 26, 2026
O cambismo configura crime contra a economia popular, com penas que podem chegar a 4 anos de reclusão e multa.
Estou acionando o Procon, o Ministério Público e a Secretaria de Segurança… pic.twitter.com/wdL9n29Zy9
O que diz a Ticketmaster
Em nota enviada ao ENFOCO, a Ticketmaster negou qualquer irregularidade e afirmou que não mantém parcerias com cambistas nem realiza venda antecipada de ingressos para revendedores. “A Ticketmaster não apoia o cambismo, nem vende ingressos antecipadamente para cambistas, nem tem parcerias com operadores de revenda que os privilegiem em relação aos fãs”, disse a empresa.
A companhia afirmou que ingressos comercializados em plataformas ilegais ou não autorizadas podem ser cancelados e recolocados à venda. Segundo a Ticketmaster, a venda na bilheteria física segue critérios definidos pelo organizador do evento, com limites de compra por pessoa e por CPF, respeitando a ordem de chegada.
“A disponibilidade em eventos de alta demanda pode se esgotar rapidamente, uma vez que as compras são concluídas simultaneamente em diferentes pontos de atendimento”, afirmou a empresa, que também destacou investimentos em tecnologia para combater o uso de bots. “Investimos centenas de milhões de dólares em tecnologia e equipes dedicadas à prevenção de abusos”, acrescentou.
A Ticketmaster informou ainda que os preços e taxas foram divulgados previamente e que não cobra taxa de emissão de ingressos, sejam eles digitais ou impressos. “Levamos a sério as preocupações levantadas pelos fãs e permanecemos totalmente disponíveis para cooperar com as autoridades”, concluiu a nota.
Harry Styles no Brasil
O cantor se apresentará nos dias 17 e 18 de julho no Estádio Morumbis, em São Paulo, com participação especial da banda Fcukers.
Os ingressos custam entre R$ 265 (arquibancada, meia-entrada) e R$ 1.410 (pit, inteira). A pré-venda começou no dia 26, e a venda geral está marcada para o dia 28, ambas pela Ticketmaster.
Os shows integram a turnê “Together, Together”, que promove o álbum “Kiss All The Time. Disco, Ocasionally”, com lançamento previsto para 6 de março.