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A Nova Ordem do futebol brasileiro chegou e você precisa entender isso

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Torcida do Fortaleza fez linda festa para coroar campanha no Brasileirão. Foto: Divulgação/FEC

A temporada de 2021 vai chegando ao fim - resta 'apenas' a disputa da final da Copa do Brasil. Ano este que marcou a virada de página definitiva na rotina do nosso futebol. A mudança, causada principalmente pelo profissionalismo, tirou muitos clubes da zona de conforto. E mostrou também que camisa, definitivamente, não ganha mais jogo sozinha.

Times grandes cada vez mais povoando a Série B, times emergentes invadindo a Libertadores e jogadores preferindo projetos a salários exorbitantes — que possivelmente não seriam pagos no futuro. A Nova Ordem não perdoa ninguém. Depois da "Super Série B", da qual Botafogo, Coritiba e Goiás escaparam, vem aí a "Super Super Série B" - já que Grêmio, Sport, Bahia e Chapecoense se juntaram a Vasco, Cruzeiro, CRB, CSA, Guarani, Ponte Preta e outros...

Outros tempos

Certa vez, o ex-presidente do Botafogo, Carlos Augusto Montenegro, afirmou que "nem ele sabia como ganhou o Brasileirão de 1995, tamanha a bagunça". Outros tempos. Hoje, nada é por acaso. Como prova, o Atlético-MG levantando o caneco nacional exatos 50 anos após o título de 1971. Planejamento e dinheiro.

O Bragantino se classificou em sua primeira Libertadores da história, ou melhor, o Red Bull Bragantino. Após anos e anos no ostracismo, sendo apenas uma equipe tradicional do Campeonato Paulista e das divisões inferiores, o Massa Bruta assumiu protagonismo nacional, com o sexto lugar no Brasileirão - e até internacional, perdendo na final da Sul-Americana.

No entanto, injetar dinheiro a esmo não é suficiente. Há exemplos de fortunas mal gastas, como o São Paulo, e a queima literal de grana, como o rebaixado Grêmio — mesmo com uma folha salarial de cerca de R$ 14 milhões. É preciso haver planejamento, estudo, scouting, plano de marketing e ótimo controle de financas. Não há mais sucesso no futebol brasileiro sem qualquer um destes itens.

Caminhos

Há, claro, o drama do campo. O ponto cego que faz tudo valer a pena e dá a graça que transforma o futebol em paixão nacional. Às vezes se perde, às vezes se ganha; de repente, até com o mesmo elenco. Basta vermos o Flamengo - campeão de absolutamente tudo em 2019 e 2020, mas um fracasso em 2021. Acontece, e não significa que tudo esteja errado agora. Há sempre uma nova temporada para se provar.

O primordial é ter um caminho a seguir junto de profissionais e sentir confiança no seu processo. O Botafogo, um barco à deriva há pelo menos 25 anos, começa a engatinhar rumo a uma trilha nunca antes visitada - o que é ótimo, dados os resultados esportivos deste século. Mas não será fácil. Nem rápido. O estrago a ser revertido é gigantesco.

Enquanto isso, apreciamos quem já iniciou esta caminhada há alguns anos - talvez décadas. O Fortaleza, que quase bateu na lona da Série D em 2011, investiu em um projeto e, dez anos depois, ficou em quarto lugar - na campanha mais bonita do Brasileirão. O argentino Vojvoda trabalhou com orçamento bastante inferior aos adversários e, ainda assim, encantou um futebol vistoso, bonito e competitivo. A vaga na Libertadores é o primeiro dos prêmios.

O América-MG, terceiro debutante do maior torneio da América em 2022, é outro que trabalha a sua maneira. Cada clube sabe a jornada que lhe cabe. São diferentes histórias que, se escritas por quem sabe do assunto, chegarão no mesmo caminho: as glórias. Ainda que demore, ainda que pareça longe — ou até irreal. Vai ganhar quem fizer por onde.

O outro lado

futebol brasileiro
Grêmio pagou a conta por anos de gastos mal planejados. Foto: Divulgação

Medalhões, salários atrasados, dirigentes amadores, planejamento inexistente e elencos inchados. Lendo isso, certamente algum time lhe veio à mente. Escrevi pensando no Grêmio - mas poderia também ser o Sport. Ou o Bahia. Os três que juntos foram rebaixados, assim como a Chapecoense.

Quem olha o elenco do tricolor gaúcho sem acompanhar o contexto imagina um resultado totalmente diferente. Jogadores como Douglas Costa, Diego Souza, Rafinha, Geromel, Campaz, Vanderson, Lucas Silva e vários outros formam um ótimo time. No papel...

Sem ver de perto a realidade, a prática, o dia-a-dia, análises de elenco são vazias e incompletas. Não à toa, apenas Santos, Flamengo e São Paulo ainda não foram rebaixados entre os grandes. Ninguém passa impune pela total falta de planejamento. E o Grêmio pagou a conta por anos de gastos mal planejados, assim como o Cruzeiro - que, em 2022, amargará seu terceiro ano consecutivo longe da elite nacional.

Mudar é preciso

A reestruturação é ingrata. Por vezes, impopular. O primeiro passo é não gastar mais do que se arrecada; parece simples, mas são poucos os clubes brasileiros que ainda têm esta educação financeira. Aprender a fazer mais com menos é uma arte que apenas quem entende do mercado saberá fazer. Largar na mão de figurões, ex-jogadores ou amigos em cabides de emprego apenas afundarão os gigantes brasileiros.

Poucos anos antes do segundo rebaixamento, em 2015, o Botafogo nomeou como vice-presidente de futebol Antônio Carlos Azeredo, o 'Cacá do Remo'. Hoje, menos de uma década depois, contratou o primeiro CEO de sua história e investe cada vez mais em análise de desempenho. A arrancada e o título desta complicada Série B foi o indício de que o Alvinegro finalmente está no caminho certo.

Quem optar pelas velhas técnicas, insistindo em se prender ao emaranhado de cartolas e charlatões do passado, não sairá mais do lugar. Assim está o Vasco, que ainda não conseguiu se modernizar para deixar para trás a poeira que habita São Januário. Diante da grandeza do clube, há o lastro para evoluir. Resta querer.

E assim caminha o futebol brasileiro. Os primeiros a perceberem o caminho, os espertos, já largaram na frente dentro da Nova Ordem. Vai ter gigante ficando para trás. O futebol moderno, livre de toda a aura negativa que a nomenclatura ganhou, chegou para reinventar nossas tradições. Quem for cabeça dura vai perder. Que venha 2022!

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