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Coisa de cinema: a promissora volta do interminável Botafogo

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A incansável torcida do Botafogo enfim voltou a sorrir. Foto: Vitor Silva/BFR

Cinco de fevereiro de 2021. Após perder em casa para o Sport, o Botafogo de Futebol e Regatas confirmou seu terceiro rebaixamento à Série B, após uma campanha vergonhosa. Atolado em dívidas, há 26 anos sem um título de expressão e longe de sua torcida devido à pandemia, o clube foi relegado ao ostracismo.

Os programas esportivos apontavam um caminho sem volta. Muitos jornalistas indicavam, até, que o clube fecharia as portas. Que não resistiria à queda brusca de receitas por causa do descenso. Que não teria forças para se levantar novamente. É.... eles não sabem nada de futebol. E muito menos de Botafogo.

A catástrofe apontada como último capítulo foi, na verdade, mais um renascimento. Uma ressurreição. O caminho foi tortuoso, é verdade. Em alguns momentos, até os mais otimistas pensaram em desistir. Mas não puderam. Algo dentro de cada um deles simplesmente apontava o caminho. Em frente. Enfrente. Sempre.

A trajetória parecia de cinema - e vai ser, no fim das contas. A história real que vai virar documentário mostra que nenhum enredo é bom demais para ser verdade. Das eliminações precoces no Carioca e na Copa do Brasil à promoção antecipada com goleada sobre o rival Vasco em São Januário muita coisa aconteceu. E nós, incrédulos e emocionados, assistimos atentamente cada capítulo.

O Alvinegro voltou

Pois é... o Botafogo é mesmo interminável. Insistente, sorrateiro, metamórfico, guerreiro, contumaz. Para a tristeza de alguns e alegria de muitos, o Alvinegro voltou. De novo. Deixou para trás outros clubes igualmente gigantes - mas que não tiveram o mesmo brilho no olhar. O Botafogo, acima de tudo, é um eterno apaixonado.

Um clube que não cansa de se reinventar e surpreender. Que aparece voando após ser dado como morto. Que tem a capacidade de colorir o Rio de Janeiro mesmo sendo, em essência, preto e branco. A camisa que fala sozinha, mesmo sendo a única sem sequer uma letra. Basta uma Estrela e um escudo. Aquele mesmo, eleito mais bonito do mundo.

Nos dribles de Garrincha, na seriedade de Nilton Santos e na velocidade de Jairzinho, a Estrela Solitária se forjou imortal. No entanto, para voltar à estrada dos louros, o clube inovou: largou o amadorismo, há tanto entranhado nas paredes de General Severiano, e começou a engatinhar rumo ao profissionalismo.

Sob a batuta de um CEO, o primeiro da história do Alvinegro, uma nova fábula começa a ser contada. Jorge Braga não é mágico, mas parece saber o que fazer para a Estrela Solitária voltar a brilhar. Afinal, tu és o Glorioso e não podes perder para ninguém. Um facho de luz se desenha para apontar o caminho de volta às alegrias outrora tão comuns.

O coração já sentia

Sorria, botafoguense. Só você sabe o quanto sonhou com este momento. Lá naquele cinco de fevereiro você ainda não imaginava, mas seu coração já sentia. A volta aconteceria. Para o Botafogo, ela sempre acontece. As arquibancadas, lotadas contra o Operário-PR e futuramente contra o Guarani, já merecem voltar a ver aquele clube irreverente, místico e, sobretudo, campeão.

O Mais Tradicional está de volta. Você pode até não gostar, mas precisa respeitar - e, mais do que nunca não duvidar. Já deu para ver que, nos arredores da avenida Venceslau Brás, o impossível é muito pouco.

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