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Esportes

Copa do Brasil e a esperança da democracia no futebol

Redação | Publicado em:

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Juazeirense e cruzeiro Bruno Haddad Cruzeiro
Juazeirense eliminou o Cruzeiro na Copa do Brasil. Foto: Bruno Haddad / Cruzeiro / Divulgação



Em tempos de Superliga Europeia, onde os gigantes planejavam abocanhar a mínima fatia que ainda resta aos clubes de outras prateleiras, a Copa do Brasil estende a bandeira da democracia e nos faz relembrar o motivo do futebol ser tão apaixonante; o protagonismo jamais será definido pela quantidade de dinheiro que se tem no bolso.



Às portas das oitavas de final, a edição de 2021 já nos trouxe algumas surpresas e historias dignas de registro. O 4 de Julho, sensação do país nas últimas semanas, venceu o gigante São Paulo no Piauí pelo jogo de ida da terceira fase, conquistou a simpatia de todo o Brasil e acabou levando nove gols como resposta. Ficaram tristes? Eu duvido!



O poderoso Palmeiras rodou para o simpático CRB – que, menos de uma semana antes, havia batido o Cruzeiro por 4 a 3 em pleno Mineirão, em jogo válido pela Série B. Derrubar dois dos maiores clubes nacionais em um espaço de apenas três dias é digno de registro para a posteridade – e cabe ficar de olho no contumaz alvirrubro na segunda divisão.



O Atlético-GO, mero figurante no Campeonato Brasileiro, fez estrago ao instaurar de vez a crise no Corinthians. A chegada de Eduardo Barroca, antes descartado por Botafogo e Vitória, foi o que deu nova vida ao Dragão. O futebol é assim; não é ciência exata, não é lógica, não é previsível. E essa é justamente a mágica.



O que prova isso é a proporção da recente estadia de dois gringos em solo brasileiro. Enquanto o argentino Juan Pablo Vojvoda cai nas graças do povo no comando do Fortaleza, praticando um futebol ofensivo e vistoso e eliminando o rival Ceará na Copa do Brasil, o curto pavio do Internacional implodiu o espanhol Miguel Ángel Ramírez após cair para o Grêmio, no Estadual, e para o Vitória, na Copa do Brasil, em pleno Beira-Rio.



O Criciúma, relegado à segunda divisão do fraco Campeonato Catarinense meses depois de cair à Série C do Brasileirão, acabou com a festa do América-MG, recém-promovido à elite do futebol nacional. Enquanto dá os primeiros passos na Série A, o técnico Lisca Doido vai precisar engolir à seco essa eliminação que custará caro – literalmente – aos cofres do Coelho.



O ABC, da quarta divisão nacional, desafiou a matemática da bola. Após levar 3 a 1 da Chapecoense, atual campeã da Segundona e figurando na primeira divisão, alcançou o considerado ‘impossível’ por todos e venceu por 3 a 0 no Frasqueirão, em Natal.



Falando em impossível, o grande vencedor da rodada, o modesto Juazeirense segurou o Cruzeiro em Minas, perdeu por apenas 1 a 0 e conseguiu devolver o placar jogando no Adauto Moraes para conquistar um triunfo incrível e emocionante na disputa de pênaltis. Ao fim do jogo, diante da classificação inimaginável, jogadores choravam, se abraçavam, cumpriam promessa atravessando o gramado de joelhos e faziam chamadas de vídeo com os familiares.



Isso é futebol. Isso é Copa do Brasil. Imprevisibilidade, surpresas, zebras, jogos memoráveis, disputas épicas nos pênaltis e a certeza de que o dinheiro nunca vai mandar no jogo. É no encontro de diferentes parâmetros que surgem as grandes noites do nosso futebol. A competitividade resiste. O futebol é do povo!



A resenha está garantida com o jornalista Pedro Chilingue, que além dos bastidores do mundo esportivo, também traz o melhor dos torneiros regionais.

A resenha está garantida com o jornalista Pedro Chilingue, que além dos bastidores do mundo esportivo, também traz o melhor dos torneios regionais.


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