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Esportes

Da Série B à final da Sul-Americana. Por que a Red Bull escolheu o Bragantino?

Redação | Publicado em:

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Da Serie B a final da Sul Americana em dois anos por que a Red Bull escolheu o Bragantino enfoco
Duas temporadas após quase cair no Paulistão, Bragantino chega à final da Sul-Americana. Foto: Ari Ferreira/RBB



A ascensão do Bragantino e seus motivos são óbvios para todos que acompanham o futebol brasileiro. Desde a chegada da Red Bull como grande investidora do clube, o Massa Bruta pulou do ostracismo de uma Série B em 2019 à grande final da Copa Sul-Americana de 2021. Com grande aporte financeiro e total reestruturação do departamento de futebol e da filosofia do clube como um todo.



Mas por que o Bragantino? Essa é a pergunta que muitos torcedores se fazem. E a explicação passa muito pela forma de trabalho da empresa. Longe dos holofotes e da pressão dos clubes grandes – tanto da mídia quanto da torcida – a parceria teve sinal verde para trabalhar de forma silenciosa atrás do sucesso que a parceria já alcançou em outros países.



Sem a exigência por títulos a curto prazo e a possibilidade de alterar cores, uniformes e até escudo, o Red Bull Bragantino teria tempo para evoluir – algo culturalmente inviável em solo brasileiro. Pondo em prática um trabalho a longo prazo, investindo em jovens jogadores (foram mais de R$ 100 milhões gastos em reforços só nos dois primeiros anos) e plantando o sucesso para colher resultado.



O Bragantino sempre foi um clube tradicional e conhecido, mas sem protagonismo na elite e também sem uma torcida de massa. O meio-termo ideal para explorar o modelo de clube-empresa – que promete ditar o futuro do esporte no Brasil. Vale lembrar que apenas dinheiro não resolve; a estrutura, com o CT em Jarinu, e a diretoria, com mentes jovens e muito capacitadas transformam uma equipe quase rebaixada no Paulistão de 2019 em uma das forças do Brasileirão em 2021.



Meio caminho



Importante frisar que este formato de trabalho não é ciência exata; nada no futebol é. Tudo depende da bola entrar, da química no vestiário, dos ventos a favor e até da sorte. Há também exemplos de fracasso da terceirização das obrigações – como o Figueirense, recentemente rebaixado à Série C depois da falência de seu investidor majoritário. Profissionalizar não vai fazer seu time tomar forma da noite para o dia num toque de mágica.



No entanto, as chances de sucesso aumentam consideravelmente em comparação ao amadorismo total que ainda reina no Brasil – principalmente entre os clubes grandes. As finais da temporada mostram que todos os postulantes são equipes que se organizaram minimamente: Flamengo, Palmeiras, Atlético-MG, Fortaleza, Athletico-PR e o próprio Bragantino.



Mercado nos gigantes



A entrada das empresas como investidores majoritários dos principais times do país é a tendência para o futuro próximo. Marcas com aportes bilionários disponíveis enxergando lucros ainda mais absurdos – pois quem ganha dá muito retorno para o bolso de quem apostou. Mas o processo promete não ser tão simples assim – justamente pela presença maciça de tudo o que não havia no Massa Bruta.



Torcidas enormes e fanáticas, que jamais aceitariam mudanças no que já é tradicional. Escudos e uniformes são intocáveis para a ampla maioria. A pressão da imprensa por resultados e títulos, semelhante ao que acontece com os treinadores, minaria qualquer hipótese de olhar a longo prazo. E aí o que é trabalho precisa virar mágica; se não houver uma mudança da mentalidade centenária que atrasa o nosso futebol como um todo, a conta não fecha.



O Botafogo é um dos clubes mais perto de entrar no negócio. Com uma dívida quase bilionária e um faturamento muito menor que as despesas anuais, gerando déficit quase interminável e insolúvel, resta saber do que os saudosistas alvinegros estão dispostos a abrir mão para recuperar o protagonismo dentro do cenário nacional. Com estatutos centenários e sistema de poder retrógrado, muito precisaria ser revisto. E sem mudar o tão marcante escudo da Estrela Solitária e o preto e branco do uniforme, o que sobra de retorno de marca para quem investe?



Lei do clube-empresa



Recentemente, o Congresso derrubou parte dos vetos do presidente Jair Bolsonaro ao projeto no que diz respeito à tributação e incentivo fiscal, mas manteve o trecho que aborda a transparência. A lei do clube-empresa (nº 14.193) teve sua ideia original reestabelecida e animou tanto os investidores como os clubes interessados em receber parcerias profissionais.



A lei prevê a criação da Sociedade Anônima do Futebol, permitindo que os clubes, enquanto Sociedades Anônimas, se tornem empresas. Antes, os clubes seriam obrigados a informar o nome dos donos de cotas com 10% ou mais do clube-empresa. A parte de tributação sobre receitas também segue em negociação; os clubes querem reduzir o máximo possível, criando condições especiais, a fim de atrair o máximo de interessados possível.



Outro veto de Jair Bolsonaro derrubado pelo Congresso foi a captação de recursos via Lei de Incentivo ao Esporte – uma fonte de renda considerada importante para o bom funcionamento do clube-empresa no país. A discussão ainda é embrionária e a corda ainda será muito puxada dos dois lados até chegarmos a um meio-termo.


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