Gianni Infantino está sob pressão da Uefa, que cobra explicações sobre decisões de sua gestão à frente da Fifa. A confederação europeia estabeleceu 2 de novembro como prazo para receber as respostas a 42 perguntas divididas em 12 temas, incluindo o projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), que previa a entrada de investidores privados nos negócios comerciais da entidade, e o Prêmio da Paz da Fifa.
O documento foi encaminhado nesta segunda-feira (19) por Theodore Theodoridis, secretário-geral da Uefa, a Mattias Grafstrom, que ocupa o mesmo cargo na Fifa. A iniciativa busca antecipar as respostas, sem esperar pela próxima reunião do Conselho da entidade, marcada para 16 de dezembro.
“Essas perguntas exigem respostas agora”, escreveu Theodoridis na carta. O dirigente também afirmou que eventuais reformas futuras de governança não podem substituir a análise de decisões já tomadas nem a responsabilização por elas.
A pressão sobre Infantino aumentou após a proposta do FFE, que acabou abandonada. O plano previa a criação de uma empresa para administrar os interesses comerciais das competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, com a possibilidade de vender uma participação minoritária a investidores privados.
A iniciativa levou a Uefa a liderar manifestações pela saída do presidente da Fifa. Na semana passada, Infantino pediu desculpas ao Conselho da entidade e orientou os participantes a encaminharem por escrito eventuais dúvidas sobre sua administração. Segundo ele, as questões poderiam ser respondidas na reunião de dezembro.
A posição da Fifa, no entanto, é de preservar o sigilo das comunicações internas. Em declaração, um porta-voz afirmou que os regulamentos de governança determinam a confidencialidade das reuniões do Conselho e dos documentos relacionados a elas.
A entidade informou que pretende responder às perguntas apresentadas por seus integrantes, mas descartou comentar comunicações e documentos internos à imprensa. Segundo o porta-voz, respeitar essas regras é também uma forma de preservar o Conselho e seus membros.
Infantino mira novo mandato na Fifa
A disputa ocorre em meio à preparação para a eleição presidencial da Fifa, prevista para março de 2027. Infantino, de 56 anos, pretende concorrer à reeleição, e os possíveis candidatos têm até 18 de novembro para apresentar suas indicações.
O prazo estabelecido pela Uefa para obter esclarecimentos termina antes dessa data, colocando os questionamentos sobre a administração da entidade no centro das discussões que antecedem o processo eleitoral.