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Esportes

Vasco divulga manifesto contra a interdição de São Januário

Redação | Publicado em:

Divulgação/Vasco







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A decisão do TJ-RJ de manter a proibição da torcida em São Januário provocou revolta no Vasco. Tanto que, nesta quinta-feira (31), o clube emitiu um “Manifesto pela Justiça e Dignidade” em suas redes sociais.

A diretoria esperava a liberação do estádio e estava disposto a assinar um termo de ajustamento de conduta. No entanto a negativa da Justiça impediu o acordo.

Leia +: Portões fechados: Justiça mantém interdição de São Januário

O Vasco já deu entrada em um recurso no STJ, em Brasília. Contudo o julgamento do caso deve demorar a acontecer. A decisão da Justiça foi criticada pelos políticos cariocas. O Vasco segue buscando uma alternativa para a reabertura do estádio.

“Manifesto pela Justiça e Dignidade”


“Em um país cujas raízes estão entrelaçadas com o racismo estrutural e outras formas de injustiça, o futebol emerge, não apenas como um espelho da sociedade, mas também como um espaço de transformação. O Vasco da Gama, com 125 anos de lutas e resistência, se posiciona novamente diante de uma adversidade que transcende as quatro linhas do campo: a negação do direito de receber vascaínas e vascaínos em nossa casa, São Januário, um estádio quase centenário, que é um bastião do futebol popular em nosso país, onde reina a perfeita integração do clube e seu povo.

Essa proibição, embasada em alegações eivadas de preconceitos, que apontam para a localização em área popular, a violência e as dificuldades de acesso como justificativas, é seletiva e discriminatória. Ignora-se, nesse contexto, que outros estádios de clubes da Série A permanecem abertos, mesmo tendo enfrentado recentes e mais gravosos problemas de segurança, inclusive no Rio de Janeiro.

O Vasco da Gama, que já em 1924 proferiu sua Resposta Histórica, recusando-se a dispensar atletas negros e de origens humildes para participar de competições, vê nessa interdição um eco daqueles tempos sombrios. A interdição prejudica, também, as comunidades da Barreira do Vasco, do Tuiuti e do Arará, partes inseparáveis da alma vascaína, cuja saúde econômica e social está atrelada à vida do clube. Temos um orgulho imenso de estarmos enraizados numa área popular da zona norte da cidade.

Este não é apenas mais um golpe contra a grandeza esportiva do Vasco, mas também um ataque à sua importância social e histórica. A injustiça perpetrada nestes tempos estranhos obriga o Vasco da Gama a lutar para jogar no Maracanã, estádio público por excelência, onde nossa história é invejável e onde nossos torcedores têm o direito de poder nos ver atuar.

Chega-se a uma inacreditável situação, em que se quer impedir o Vasco de disputar jogos em suas duas casas (São Januário e Maracanã), imputando ao clube uma desigualdade esportiva nunca vista no Brasil. O Vasco é o único clube, dentre os 20 que disputam a principal competição nacional, a estar impedido de disputar partidas em sua casa, ao lado de sua torcida, por decisão que extrapola os aspectos esportivos e o regulamento da competição.

O Vasco entra de peito aberto nesta luta. Faz parte do nosso DNA enfrentar, e não fugir dos desafios. Confiamos que o Poder Judiciário corrigirá essa discriminação, em consonância com os princípios de igualdade e justiça que devem reger nossa sociedade. Confiamos também no Ministério Público, de quem sempre fomos parceiros na busca de melhor atender os nossos torcedores.

O Vasco da Gama, sua torcida e a Barreira do Vasco, se mantêm firmes: nosso estádio pode estar interditado, mas nosso espírito e nossa voz jamais serão silenciados.

Nossa luta continua. Somos, e sempre seremos, parte intrínseca da solução para uma sociedade mais justa e igualitária. O fechamento de São Januário é um ataque à nossa casa, à nossa alma e contra tudo em que acreditamos. Cabe a essa geração de vascaínos, espalhados pelo Brasil e pelo mundo, honrar o legado de nossos fundadores caminhando juntos em defesa de nosso estádio, das nossas comunidades e de nossos ideais. Esta não é uma causa apenas do Vasco, mas de todos os desportistas e da sociedade”.

Gazeta Esportiva 

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