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Capitã da PM chega morta em hospital e marido sargento é preso

Redação | Publicado em: - Atualizado 3 meses atrás

Durante o atendimento, os médicos identificaram vários ferimentos, entre eles traumatismo craniano e hematomas espalhados pelo corpo/Foto: Reprodução

Um sargento da Polícia Militar de Minas Gerais foi preso em flagrante na noite de segunda-feira (20), após levar a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, sem vida ao Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste de Belo Horizonte. A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte da oficial, que apresentava diversas lesões pelo corpo.

Conforme o boletim de ocorrência, Michele deu entrada na unidade de saúde por volta das 21h35. A equipe médica constatou que ela já estava em assistolia, ausência de atividade cardíaca, indicando que a parada cardiorrespiratória havia ocorrido horas antes da chegada ao hospital.

Durante o atendimento, os médicos identificaram vários ferimentos, entre eles traumatismo craniano, hematomas espalhados pelo corpo, lesões nas pernas, marcas lineares semelhantes às provocadas por chicotadas e um corte profundo na região frontal da cabeça. Diante dos indícios de violência, a Polícia Militar foi acionada. Os profissionais de saúde também estimaram que a morte teria ocorrido entre quatro e seis horas antes.

Depoimento do sargento

Em depoimento, o sargento afirmou que, na noite anterior, o casal recebeu amigos em casa para uma confraternização, ocasião em que teriam consumido bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy.

Segundo sua versão, após a saída dos convidados, ele e Michele mantiveram relações sexuais consensuais com práticas que envolviam dominação e agressões físicas.

O militar declarou ainda que, por volta do meio-dia de segunda-feira, a capitã teria caído da escada do imóvel, sofrendo um corte na cabeça e outros ferimentos. Ele afirmou que realizou os primeiros socorros, limpou os ferimentos, estancou o sangramento, deu banho na esposa e a colocou para descansar. Ainda conforme seu relato, Michele recusou atendimento médico por sentir vergonha em razão do consumo de drogas.

O sargento disse que ambos dormiram durante a tarde e que, ao acordar, por volta das 21h, percebeu que a esposa não respondia. Diante da situação, decidiu levá-la ao Hospital Odilon Behrens.

Comprimidos apreendidos

O boletim de ocorrência informa ainda que, enquanto aguardava atendimento no hospital, o militar pediu para ir ao banheiro. Acompanhado por um policial, ele foi visto descartando uma pequena caixa metálica em uma lixeira.

No interior do recipiente, os agentes encontraram comprimidos com características semelhantes ao ecstasy. O próprio sargento admitiu ter jogado o material fora. A substância foi apreendida e será submetida à perícia.

Em nota, a defesa do militar informou que acompanha o caso e ressaltou ser necessário aguardar a conclusão dos laudos periciais e das investigações antes de qualquer conclusão. Os advogados afirmaram confiar no devido processo legal, na imparcialidade da apuração e disseram que irão se manifestar no momento oportuno, preservando o direito de defesa e o sigilo do procedimento.

Relato da família

À polícia, a mãe de Michele afirmou que considerava o relacionamento da filha abusivo e marcado por controle psicológico. Segundo ela, o casal passou por diversas separações e reconciliações ao longo dos últimos anos.

Ela contou ainda que tinha um compromisso marcado com a filha na manhã de segunda-feira, mas recebeu uma ligação em que Michele informou apenas que não poderia comparecer. Depois disso, enviou diversas mensagens, que não foram respondidas.

Ainda de acordo com o depoimento, a mãe afirmou que só passou a suspeitar do uso de drogas pela filha após o início do relacionamento com o militar. Ela também relatou ter sido informada por outra filha de que Michele pretendia encerrar o relacionamento por considerar o companheiro narcisista. Em uma discussão anterior, segundo o relato familiar, ele teria chegado a ameaçá-la com uma faca.

Perícia

Peritos da Polícia Civil realizaram uma vistoria no apartamento onde o casal morava. Durante a inspeção, foi apreendido um cabo de madeira quebrado encontrado na lixeira do prédio, que poderá passar por exames para verificar se foi utilizado nas agressões.

Também foram recolhidas roupas de cama que estavam lavadas e ainda úmidas dentro da máquina de lavar, além do veículo utilizado para transportar Michele ao hospital, que foi submetido à perícia.

O celular do sargento e os comprimidos apreendidos também serão analisados pelos investigadores.

O corpo da capitã Michele Leão Azevedo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), onde será submetido ao exame de necropsia. A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer a causa da morte e as circunstâncias do ocorrido.

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