A greve nacional dos empregados da Caixa Econômica Federal continua por tempo indeterminado após os trabalhadores rejeitarem a proposta final apresentada pelo banco. A paralisação começou na quinta-feira (10) e deve permanecer enquanto as entidades sindicais buscam retomar as negociações.
Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% dos trabalhadores votaram contra a proposta em assembleia encerrada às 23h desta sexta-feira (11).
O principal ponto de divergência está relacionado ao Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados. A proposta apresentada pela instituição previa mudanças nas regras de custeio e de coparticipação.
Antes da votação, a Caixa classificou a proposta como final e indicou a possibilidade de recorrer à Justiça do Trabalho caso os trabalhadores decidissem pela rejeição.
Entre as alternativas está o ingresso de um dissídio coletivo, instrumento que permite à Justiça do Trabalho estabelecer condições para solucionar o impasse entre empregados e instituição. Apesar da rejeição, o banco afirmou que mantém o diálogo com as entidades representativas e pretende buscar um entendimento.
Entre os principais itens oferecidos pela Caixa estava o pagamento de um prêmio de R$ 3 mil por empregado. A proposta também previa o pagamento, em 18 de setembro, do salário reajustado, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), do Super Caixa e do prêmio.
O banco propôs ainda elevar de 6,5% para 8% o limite de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa.
Outros pontos incluíam a antecipação da parcela da Caixa referente à 13ª mensalidade de 2028, 2029 e 2030, o pagamento de valores relativos ao PAMS a partir de 2027 e R$ 236 milhões em ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027.
Também estava prevista a criação de grupos de trabalho para discutir melhorias na eficiência do plano e novas fontes de financiamento.
As mudanças no plano de saúde foram um dos principais motivos de resistência à proposta.
O texto previa contribuição dos empregados entre 2,3% e 4,1% sobre o salário-base, conforme a faixa etária, além de cobrança mensal de R$ 480 a R$ 660 por dependente, também de acordo com a idade.
O teto anual de coparticipação por grupo familiar passaria de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil, com limite de 9% para o grupo familiar e criação de um piso de R$ 50 por beneficiário.
A proposta também estabelecia cobrança de 13 mensalidades e aumento de R$ 75 para R$ 150 no valor da consulta em pronto-socorro, fora do teto. Em contrapartida, atendimentos por telemedicina teriam isenção de coparticipação.
O recadastramento anual obrigatório também fazia parte das mudanças.
A Caixa previa ainda uma janela de 90 dias para que titulares atualmente fora do plano pudessem aderir ao Saúde Caixa. Após o cancelamento, porém, não seria possível retornar ao plano.
Como ficam os serviços aos clientes
Durante a paralisação, a Caixa orienta os clientes a priorizarem os canais digitais e remotos. Entre as alternativas estão o aplicativo Caixa, Internet Banking, WhatsApp Caixa, Caixa Tem, aplicativos específicos dos serviços, caixas eletrônicos, Banco24Horas, lotéricas e correspondentes Caixa Aqui.
O atendimento telefônico permanece disponível pelo Alô Caixa: 4004-0104 para capitais e regiões metropolitanas e 0800-104-0104 para as demais localidades.
A paralisação foi iniciada depois que os trabalhadores rejeitaram uma proposta anterior para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mais de 90% das bases sindicais haviam rejeitado o texto anterior apresentado pela Caixa.
Em São Paulo, Paraná e outras regiões, agências amanheceram fechadas no início da greve, enquanto os caixas eletrônicos permaneceram disponíveis.
No Banco do Brasil, a situação é diferente. Na maior parte das bases sindicais, os trabalhadores aprovaram a proposta apresentada pela instituição e trabalharam normalmente na sexta-feira (11).