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Região

O desafio de salvar a Educação do RJ: apontada entre as piores do país

Tayná Ferreira | Publicado em: - Atualizado 4 semanas atrás

Especial Eleições Educação no RJ
De acordo com a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc), atualmente, a rede estadual possui 583.419 alunos no Leste Fluminense. Foto: Divulgação / Seeduc

Diversos são os desafios enfrentados pela educação na rede estadual do Rio de Janeiro. Escolas com problemas de infraestrutura, falta de professores e profissionais de apoio, dificuldades na inclusão, questionamentos sobre a valorização dos profissionais e baixos indicadores de aprendizagem fazem parte do cenário educacional fluminense.

O cenário controverso chama atenção especialmente porque o estado está entre os que mais investem em educação pública no país. De acordo com levantamento da iniciativa da sociedade civil EducAçãoRio, o Rio de Janeiro é o estado que mais gasta com educação pública, mas aparece entre os últimos colocados no indicador que mede a qualidade da aprendizagem no país, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

De acordo com a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc), atualmente, a rede estadual possui 583.419 alunos no Leste Fluminense. Em Niterói, são 18.974 estudantes; em São Gonçalo, 38.089; em Itaboraí, 7.922; e em Maricá, 7.761.

Os dados sobre os gastos foram obtidos a partir do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). No estado, são gastos R$ 19.580 por aluno ao ano. O valor é 83% maior que o registrado em Goiás, que aparece no topo da tabela do Ideb e, segundo os valores declarados ao mesmo sistema, investe R$ 10.704 por estudante. Os números apontam que apenas investimento financeiro não soluciona a precariedade do ensino público estadual.

Apesar do aumento em algumas etapas, a rede pública estadual não alcançou as metas de aprendizagem estabelecidas pelo Ministério da Educação.

Ensino reprovado

No ensino médio da rede estadual, o Ideb passou de 3,3, em 2023, para 3,7, em 2025. O avanço foi de 0,4 ponto, mas o resultado ficou abaixo da meta de 4,6 estabelecida para os dois anos.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, a média nacional foi de 6,3. O estado do Rio alcançou 6,1 e ficou em oitavo lugar entre os estados, empatado com Paraíba e Rondônia.

Nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, a média nacional foi de 5,3. O Rio registrou 5,1 e ficou em sexto lugar entre os estados, ao lado do Distrito Federal, Mato Grosso e Pernambuco.

Já no ensino médio, a média nacional chegou a 4,5. No estado do Rio, o índice foi de 4,2, colocando o estado em décimo lugar entre os estados, empatado com Acre, Rio Grande do Norte e Rondônia.

Na comparação entre as redes estaduais de ensino médio, nas modalidades tradicional e profissionalizante, o Rio teve o segundo pior resultado do país, à frente apenas do Distrito Federal.

O cenário no Leste Fluminense

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No Leste Fluminense, os resultados do Ideb também revelam dificuldades para que escolas públicas estaduais nos municípios alcancem as metas estabelecidas para a educação básica.

Anos iniciais do ensino fundamental

O Ideb não disponibiliza, no site, desde 2013, as notas das escolas referentes aos anos iniciais, apenas a meta atingida. Dessa forma, não é possível fazer uma comparação válida apenas com a nota da meta.

Anos finais do ensino fundamental e Ensino Médio

Niterói: Em 2023, para os anos finais do ensino médio, a meta era de 5,3, mas a nota do Ideb foi de 3,6. Em 2025, a meta permaneceu a mesma, enquanto a nota aumentou 0,6 ponto, chegando a 4,2, mas ainda abaixo do esperado.

Desde a criação do Ideb, em 2007, as metas foram aumentando, assim como as notas do Ideb, porém o município não alcançou os objetivos estabelecidos para os anos finais do ensino fundamental.

Já para o Ensino Médio, em 2023, a meta era de 3,9 e a nota do Ideb foi de 3,4. Já em 2025, a meta permaneceu em 3,9 e o município conseguiu ultrapassá-la, registrando 4,0. Houve aumento de 0,6 ponto em relação a 2023. Niterói também conseguiu bater e ultrapassar as metas em 2019 e 2021, piorando os desempenhos nas avaliações dos anos seguintes.

São Gonçalo; Em 2023, a meta era de 5,1 e a nota do Ideb foi de 3,4. Em 2025, a meta continuou em 5,1, mas também não foi atingida: o município registrou 4,1, um aumento de 0,7 ponto em relação a 2023.

As metas foram aumentando, assim como as notas do Ideb, porém o município não alcançou os objetivos estabelecidos. O último ano em que São Gonçalo ficou mais próximo de bater a meta foi em 2009, quando registrou 3,1 para uma meta de 3,3.

No Ensino Médio, em 2023, a meta era de 3,8 e a nota do Ideb foi de 3,3. Em 2025, a meta permaneceu em 3,8 e a nota chegou a 3,7. Em 2019 e 2021, o município também conseguiu ultrapassar a meta. Na época, a meta era de 3,5, e São Gonçalo registrou 3,6 em 2019 e 3,9 em 2021.

Itaboraí: Em 2023, a meta era de 5,0 e a nota do Ideb foi de 3,5, também sem alcançar a meta. Em 2025, a meta permaneceu em 5,0, enquanto a nota chegou a 4,0, um aumento de 0,5 ponto em relação a 2023. O último ano em que Itaboraí ficou mais próximo de atingir a meta foi em 2009, quando registrou 3,0 para uma meta de 3,1.

No Ensino Médio, em 2023, a meta era de 3,6 e a nota foi de 3,3. Em 2025, a meta permaneceu em 3,6, enquanto a nota chegou a 3,7, ultrapassando a meta. Em 2021, o município também superou a meta, que era de 3,6, ao registrar 3,7.

Maricá: Em 2023 e 2025, a meta foi de 5,5. No entanto, o Ideb não disponibilizou a nota, não sendo possível fazer a comparação.

No Ensino Médio, em 2023, a meta era de 4,1 e a nota foi de 3,2. Em 2025, a meta permaneceu a mesma, enquanto a nota chegou a 3,6, um aumento de 0,4 ponto em relação a 2023. A última vez que o município esteve mais próximo de alcançar a meta foi em 2021, quando registrou 4,0 para uma meta de 4,1.

Para a a psicóloga e doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Cristina Delou, o desempenho do estado no Ideb, principalmente no ensino médio, está relacionado à formação dos estudantes nos anos anteriores.

“Falta uma educação forte no ensino fundamental. O aluno que não aprende a ler, escrever e calcular, funções dos sistemas de ensino municipais, não tem formação para se apropriar do currículo previsto para o ensino médio”, explica.

Ainda de acordo com Delou, o Rio de Janeiro é referência no Brasil, mas nem sempre um bom exemplo de execução.

“Quando os recursos não são planejados e aplicados adequadamente, as distorções aparecem e os resultados não são os esperados”, comenta a especialista.

Educação como política de Estado

De acordo com ela, a educação está entre os assuntos que costumam ganhar destaque durante os períodos eleitorais.

O cenário da educação na rede estadual do Rio de Janeiro reflete os precários valores que se atribuem à vida humana. Educação, Saúde, Cidadania, são categorias lembradas apenas na época ou visando as eleições. A Educação não é contemplada como política de Estado, contínua, progressiva, lembrando que as crianças e os jovens que estão na escola hoje, serão os futuros trabalhadores, cidadãos com direitos e deveres para com a sociedade em que vive.”, — Cristina Delou, psicóloga e doutora em Educação pela UFF.

Para Maria Beatriz Lugão, doutora em Educação pela FFP/UERJ e diretora da Secretaria de Assuntos Educacionais do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe-RJ), há críticas à forma como o Ideb avalia a qualidade da educação.

“O principal deles é que o aprendizado não se mede pelo desempenho em provas centralizadas (Saeb) e pelo fluxo de aprovação. Prova cabal disso é que mesmo em estados onde houve aumento do índice não se comprovou o aumento real da aprendizagem. Para além disso, a prova centralizada desencadeia uma dinâmica geral de ‘treinamento’ para a prova e projetos mirabolantes para mascarar o fluxo, tais como a aprovação automática.”, critica.

Ainda de acordo com Maria Beatriz, antigas estratégias adotadas por governos estaduais na tentativa de mascarar as notas já não surtem o mesmos efeitos.

“Funcionou no estado do Rio quando saiu do 26 lugar em 2011 para 4 lugar em medições posteriores, mas não funcionou em 2025. Nem a tentativa patética de aprovação em massa através do decreto do governador Claudio Castro em 2025, onde a escola que tivesse 95% de aprovação receberia um bônus de 3 mil reais para cada professor, conseguiu mascarar o resultado de anos de abandono”, explica.

A Seeduc justificou que a rede estadual apresentou crescimento no Ideb, passando de 3,3 para 3,7 no Ensino Médio e de 3,8 para 4,3 nos Anos Finais do Ensino Fundamental, em comparação com os resultados de 2023.

Educação inclusiva ainda enfrenta obstáculos

A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), especialmente o artigo 28, garante a educação inclusiva em todos os níveis, com adaptações razoáveis, recursos de acessibilidade, atendimento educacional especializado, profissional de apoio escolar, quando necessário, avaliações adaptadas e ambiente escolar livre de discriminação.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996) reforça que a educação da pessoa com deficiência deve ocorrer, preferencialmente, na escola regular, com os apoios necessários.

No caso do autismo, a Lei Berenice Piana (Lei nº 12.764/2012) reconhece a pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais, inclusive para garantir o direito à educação inclusiva.

A necessidade de ampliar o suporte aos professores é destacada por Fernanda Serpa Cardoso, professora e coordenadora da Escola de Inclusão da UFF.

“O número de alunos da educação inclusiva no estado do Rio de Janeiro praticamente dobrou nos últimos cinco anos. É impossível um professor, numa sala superlotada, como a gente vê principalmente na rede pública de ensino, dar conta de todo o trabalho sozinho. Então, é fundamental a contratação dos profissionais de apoio. A não contratação, inclusive, fere a LBI de 2015, que garante um acompanhamento mais de perto, mais individualizado para esses alunos que são público-alvo da educação inclusiva”, afirma.

Para Cristina Delou, os estudantes com TEA estão matriculados na rede estadual, mas as escolas ainda não possuem estrutura suficiente para garantir um atendimento adequado: “As escolas não possuem cultura, profissionais, equipes, materiais, tecnologias e recursos pedagógicos para o atendimento dos alunos com TEA”.

O Sepe-RJ também aponta dificuldades na oferta de profissionais especializados para o atendimento aos estudantes com deficiência na rede estadual. Um exemplo é a situação relatada pelo Movimento dos Profissionais de Apoio Escolar (MVT-PAE). Segundo o movimento, diversos profissionais de apoio foram demitidos em 18 de julho de escolas estaduais do Rio de Janeiro, incluindo unidades do Leste Fluminense, deixando quase 3 mil alunos sem apoio, de acordo com informações apresentadas pelo movimento ao ENFOCO.

Para Maria Beatriz Lugão, a quantidade de profissionais disponíveis ainda é insuficiente diante da demanda da rede.

“Eram 1.800 contratados para atender 2.000 alunos. Mas nós sabemos que, em uma rede de mais de 700 mil alunos, tem muito mais do que 2.000 alunos PCDs, então tem muita falta”, comenta.

Questionada sobre quais medidas considera prioritárias para melhorar o atendimento aos estudantes com TEA na rede estadual, Cristina Delou também defende a formação de profissionais e a criação de estruturas especializadas.

“Formar professores, criar equipes de apoio com formação adequada, criar centros de atendimento multidisciplinar para os alunos das escolas da rede estadual, diminuindo os vazios de atendimentos especializados que demandam”, relata.

Ainda de acordo com o sindicato, garantir esse atendimento é um desafio para a rede estadual, pois a ausência de profissionais especializados também afeta o trabalho dos demais professores e o andamento das aulas.

Em Niterói, o município possui uma escola dedicada à educação especial, a Escola Estadual de Educação Especial Professor Álvaro Caetano de Oliveira, localizada no bairro Barreto.

Segundo a Seeduc, ao todo, os municípios do Leste Fluminense são atendidos por 149 docentes que atuam como professores articuladores pedagógicos da Educação Especial.

Em relação aos profissionais de apoio que foram demitidos, a Seeduc afirmou que o último faturamento oficial registra 1.331 profissionais, e não 1.600.

Ainda de acordo com a pasta, o contrato com o instituto terceirizado ‘não foi renovado em decorrência de graves questões trabalhistas constatadas em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público, motivado por falhas e descumprimentos de obrigações por parte da prestadora’, diz a nota.

Piso salarial e valorização dos profissionais da educação

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), o reajuste do piso salarial dos professores da educação básica em 2026 foi de 5,40%. O percentual corresponde ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025, de 3,90%, somado a um ganho real de 1,50% acima da inflação.

Com o reajuste, o piso nacional passou de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63, com vigência a partir de janeiro deste ano. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), por meio da Lei nº 15.437/2026, que também estabeleceu uma nova regra para o reajuste anual da categoria.

Pela nova fórmula, o reajuste é calculado com base na soma do INPC e de 50% da média do crescimento real das receitas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) nos cinco anos anteriores. Principal mecanismo de financiamento da educação básica pública no país, o fundo repassa recursos a estados e municípios para o custeio da educação.

De acordo com o Sepe-RJ, o estado do Rio de Janeiro não paga o piso nacional do magistério.

“Não pagam o piso nacional do magistério; funcionários recebem menos do que o salário mínimo; animadores culturais não têm a vida funcional regularizada; não abrem concurso público e não garantem um currículo em que todas as disciplinas tenham pelo menos dois tempos de aula em cada ano do ensino fundamental e médio”, explica Maria Beatriz.

Os desafios sob o olhar dos estudantes

Segundo a pesquisa do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, elaborado pelo Todos Pela Educação, o estado do Rio de Janeiro revela um retrato da infraestrutura das escolas públicas. Nos itens básicos, como banheiro, cozinha e abastecimento de água, os índices são elevados: mais de 97% das unidades contam com esses serviços. Outro aspecto importante é a climatização das salas de aula. Segundo o levantamento, 67,9% das escolas possuem essa estrutura.

Nos anos finais do ensino fundamental, 91,3% das escolas públicas têm bibliotecas ou salas de leitura. No entanto, somente 56,5% contam com laboratórios de informática. Na área científica, o cenário é ainda mais limitado: apenas 33,5% possuem laboratório de ciências. Já no ensino médio, 94,6% das escolas contam com bibliotecas ou salas de leitura, e pouco mais da metade (51,6%) oferece laboratório de ciências.

Diante desse cenário, a reportagem ouviu cerca de dez estudantes de escolas da rede estadual em Niterói e São Gonçalo para conhecer a percepção deles sobre as condições das unidades de ensino e os principais problemas enfrentados no dia a dia. Os alunos não serão identificados na matéria.

Atualmente, a rede estadual possui 437 unidades que ofertam o ensino integral. Segundo estudantes ouvidos pela reportagem, porém, a falta de professores impacta a oferta e o funcionamento da modalidade em algumas escolas.

Em Niterói, a estrutura de uma das unidades públicos do estado chama a atenção.

“Ano passado fizeram uma obra, mas só pintaram todo o bloco e mexeram no telhado, arrumaram. Aí veio a chuva e ficou pior do que já estava”, explicou o estudante.

Ainda de acordo com o aluno, também há problemas relacionados à falta de professores, embora ocorram de forma pontual.

“Tem a falta de professores, mas não é uma coisa assim constante. É uma vez a cada semana que falta um professor”, relata.

Outra estudante relata que acorda cedo para ir à escola e, muitas vezes, precisa voltar para casa porque faltou professor. “Quando choveu esses dias, caiu uma goteira e a sala estava toda molhada. Também o professor, falta muito professor, ainda mais de educação física”, explica a estudante do 8º ano.

Segundo os alunos, os problemas também estão relacionados à estrutura da instituição. “Muitos ratos dentro da escola e muitos pombos dentro do refeitório”, relata uma aluna.

Em outras escolas de São Gonçalo, por exemplo, estudantes relatam dificuldades similares: “Tem coisas quebradas, algumas salas precisam de manutenção”.

Os problemas estruturais da rede também têm reflexos dentro da sala de aula. Para a professora aposentada Cristina Delou, a falta de profissionais, a infraestrutura inadequada, as salas superlotadas e as condições de trabalho dos professores impactam diretamente a relação entre educadores e estudantes.

“Impactam diretamente, pois os professores não conseguem se comunicar com os alunos e estes não demonstram atenção aos professores. Os conteúdos não fazem sentido diante da cultura que suas comunidades de origem enfatizam, e a falta do apoio familiar com base em uma escolarização efetiva acaba por desestimular o empenho na aprendizagem e a permanência na escola”, explica a professora aposentada.

O que os ele propõem?

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Eduardo Paes (PSD)

Ampliação do ensino médio profissionalizante em tempo integral, considerando as características econômicas de cada região, com o objetivo de aproximar a formação dos jovens do mercado de trabalho. Também prevê apoio aos municípios em ações de educação inclusiva e assistência a famílias de crianças com autismo.

Coronel Busnello (Missão)

Recomposição salarial dos professores e adequação dos vencimentos ao Piso Nacional do Magistério, além de um novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários. O programa também prevê medidas para melhorar a aprendizagem e reduzir a evasão e a distorção idade-série.

Entre as propostas estão ainda a ampliação do ensino integral, investimentos em infraestrutura e conectividade e a expansão do ensino técnico de acordo com as características econômicas de cada região.

Cyro Garcia (PSTU)

Ampliação de investimentos com a destinação de pelo menos 25% do orçamento estadual para a área. O candidato também defende a suspensão da implementação do Novo Ensino Médio e é contrário às escolas cívico-militares e ao projeto Escola Sem Partido.

Douglas Ruas (PL)

Ações para recuperar a aprendizagem de estudantes com defasagem e valorizar professores e diretores. Entre as medidas está o programa Ninguém Fica Para Trás, com diagnóstico dos alunos e reforço em Língua Portuguesa e Matemática.

O programa também prevê a ampliação do ensino técnico, investimentos em infraestrutura e medidas de educação inclusiva, como planos educacionais individualizados e tutores especializados.

André Marinho (Novo)

Formação profissional, ampliação da jornada escolar e combate à evasão. Uma das principais medidas é o Programa Aprendiz Rio, que pretende combinar a formação escolar com experiência profissional remunerada em empresas.

O plano também prevê ampliar os centros técnicos estaduais e o ensino em jornada estendida, com reforço acadêmico, esporte, cultura e atividades socioeducativas, além de equipes de apoio psicossocial nas escolas.

William Siri – PSOL

Investimentos em infraestrutura, redução do número de alunos por sala e melhorias nas condições das escolas. Também defende a retomada do modelo dos CIEPs, com ensino integral e integração entre educação, esporte, arte e cultura.

Na valorização dos profissionais, o programa prevê atualização do plano de carreira e pagamento do piso nacional do magistério. O candidato também propõe equipes multidisciplinares para atender estudantes, familiares e trabalhadores da educação.

Juliette Pantoja (UP)

Ampliação ao acesso dos estudantes da rede pública ao ensino técnico e às universidades estaduais. Na educação básica, defende a desmilitarização das escolas e a realização de concursos públicos para atender à demanda por profissionais.

A candidata também propõe ampliar gradualmente o ensino integral e revogar a implementação do Novo Ensino Médio no estado.

Luan Monteiro (PCO)

Aumento dos investimentos na educação pública e a destinação de recursos públicos exclusivamente ao ensino público. Para os professores, propõe jornada de trabalho de, no máximo, 30 horas semanais e piso salarial de pelo menos R$ 8,5 mil.

Anthony Garotinho (Republicanos)

No dia 11, o Colegiado do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu, por unanimidade, no plenário do Palácio da Democracia, o registro de Anthony Garotinho (Republicanos), candidato a governador,  por ausência de condição de elegibilidade e por configuração de causa de inelegibilidade. Cabe recurso da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Esperança na educação?

Diante dos desafios a serem enfrenados pelo futuro governador do Rio, especialistas defendem que a melhoria da educação estadual depende de medidas estruturais e da continuidade das políticas públicas.

Para Maria Beatriz Lugão, a valorização dos profissionais deve estar entre as prioridades.

“O Governo do Estado deveria, em primeiro lugar, valorizar os profissionais da educação, pois são eles que fazem a educação acontecer, são a ponta do sistema. Em segundo lugar, garantir condições de trabalho e de estudo, com recursos, manutenção dos prédios, pessoal qualificado e em quantidade suficiente para um bom funcionamento, internet, salas de recurso, de vídeo, quadras poliesportivas, etc. Em terceiro lugar, um currículo que garanta o acesso dos estudantes ao pensamento científico e crítico de seu tempo”, explica a professora aposentada.

Segundo Delou, a melhoria da aprendizagem depende de investimentos na formação dos professores, na oferta de materiais didáticos e tecnológicos e na qualificação de equipes de apoio em sala de aula.

“Formação de professores para atuação na alfabetização integral de crianças que apresentam histórico familiar de exclusão devido ao analfabetismo funcional; ênfase no ensino focado no estudante, na perspectiva da educação especial inclusiva, com materiais e recursos didáticos e tecnológicos adequados para cada público específico; formação de equipes de apoio ao ensino em sala de aula qualificadas na diversidade humana”, avalia.

Inclusão

Entre os caminhos apontados também para melhorar a inclusão está a ampliação do suporte oferecido aos professores que trabalham com estudantes público-alvo da educação especial. Para Dagmar de Mello e Silva, professora da Faculdade de Educação da UFF, garantir esse atendimento exige profissionais preparados para orientar os docentes e acompanhar as necessidades individuais dos alunos.

“Se a gente quer atender esse público com dignidade, a gente precisa de pessoas que estudam, que pesquisam e que, de alguma forma, tenham conhecimento, porque o professor generalista não tem formação para atender. Ele vai atender em sala de aula, mas com apoio e suporte de um professor que possa ajudar a fazer um plano educacional individualizado, que possa orientá-lo a atender esse alunado. Se não, a gente nunca vai ter inclusão de fato”, explica.

Tayná Ferreira

Jornalista formada, apaixonada por contar histórias e dar voz a diferentes realidades. Atua principalmente na produção de reportagens especiais e na cobertura de temas relacionados a segurança pública e cidades. Estudante de Libras e defensora da causa animal. Instagram: @taynafjornalismo

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