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Maricá

Terremoto em Maricá? Entenda os tremores e o que ainda está por vir

Ezequiel Manhães | Publicado em: - Atualizado 4 meses atrás

Terremoto em Maricá. Foto: Farol de Ponta negra

Os tremores registrados recentemente perto de Maricá, na Região Metropolitana do Rio, chamaram a atenção dos moradores e levantaram dúvidas sobre o aumento da frequência dos abalos. Mas, segundo dados oficiais apurados pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e análises do Observatório Nacional (ON) e do Serviço Geológico do Brasil (SGB), os eventos não ocorreram em terra firme do município: os epicentros estão localizados no mar, na plataforma continental do estado do Rio de Janeiro.

Apesar de muitas vezes serem associados a Maricá pela proximidade geográfica, os registros fazem parte de um mesmo contexto geológico da costa fluminense. “Do ponto de vista científico, os eventos que vêm acontecendo estão localizados no mar, na plataforma continental do estado do Rio de Janeiro”, explica o Dr. Gilberto Leite, sismólogo do Observatório Nacional e da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR).

Dependendo da localização do epicentro, um evento pode ser associado a Maricá, Saquarema ou outros municípios da costa fluminense, embora faça parte do mesmo contexto geológico.

Apenas em 2026, a RSBR já registrou 19 eventos sísmicos na plataforma continental, com magnitudes entre 0.9 e 3.3. Nos últimos anos, dezenas de outros tremores foram registrados na plataforma continental entre Maricá, Saquarema e municípios vizinhos, com magnitudes geralmente baixas, como é característico dessa região.

“Por isso, para compreender a sismicidade da região, o mais adequado é considerar o conjunto dos eventos registrados na plataforma continental da costa do Rio de Janeiro, e não apenas aqueles cujo epicentro foi localizado nas proximidades de um município específico”, pontua o Dr. Gilberto Leite.

Tremor mais recente foi registrado a 60 quilômetros de Maricá

A Rede Sismográfica Brasileira, coordenada pelo Observatório Nacional, informou que um tremor de terra de magnitude 3.0 foi registrado na costa do Rio de Janeiro, a cerca de 60 quilômetros do município de Maricá. O evento ocorreu às 17h59 (horário de Brasília) do último sábado (4).

O abalo sísmico de baixa magnitude foi registrado pelas estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e analisado pelo Centro de Sismologia da USP. A RSBR é coordenada pelo Observatório Nacional (ON) com apoio do Serviço Geológico do Brasil (SGB).

De acordo com o sismólogo do ON, Dr. Gilberto Leite, esse tipo de evento é relativamente comum na costa sudeste.

“O Brasil registra pequenos tremores de terra com certa frequência, especialmente devido às tensões tectônicas que atuam na crosta terrestre. Na maioria dos casos, esses abalos têm baixa magnitude e não chegam a ser sentidos. A margem sudeste do Brasil, em particular, é considerada a principal zona sísmica offshore do país, onde pequenos terremotos ocorrem de forma relativamente frequente”, explica.

Entre os dias 26 e 30 de junho foi registrada uma sequência de nove pequenos abalos sísmicos na costa do Rio, próximos a Saquarema. O maior sismo da série alcançou magnitude 2.5.

Antes disso, entre 21 e 22 de maio, houve uma outra série de pequenos tremores também no litoral, próximos a Maricá. O maior evento daquela série alcançou magnitude 3.3. A RSBR disse que não recebeu relatos de pessoas que tenham sentido esses tremores.

Por que os tremores estão mais frequentes?

Terremoto em Maricá
Cidade está inserida em um contexto geológico onde pequenos tremores podem ocorrer naturalmente. Arte: Divulgação

O aumento da percepção de frequência dos tremores está relacionado principalmente ao monitoramento mais amplo e contínuo realizado pelas redes sísmicas. Com equipamentos mais sensíveis e estações distribuídas pelo território nacional, pequenos eventos que antes poderiam passar despercebidos hoje são detectados, analisados e divulgados.

A região próxima ao litoral do Rio de Janeiro possui características geológicas que favorecem a ocorrência desses pequenos abalos. Segundo Gilberto Leite, toda a margem brasileira compreendida entre o Espírito Santo e o Rio Grande do Sul é considerada uma zona sísmica, apresentando atividade sísmica recorrente com epicentros concentrados na plataforma e no talude continental.

“Essa região apresenta principalmente pequenos terremotos, com magnitudes entre 2 e 3, mas tem um histórico de eventos importantes”, esclarece.

O estudioso lembra que no Espírito Santo, próximo a Vitória, houve um evento de magnitude 6.1, em 1955, um dos maiores em território brasileiro. Em 1972, ocorreu um sismo de magnitude 4.8, próximo a Campos/RJ. Outros eventos incluem os sismos de São Vicente/SP (2008, 5.2), Tubarão/SC (1939, 5.5) e Porto Alegre/RS (1990, 5.2).

Vale salientar que o Brasil está no centro de uma placa tectônica, e é caracterizado por uma sismicidade baixa a moderada.

“O que significa que, embora existam registros de eventos de magnitudes consideráveis, eles acontecem com uma frequência muito menor, sendo os pequenos sismos mais frequentes”, pondera o especialista.

Maricá está sujeita a terremotos?

A resposta dos especialistas é sim. Maricá está inserida em um contexto geológico onde pequenos tremores podem ocorrer naturalmente.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) esclarece que os tremores ocorreram na plataforma continental, a cerca de 60 quilômetros de Maricá (RJ). Essa região está inserida em um contexto geológico onde existem falhas na crosta terrestre. Além disso, está no contexto de separação das placas sulamericana e africana.

O acúmulo de tensões tectônicas pode provocar abalos sísmicos, de baixa magnitude, que fazem parte da dinâmica natural da região.

A intensidade dos tremores é baixa e, em geral, não provoca danos estruturais. Em alguns casos, podem ser percebidos pela população, principalmente quando ocorrem mais próximos à superfície.

Comportamento sísmico

Os eventos registrados seguem o padrão observado em outras regiões do estado do Rio de Janeiro. Ou seja, a sequência de pequenos eventos registrada recentemente não representa uma mudança inesperada no comportamento sísmico local.

“Os terremotos seguem o padrão esperado na região, com concentração na plataforma continental, próximos ao talude continental. Além disso, as magnitudes reportadas estão dentro da faixa esperada na região”, pontua.

Como os tremores são detectados?

A identificação de um tremor começa quando os sismógrafos, equipamentos extremamente sensíveis que registram as vibrações do solo, captam as ondas sísmicas do evento.

Quando os dados registrados por várias estações chegam aos servidores, eles são automaticamente processados para gerar a localização, a magnitude e o tempo de origem preliminar para o possível evento.

Depois disso, o evento é confirmado por um sismólogo, que revisa os dados e melhora os parâmetros epicentrais, posteriormente divulgando as informações à sociedade.

No Brasil, esse trabalho é realizado pela Rede Sismográfica Brasileira, composta pelo Observatório Nacional (ON), USP, UFRN e UnB, que monitora continuamente a atividade sísmica no país com o apoio do Serviço Geológico do Brasil (SGB).

É possível prever novos tremores?

Segundo o Observatório Nacional, não é possível antecipar como a atividade sísmica na região vai evoluir, ou seja, se haverá novos eventos, quais serão suas magnitudes ou quando eles irão ocorrer.

No entanto, os eventos registrados recentemente estão dentro da faixa esperada de magnitude, considerando o histórico de eventos nessa região.

A orientação dos órgãos responsáveis é acompanhar os dados oficiais divulgados pela Rede Sismográfica Brasileira e pelos centros de pesquisa, já que pequenos tremores fazem parte da dinâmica natural da crosta terrestre no litoral brasileiro.

Ezequiel Manhães

Jornalista com experiência em hard news e produção audiovisual, tendo como foco reportagens factuais, especiais e conteúdos multimídia. Atua com rapidez, comprometimento e precisão na apuração, tendo como destaques coberturas de temas como política, economia, cidades, segurança pública e comportamento. LinkedIn: @ezequiel-manhães-b073921b3

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