O desabafo da moradora de Niterói Fernanda Ribeiro, de 29 anos, ao descobrir que seus cães foram diagnosticados com dirofilariose canina, a doença conhecida como ‘Verme do Coração’, mobilizou a Secretaria Municipal de Saúde sobre a importância da prevenção e dos cuidados com a doença.
“Quando eu descobri que o Teo estava com dirofilariose eu fiquei emocionalmente muito abalada. Era apenas um exame de rotina”, contou a esteticista, moradora da Região Oceânica, que descobriu a enfermidade em seus cães, durante exames de rotina.
Segundo ela, tudo começou no último dia 9 de julho, quando o cachorro, de 9 anos, passou por exames anuais de acompanhamento. O hemograma apontou plaquetas baixas e marcadores inflamatórios alterados. Diante do resultado, o veterinário solicitou um teste rápido conhecido como 4DX, utilizado para investigar doenças como doença do carrapato e dirofilariose.

“Para a minha surpresa, positivou para filária”, relembrou a tutora.
O resultado chamou ainda mais atenção porque, segundo Fernanda, o pet recebia regularmente o medicamento oral, indicado para prevenção da doença.
“Eu dava todo mês, corretamente, conforme orientação do fabricante. Mas não foi suficiente”, afirmou.
A surpresa aumentou quando a esteticista decidiu testar suas outras duas cadelas que vivem no mesmo ambiente: Ayla, de 5 anos, e Luna, de 8. Ambas também tiveram resultado positivo para dirofilariose.
“Entendi que esse medicamento não seria tão seguro assim quando fui testar minhas outras duas cachorras. Elas também positivaram para a filária. Medicava elas da mesma forma que o Teo. Então confirmamos que precisaríamos mudar a proteção”, disse.
Apesar do diagnóstico, nenhum dos três animais apresentava sintomas.
“Eu só queria mesmo ver como estava a saúde, como prevenção. Eles não tinham sintomas”, contou.

Morando em Itacoatiara, Fernanda diz conviver diariamente com uma grande quantidade de mosquitos.
“Sempre reparamos que aqui apresenta muito mosquito. Chega a ser insuportável. Colocamos aparelhos eletrônicos, borrifadores para afastar, mas não foi suficiente”, relatou.
Segundo ela, foi justamente após entender a forma de transmissão da doença que passou a redobrar os cuidados.
“Entendi que o mosquito pica um animal infectado e sai espalhando para os demais”, explicou.
Após a confirmação da doença, os três cães iniciaram tratamento com antibióticos e anti-inflamatórios. Além disso, a família decidiu substituir a prevenção oral por uma aplicação anual de medicamento.
Fernanda também mudou a rotina dos animais: “Estou evitando deixar os animais dormirem no quintal porque, à noite, os mosquitos estão em maior quantidade. Mesmo eles estando sob medicação, pode acontecer nova infestação. Enquanto houver mosquitos infectados, haverá disseminação da doença”, alertou.
Corrente do bem
Ao compartilhar a experiência nas redes sociais, ela afirma ter recebido diversas mensagens de outros tutores que sequer conheciam a doença.
“Esse é um assunto pouco falado. Recebi muitos relatos de tutores que não faziam ideia dessa doença”, disse.
Ela também chama atenção para outra enfermidade transmitida por insetos.
“Aproveito para chamar atenção sobre a leishmaniose, que também é comum em Niterói”, afirmou.
Depois da experiência, Fernanda decidiu reforçar a proteção dos animais com uma combinação de medidas preventivas.
“Entendi que não basta só a medicação oral ou injetável. Vou precisar utilizar coleiras repelentes e fazer exames com mais frequência, pelo menos a cada seis meses”, explicou.
Na avaliação da tutora, a quantidade de mosquitos aumentou nos últimos anos.
“Eu vejo que aumentou muito, sim, a quantidade de mosquito. A proibição do fumaceiro na região foi algo que fez diferença. No verão a infestação é intensa, mas mesmo no inverno vemos a presença deles. Também fico preocupada com a nossa saúde, porque esses mosquitos podem transmitir dengue”, comentou.
Ela aproveita para fazer um apelo a quem tem animais de estimação.
“Protejam seus pets dando a medicação preventiva para a filária e usem também coleiras repelentes. Sabemos que não temos como garantir a proteção, mas o que pudermos fazer para evitar é importante. Além disso, façam exames de rotina. Vejo muitos tutores negligenciando a saúde do animal. Não é só dar ração e um quintal para correr. Tem que medicar”, reforçou.
Fernanda lembra que a dirofilariose pode passar despercebida durante muito tempo.
“Alguns animais podem não apresentar sintomas. Outros podem ficar extremamente cansados e fracos. Precisamos estar constantemente observando nossos animais”, destacou.
Ao final, ela deixou uma mensagem de esperança para outros tutores que enfrentam a doença.
“Desejo melhoras para todos os animais que estão passando por isso. Que Deus nos capacite a cuidar dos nossos bichinhos e que nos dê recursos financeiros para isso”, concluiu.
Dirofilariose: Verme do Coração
A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que a dirofilariose canina é uma doença causada pelo parasita Dirofilaria immitis, transmitido por mosquitos. No Brasil, ocorre principalmente em regiões litorâneas, como o estado do Rio de Janeiro.
A doença não é de notificação compulsória, portanto, não há uma série histórica de registro de casos.
Segundo a pasta, não há evidências de aumento da circulação desses mosquitos ou de mudança no cenário epidemiológico da doença em Niterói. Até o momento, também não foi observado aumento na procura por orientações ou atendimentos relacionados à dirofilariose em cães.
Dicas de prevenção
A prefeitura informa que o município realiza ações permanentes de controle de vetores, por meio do Centro de Controle de Zoonoses, como eliminação de focos de mosquitos; visitas domiciliares; ações de educação em saúde; entre outras.
Como medida de prevenção, a Secretaria Municipal de Saúde orienta os tutores a manter acompanhamento periódico com médico-veterinário; utilizar medicamentos preventivos e coleiras repelentes, sob orientação profissional; realizar exames preventivos; eliminar recipientes com água parada e manter quintais limpos; utilizar telas e outras barreiras físicas para reduzir a exposição dos animais aos mosquitos.
Fumacê
Em relação ao Fumacê, a ação é prevista pelo Ministério da Saúde e pode ser utilizada em situações epidemiológicas específicas, mediante critérios técnicos da Vigilância em Saúde. Em Niterói, entretanto, a prioridade é a eliminação de criadouros e o manejo ambiental, estratégias consideradas mais eficazes e sustentáveis para o controle da população de mosquitos.
Por fim, a prefeitura esclarece que não procede a informação de que o fumacê tenha sido proibido em razão de mortes de pássaros.