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Foto: Reprodução

Três tartarugas marinhas juvenis da espécie Chelonia mydas, conhecida como tartaruga-verde, foram encontradas mortas na manhã desta quarta-feira (18), na Praia de Boa Viagem, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Segundo relatos de frequentadores, havia grande quantidade de lixo espalhado pela faixa de areia.

O empresário Matheus Bartholo, de 31 anos, registrou a cena em vídeo por volta das 8h e lamentou a situação.

“Queria muito vir falar do treino de hoje, mas cheguei na praia com essa cena deplorável. Três tartarugas mortas e muito lixo. Tristeza”, disse.

Bartholo contou ao ENFOCO que fazia um treino de corrida no calçadão e, em seguida, desceu com o grupo para nadar, como faz regularmente.

“A gente treina corrida ali na parte de cima e nadamos na praia após. Quando cheguei, eu reparei, mas elas estavam meio escondidas. Quase ninguém da equipe tinha visto. Eu sempre nado com elas [tartarugas] tanto na Boa Viagem como em Itaipu. É revoltante ver esses animais mortos. Saí da praia às 9h30 e ainda estavam lá. Algumas pessoas estavam agoniadas por conta da situação e do mau cheiro”, explicou.

A Companhia de Limpeza de Niterói (Clin), responsável pela limpeza urbana da cidade, informou que retirou as tartarugas marinhas da orla ainda na manhã desta quarta-feira (18).

De acordo com a Prefeitura, caso os animais fossem encontrados com vida, o resgate seria feito pela Guarda Ambiental de Niterói, com encaminhamento para tratamento especializado.

Possível causa das mortes

A médica veterinária Daphne Wrobel Goldberg, da Universidade Federal Fluminense (UFF), analisou as imagens e afirmou que, à primeira vista, os animais não apresentavam sinais típicos de morte por ingestão de lixo.

“Esses animais estão com bom escore corporal, aparentemente sadios, então não acredito que tenha sido ingestão de resíduo sólido”, explicou.

Segundo ela, o fato de as três tartarugas terem sido encontradas juntas pode indicar outro tipo de ocorrência.

“Pela condição corpórea e por estarem as três juntas, talvez tenham sido retiradas da mesma rede. Parece mais uma interação com petrecho pesqueiro”, avaliou.

A veterinária detalha que, quando a tartaruga está ativa e se alimentando, pode acabar ficando presa em redes ou outros equipamentos de pesca. “O animal luta para se soltar e pode se afogar, vindo a óbito por falta de oxigênio”, argumenta.

Daphne ressalta que, nos casos de ingestão de lixo, o quadro costuma ser diferente.

“Quando ingerem resíduos, as tartarugas desenvolvem uma debilidade crônica. A morte por acúmulo de lixo no trato gastrointestinal é lenta e dolorosa. O animal emagrece muito, porque não consegue se alimentar ou porque está cheio de resíduos e perde o apetite. Normalmente, nesses casos, ele está bem debilitado e magro, o que não parece ser a situação dessas tartarugas”, ensina.

Ela acrescenta que a área de Niterói integra o Programa de Monitoramento de Praias (PMP) da Bacia de Santos, responsável por atender ocorrências com animais marinhos, por meio do 0800-999-5151. As carcaças, segundo a especialista, são recolhidas e encaminhadas para necrópsia, procedimento que permite identificar oficialmente a causa da morte.

Por meio de nota, o PMP informou que as carcaças ainda serão submetidas ao exame de necropsia, então, neste momento ainda não é possível determinar a causa mortis.

Lixo segue como alerta ambiental

Apesar de não apontar o lixo como causa direta dessas mortes específicas, a veterinária fez um alerta sobre o impacto da poluição na fauna marinha.

“O lixo é uma questão de saúde pública, principalmente após o Carnaval, quando praias e ruas ficam muito sujas e o mar traz muito material. O acúmulo de resíduos não biodegradáveis é, com certeza, um risco muito grande para os animais marinhos”, destacou a médica veterinária Daphne Wrobel Goldberg.

Ezequiel Manhães

Ezequiel Manhães

Jornalista com experiência em hard news e produção audiovisual, tendo como foco reportagens factuais, especiais e conteúdos multimídia. Atua com rapidez, comprometimento e precisão na apuração, tendo como destaques coberturas de temas como política, economia, cidades, segurança pública e comportamento. LinkedIn: @ezequiel-manhães-b073921b3