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Niterói

Terminal de Niterói agoniza sem manutenção e infraestrutura

Redação | Publicado em:

Péricles Cutrim



Pistas esburacadas, rachaduras nos tetos das plataformas de ônibus e infiltrações nas paredes. Essas são apenas algumas das inúmeras reclamações feitas por usuários do Terminal Rodoviário Presidente João Goulart, no Centro de Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Um dos terminais com maior fluxo de pessoas do estado.

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Com os últimos dias chuvosos, quem passa pelo local tem convivido com poças e goteiras, como ocorreu nesta quinta-feira (25). 



O trânsito de coletivos também acaba prejudicado por conta das dificuldades nos trechos que compreendem as plataformas.

 “São muitos buracos, parece que não há uma manutenção periódica. Quando chove fica tudo encharcado, está péssimo”, criticou a estudante de Arquitetura, Júlia Coutinho, de 26 anos.



Quem também reclama das condições do espaço é a cuidadora de idosos Conceição Maria, de 59 anos:






Procurada, a Teroni, atual responsável pela administração do terminal, lamentou os transtornos que o excesso de chuvas está causando aos usuários. 

Sobre as más condições em trechos das pistas de rolamento, afirma “que a manutenção é realizada mensalmente, o que não impede a ocorrência de intervenções, até mesmo semanais, desde que verificada sua necessidade.”

A operação tapa buraco, de acordo com a Teroni, tem como objetivo manter as pistas na condição ideal para suportar o trânsito de veículos, bem como evitar danos aos equipamentos dos ônibus. O que tem ocorrido, no entanto, é a impossibilidade de um cronograma rígido em função do altíssimo nível pluviométrico registrado nesta cidade”, acrescenta.

Segundo a empresa, as constantes chuvas provocam o descolamento da camada asfáltica e impedem a recuperação das vias no tempo desejado. Além disso, os serviços são executados com a colocação do CBUQ (concreto betuminoso usinado a quente), que como a própria denominação indica, em tempo seco.

“Quanto às infiltrações e goteiras cabe-nos informar que o intenso tráfego diário de ônibus no Terminal provoca uma significativa vibração no prédio fazendo sua estrutura trabalhar por cerca de 24 horas ao dia. Esta situação obriga-nos a uma manutenção periódica, como a que estamos praticando agora com a supervisão e colaboração da SUTEN, para eliminar as fissuras causadoras dos problemas”, diz.

A Teroni enfatiza que “não são poupados esforços nem despesas com a impermeabilização periódica das coberturas da gare e das plataformas. Há também a considerar a própria concepção arquitetônica do Terminal, que abriga as chamadas ‘piscinas’ sobre as plataformas, que concorrem para o aparecimento de infiltrações indesejáveis. A cumeeira, ao longo de toda a gare, foi idealizada como uma chaminé, vazada por ambos os lados, o que permite a entrada da chuva, quando acompanhada de vento. Embora isto não justifique, pelo menos explica a situação.”

Quanto à situação dos banheiros, a administração do Terminal afirma que são incansáveis os procedimentos em tentar mantê-los na condição ideal para uso.

“Neste segmento temos que, lamentavelmente, enfrentar problemas causados por uma pequena parcela de usuários que vandalizam os equipamentos ou que ignoram os comportamentos adequados para o uso dessas instalações. Nossos relatórios diários comprovam nossas constatações, pois a manutenção é requisitada praticamente todos dias da semana”.

Sobre os climatizadores, a Teroni conta que foram revitalizados e permanecem ligados por mais tempo, a fim de tornar a sensação térmica menos desconfortável, “mas enfrentam a situação de se tratar de ambiente totalmente aberto, o que impede uma melhor performance.”

Quanto à iluminação, “nada melhor do que registrar que, há pouco menos de um mês, inauguramos a substituição dos equipamentos anteriores por lâmpadas de LED, colocadas nos postes sobre as pistas de rolamento, conferindo maior segurança e beleza ao local”, finaliza.

Acidentes

Dados divulgados pelo Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) mostram que, em 10 anos, ocorreram nove atropelamentos com quatro mortes dentro do Terminal João Goulart.

No local, conforme as placas informativas, é proibida a travessia de pedestres entre as plataformas. O caso mais recente foi registrado no dia 26 de junho de 2023.

A vítima fatal foi um idoso de 69 anos. Todas as vítimas que morreram no período analisado tinham mais de 65 anos, conforme aponta o sindicato. 

O Terminal Rodoviário João Goulart foi projetado pelo arquiteto João Sampaio e fundado em agosto de 1994, no próximo ano o espaço completa 30 anos. No local circulam ônibus municipais e intermunicipais.

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