Parte do teto do Colégio Estadual Matemático Joaquim Gomes de Sousa — Intercultural Brasil-China, em Charitas, na Zona Sul de Niterói, desabou e chamou atenção para problemas estruturais da unidade. O incidente ocorreu no refeitório durante forte chuva, segundo relatos de alunos.
A situação foi levada às redes sociais pelo grêmio estudantil, que publicou imagens e denúncias sobre as condições do prédio no dia 11 de março. De acordo com os estudantes, não é a primeira vez que isso acontece. Desde 2023, uma parte da escola segue interditada após o teto ceder durante uma forte chuva.
Os alunos também apontam que espaços importantes estão fora de funcionamento, como um laboratório que permanece fechado, prejudicando atividades pedagógicas. Ainda segundo o grêmio, intervenções chegaram a ser iniciadas no local, mas não foram concluídas.
Outros problemas relatados incluem a ausência de quadra esportiva e uma piscina que nunca foi utilizada desde a inauguração da escola, em 2015. A unidade funciona em um prédio antigo e atende estudantes em regime de ensino integral, com foco em disciplinas como matemática, física, química, além de aulas de mandarim e inglês.
Apesar das dificuldades, a escola apresenta bom desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), resultado atribuído por alunos ao trabalho de professores e ao esforço coletivo. A unidade também mantém parceria com uma universidade chinesa, que oferece possibilidade de intercâmbio aos estudantes ao fim do curso.
Merenda
As queixas, no entanto, não se limitam à estrutura. Responsáveis também criticam a alimentação oferecida aos alunos. Segundo a mãe de um estudante do 2º ano, o valor diário destinado à merenda é insuficiente para atender a rotina de tempo integral.
De acordo com ela, o total de R$ 4,13 por aluno por dia (somando repasses estaduais e federais) precisa cobrir três lanches e uma refeição. Com cerca de 215 alunos matriculados, o valor impacta diretamente na qualidade e variedade do cardápio.
Além do teto
A responsável também relata problemas nas salas de aula, como falta de luz, tomadas que não funcionam, ausência de ar-condicionado e presença de mofo, o que, segundo ela, tem provocado problemas respiratórios em estudantes. Ela afirma ainda que houve dificuldades no acesso a materiais didáticos, com entrega de livros antigos no ano passado e ausência de novos exemplares neste ano.
Diante da situação, estudantes passaram a mobilizar a comunidade escolar e pedem que as denúncias sejam compartilhadas para ampliar a visibilidade do caso. A cobrança é para que obras sejam retomadas e que a unidade tenha condições adequadas de funcionamento.
O que diz a Secretaria de Educação
Procurada, a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc) informou que “a unidade vem passando por reformas para melhorias e adequações de infraestrutura, inclusive o telhado já foi trocado”.
A pasta acrescentou que “outras intervenções serão realizadas. As áreas que não oferecem estrutura adequada estão isoladas para que não haja circulação de estudantes e funcionários”, finaliza a nota.