Faltando poucos dias para a Copa do Mundo, o clima de torcida já começa a movimentar o comércio na Região Metropolitana do Rio. Se antes a camisa da Seleção Brasileira era praticamente o único símbolo da paixão pelo futebol, agora brincos, tiaras, pulseiras, copos personalizados, bandeiras e outros acessórios temáticos ganham espaço entre consumidores que querem entrar no clima dos jogos de forma criativa, e ajudam a aquecer as vendas de pequenos negócios.
A jornalista Jeimylee Viana, de 30 anos, é uma das torcedoras que já começou os preparativos para acompanhar a competição. Moradora do Barreto, em Niterói, ela pretende reunir amigos e familiares para acompanhar cada passo do time de Carlos Ancelotti.
“Esse ano já garanti algumas coisinhas para assistir aos jogos, porque para mim faz parte da diversão. O que não pode faltar é a camisa da Seleção, alguns acessórios nas cores do Brasil e reunir amigos, minha mãe e meu namorado”, conta.
Clima de arquibancada



Jeimylee diz que a decoração também faz parte da experiência. “Já estamos nos organizando para colocar bandeiras, alguns enfeites e deixar tudo no clima dos jogos. Isso cria uma expectativa muito boa antes das partidas. Aqui em casa fazem sucesso aquelas bandeirinhas pequenas, tiaras, brincos e copos temáticos”, diz.
A forma mais divertida que ela encontrou para torcer foi transformar os dias de jogo em verdadeiros eventos, com decoração, comidas temáticas, bolão e todo mundo vestido de verde e amarelo.
“Independente do resultado, acaba sendo um momento muito legal, onde todo mundo se diverte muito e fica mais unido”, finaliza ela.
Quando a torcida vira negócio
De olho nesse movimento, empreendedores da região têm investido em produtos personalizados para atrair consumidores. A instrutora de robótica e empreendedora Luciana de Vellasco Cardoso, de 33 anos, por exemplo, criou uma coleção de brincos inspirada na Copa e em símbolos tipicamente brasileiros. A média de preços varia entre R$ 20 e R$ 30.
“Como a Copa do Mundo reúne pessoas de diferentes países, quis criar uma coleção que representasse um pouco da essência do Brasil”, explica. Entre as peças estão releituras de itens como filtro de barro, chinelo, cadeira de bar, vira-lata caramelo, brigadeiro, orelhão e arara.

Segundo ela, datas como a Copa representam uma oportunidade importante para quem trabalha com economia criativa. “É uma chance de mostrar nossa criatividade, alcançar novos públicos e fortalecer a conexão com os clientes”, pontua.
Boa parte das peças é produzida com impressão 3D e acabamento manual. Luciana afirma que a tecnologia ampliou as possibilidades de criação e personalização. Um dos destaques da coleção é um brinco em formato de camisa da Seleção que pode receber o nome e o número escolhidos pelo cliente.
Copa também é oportunidade
A expectativa do mercado é positiva. De acordo com Marcelo Fiorini, diretor de Produto e Atendimento do Sebrae Rio, o período da Copa costuma impulsionar diversos segmentos além do esporte.
“Com consumidores cada vez mais digitais, sociáveis e móveis, o hábito de assistir aos jogos evoluiu para uma experiência que combina convivência, consumo em tempo real, promoções temáticas e compras por impulso. Nesse contexto, pequenos negócios podem se destacar ao oferecer conveniência, experiências conectadas ao momento e comunicação alinhada ao clima do futebol”, afirma.
Os setores que devem faturar mais
Entre os setores com maior potencial de crescimento, conforme especialistas, estão alimentação, bebidas, delivery, moda, acessórios, eletrônicos, hospitalidade, entretenimento, turismo e produção de conteúdo digital.
Nem tudo vale na hora de vender
O especialista faz um alerta, porém, para os empreendedores que pretendem surfar na onda da competição. Segundo ele, a FIFA possui proteção legal sobre nomes, símbolos e expressões oficiais da Copa do Mundo. Por isso, o ideal é que as campanhas apostem em referências genéricas ao futebol, à torcida e à confraternização, evitando o uso comercial indevido da marca do torneio.
“Ao conectar emoção, cultura e entretenimento, o dono de um negócio pode aproveitar esse evento como um catalisador de engajamento, inovação e crescimento”, conclui Fiorini.