Mesmo com restrições sinalizadas por placas, motoristas de veículos pesados seguem trafegando pela rodovia RJ-102, a conhecida “Serrinha”, que liga Niterói a Maricá. A irregularidade, que oferece risco para o próprio infrator e outros condutores, também pode resultar na interdição da via devido aos obstáculos naturais do trecho.
Denúncias apontam que as infrações transformam a rodovia em uma verdadeira “roleta-russa” para quem precisa fazer a travessia. A estrada possui trechos sinuosos, curvas fechadas, pista estreita e aclives acentuados, o que torna inadequada a circulação de veículos pesados. Moradores e motoristas se queixam de que o tráfego irregular ocorre com frequência, em diferentes horários, sem qualquer tipo de controle efetivo.
No último dia 26 de março, um caminhão tombou na subida da Serrinha, no sentido Maricá. O trânsito ficou interrompido por horas, nos dois sentidos da pista, devido às dificuldades de manobra para a retirada do veículo. Quatro dias depois, outro acidente: o motorista de um caminhão-baú que descia no sentido Niterói perdeu o controle e atingiu uma árvore. Segundo o Corpo de Bombeiros, o condutor sofreu ferimentos leves, mas o trânsito precisou ser completamente interditado.
Infração que provoca insegurança
De acordo com motoristas ouvidos pelo ENFOCO, há um medo constante ao trafegar pelo local. “Ainda mais na subida de lá para cá, porque é mais inclinado. Tem uma parte ali que é bem complicada. O caminhão pode voltar de repente enquanto estamos atrás, né?”, explica um motorista de aplicativo que preferiu ter a identidade preservada.
Fabiano Coelho, também motorista de aplicativo, utiliza a Serrinha diariamente e confirma que os acidentes são constantes. “Tem um acidente por semana ali. Só na semana passada foram dois”, afirma. Bruno Neves relata episódios de perigo e irresponsabilidade: “Um caminhão cheio de piso e caixas d’água virou ali e ficou interditado o tempo todo. Só foi liberado quase às 22h”.


Muitos acreditam que os motoristas de carga desconhecem a proibição, apesar da sinalização. “Eu acho que esses caminhões que sobem não conhecem o trecho. Agora tem uma placa ali, mas acho que eles não imaginam que o caminho seja tão íngreme”, comenta Bruno.
Fiscalização na Serrinha
O local possui diversas placas alertando para a proibição de ônibus e caminhões. Segundo motociclistas, há patrulhamento durante o dia, mas a madrugada é crítica. “Todo dia tem caminhão que sobe e desce de madrugada. Tem um que entrega verduras em Maricá diariamente; ele sobe às 4h30 da manhã e desce logo depois”, explica um morador. Nem o aviso de videomonitoramento parece intimidar os infratores.

Nem a placa com a sinalização informando que o trecho é fiscalizado por videomonitoramento parece intimidar os infratores.
Durante a reportagem, pelo menos dois caminhões foram flagrados realizando a travessia proibida. No mirante de Itaipuaçu, uma viatura do Programa Estadual de Integração na Segurança (PROEIS) estava presente, mas não realizou abordagens.
De acordo com a Polícia Militar, o comando do 12º BPM (Niterói) tem realizado ações pontuais de intensificação do policiamento na região da Serra da Tiririca, com o objetivo de coibir irregularidades e reforçar a segurança viária.
A Polícia Militar informou que realiza ações pontuais na Serra da Tiririca para coibir irregularidades. A corporação destacou o apoio do PROEIS em Maricá e afirmou estar à disposição para atuar de forma integrada com outros órgãos.
De quem é a responsabilidade?
O impasse sobre a responsabilidade do trecho persiste. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) esclareceu que, embora a RJ-102 seja uma rodovia estadual, o trecho em questão é de responsabilidade das administrações municipais. As prefeituras, por sua vez, reforçam que o papel de fiscalização pertence ao Estado e suas forças de segurança.