As araras-canindés Fernanda, Fátima e Sueli finalmente ganharam liberdade no Parque Nacional da Tijuca. Elas não estão voltando apenas para voar: vão ajudar a restaurar a Mata Atlântica do Rio e inspirar toda a cidade a cuidar da natureza.
As aves chegaram ao Rio em junho de 2025, vindas do Parque Três Pescadores (SP), e passaram sete meses em aclimatação. Durante esse período, ganharam musculatura, aprenderam a evitar humanos e a reconhecer os frutos da floresta. Até a jabuticaba, fruta nativa da Mata Atlântica, se tornou favorita do trio.
“O planejamento começou em 2018 e exigiu uma dedicação enorme da equipe. Desejamos que as araras se adaptem bem e que os moradores e visitantes tenham, no futuro próximo, a oportunidade de avistar essas aves maravilhosas colorindo o céu da cidade”, diz Lara Renzeti, bióloga do Refauna.
O projeto é liderado pelo Refauna, uma Organização da Sociedade Civil (OSC) brasileira, com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e de diversos parceiros. Para monitorar as araras em vida livre, cada ave recebeu anilhas, microchips e colares de identificação. A sociedade também pode ajudar, enviando avistamentos pelo Instagram do Refauna, WhatsApp ou pelo app gratuito SISS-Geo, fortalecendo a chamada Ciência Cidadã.
Uma quarta arara, Selton, ainda aguarda para ser liberada, pois precisa completar a troca de penas antes de voar com segurança. E até 2026, mais araras devem se juntar ao grupo, abrindo caminho para reprodução e consolidação da espécie na Mata Atlântica do Rio.
“Esse momento é esperado há mais de 200 anos. Elas são agora as araras do Rio, dos cariocas e de todos os brasileiros”, afirma Viviane Lasmar, do ICMBio.
A reintrodução das araras-canindés não é só simbólica: restaurar a fauna é restaurar a floresta, já que cerca de 90% das plantas da Mata Atlântica dependem de animais para dispersar sementes. Com isso, o projeto ajuda a combater a defaunação e fortalecer os ecossistemas urbanos e protegidos.