Skip to content

Rio

Governo do Rio acaba com secretaria após suspeitas em contratos de R$ 115 milhões

Redação | Publicado em: - Atualizado 2 meses atrás

A medida faz parte de uma reestruturação administrativa do Estado/Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Governo do Rio de Janeiro extinguiu a Secretaria Intergeracional de Juventude e Envelhecimento Saudável (Seijes) após uma auditoria apontar suspeitas de irregularidades em contratos que somam cerca de R$ 115 milhões. O decreto foi publicado nesta segunda-feira (17) no Diário Oficial e também determina a exoneração de 35 servidores, incluindo a então secretária da pasta, Isabela Alves.

A medida faz parte de uma reestruturação administrativa do Estado e ocorre após a identificação de possíveis irregularidades na contratação de duas organizações não governamentais responsáveis pela execução do Projeto 60+ Reabilita entre 2023 e 2026.

Com a extinção da secretaria, as atribuições da pasta serão transferidas para a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. As funções desempenhadas pela Seijes serão incorporadas à nova estrutura por meio de subsecretarias.

Por determinação do governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, os repasses financeiros ao Projeto 60+ Reabilita foram suspensos cautelarmente. Os serviços de assistência aos idosos, no entanto, deverão continuar durante a análise técnica, que será realizada pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos no prazo de 30 dias.

Outro programa que teve os recursos interrompidos preventivamente foi o Conecta CRJ, voltado à oferta de cursos gratuitos de qualificação profissional para jovens de 15 a 29 anos. O projeto também é alvo de uma auditoria, com prazo de 60 dias para conclusão.

Auditoria aponta possíveis irregularidades

A apuração conduzida pela Secretaria de Estado da Casa Civil analisou contratos firmados com o Instituto Novas Atitudes Transformam o Amanhã (Instituto Nata) e o Centro de Pesquisas e de Ações Sociais e Culturais (ONG Contato). De acordo com o relatório, foram identificados indícios de superfaturamento, direcionamento de contratos, conflitos de interesse e possíveis desvios de recursos públicos.

As duas organizações receberam, juntas, aproximadamente R$ 115 milhões dos cofres estaduais para a execução do Projeto 60+ Reabilita.

Entre os pontos questionados pelos auditores está a ausência de chamamento público, procedimento que permitiria a participação de outras organizações. Segundo o relatório, a justificativa apresentada para a dispensa não seria compatível com as características do projeto, o que levantou suspeitas de direcionamento na contratação.

A execução do programa também foi considerada abaixo do previsto. O projeto estabelecia a criação de 100 polos de atendimento para cada uma das organizações. Entretanto, seis meses após o início das atividades, menos da metade das unidades previstas para o Instituto Nata estava em funcionamento.

Mesmo com a baixa execução, o contrato do Instituto Nata recebeu um aditivo de 25%, no valor de R$ 5 milhões, para a criação de novos polos.

Os auditores também apontaram que os planos de trabalho não apresentavam memória de cálculo, estudos de dimensionamento ou justificativas técnicas suficientes para a estrutura administrativa proposta. Para a auditoria, os valores adotados não seriam compatíveis com a demanda real do projeto, reforçando os indícios de possível superfaturamento.

Outro ponto destacado foi a existência de estruturas semelhantes nas duas organizações, incluindo cargos de direção, equipes administrativas, assessorias e despesas operacionais. A identificação dos profissionais envolvidos também foi considerada insuficiente, já que a relação apresentava apenas o nome e a função dos contratados, sem dados como CPF, matrícula, tipo de vínculo, período de atuação ou carga horária.

Projeto ficou concentrado na capital

O Projeto 60+ Reabilita tinha como objetivo atender os 92 municípios do estado. No entanto, segundo a auditoria, as atividades ficaram concentradas principalmente em determinadas regiões da capital.

O relatório identificou 41 polos em funcionamento na Zona Norte, 39 na Zona Oeste, 18 em endereços da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá e apenas dois na Zona Sul. A auditoria apontou ainda que, durante os três anos de execução, o programa não chegou aos municípios da Região Metropolitana.

Diante dos indícios de possíveis irregularidades, problemas na execução dos contratos e suspeitas de conflito de interesses, os auditores recomendaram a suspensão imediata dos repasses e a abertura de uma Tomada de Contas para aprofundar as investigações.

Notícias Relacionadas

Últimas Notícias

Cachorro é resgatado cinco dias após desabamento que deixou dois feridos em Niterói
Niterói

Cachorro é resgatado cinco dias após desabamento que deixou dois feridos em Niterói

Filho revela quando Carlos Alberto de Nóbrega deve deixar hospital após cirurgia no coração
Celebridades

Filho revela quando Carlos Alberto de Nóbrega deve deixar hospital após cirurgia no coração

Rei dos Batidos
Segurança Pública

Quem é o ‘Rei dos Batidos’? Famoso influenciador preso em Niterói

Criminoso morre em troca de tiros com PMs em São Gonçalo
Segurança Pública

Criminoso morre durante troca de tiros com PMs em São Gonçalo