Skip to content

Rio

Guarda Municipal armada vai começar a atuar no Rio

André Silva |

Icone do Whatsapp Compartilhe no Whatsapp!
Primeira fase prevê 600 agentes da divisão de elite em áreas com maior incidência de roubos e furtos - Foto: Divulgação / Prefeitura do Rio / Beth Santos

A Prefeitura do Rio apresentou nesta quarta-feira (4) o modelo operacional da Força Municipal, novo grupamento armado vinculado à Divisão de Elite da Guarda Municipal (GM-Rio), que deve começar a atuar nas ruas da cidade a partir de março. A iniciativa prevê patrulhamento em regiões estratégicas definidas com base em análises de criminalidade e o uso de armamento letal apenas em situações extremas, segundo o município.

Na fase inicial, 600 agentes vão atuar em pontos da Zona Sul, Zona Norte e Zona Oeste, com bases no Leblon, em Piedade e em Campo Grande. O efetivo contará com pistolas calibre 9 milímetros, equipamentos de menor potencial ofensivo e câmeras corporais de uso obrigatório durante o serviço.

De acordo com a prefeitura, o planejamento do patrulhamento foi elaborado a partir do mapeamento de áreas com maior incidência de roubos e furtos. A atuação será preventiva e ostensiva, com apoio de viaturas, motocicletas e equipes a pé, sempre em duplas ou trios.

Os agentes utilizarão pistolas com capacidade para 15 disparos por carregador, além de dois carregadores reserva. O protocolo prevê que o uso de armas de fogo seja restrito a situações de último recurso, priorizando instrumentos como spray de pimenta, gás lacrimogêneo, tonfas e armas de choque.

Segundo o prefeito Eduardo Paes, a criação da Força Municipal não substitui as atribuições das polícias Civil e Militar, mas busca complementar o trabalho de segurança pública na cidade.

“A ideia é reforçar o combate a crimes como roubos e furtos e, ao mesmo tempo, permitir que a Polícia Militar concentre esforços em ações mais complexas, como a retomada de territórios dominados pelo crime”, afirmou.

Eduardo Paes
Prefeitura afirma que armas de fogo serão usadas apenas em último caso – Foto: Enrik Monteiro

A estrutura operacional inclui 118 veículos, entre pick-ups, motocicletas e vans, destinados ao patrulhamento preventivo. O trabalho será monitorado em tempo real por sistemas integrados ao Centro de Operações e Resiliência (COR), que funciona 24 horas por dia.

Para o diretor-geral da Divisão de Elite da GM-Rio, Breno Carnevale, o uso de câmeras corporais é um dos pilares do projeto. Segundo ele, o equipamento será indispensável para garantir transparência e segurança tanto para os agentes quanto para a população.

“A câmera protege o guarda, ajuda na produção de provas em flagrantes e contribui para prevenir desvios de conduta. O equipamento pode ser acionado pelo próprio agente ou pelo supervisor, e há um botão de emergência que ativa automaticamente o modo de ocorrência”, explicou.

Academia

A primeira equipe de 600 agentes se formou na academia inaugurada em Irajá, na Zona Norte do Rio. A Prefeitura inaugurou em setembro de 2025, o espaço para Formação de Agentes da Divisão de Elite da Guarda Municipal / Força Municipal, instalada dentro da sede da Superintendência da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Construída pelo município, a unidade ocupa uma área de 3.600 metros quadrados e foi projetada para oferecer treinamento contínuo e especializado. O espaço conta com 12 salas de aula, cinco dojôs, vestiários, refeitórios e um estande de tiro de última geração.

O objetivo da academia é preparar agentes que atuarão exclusivamente no enfrentamento de crimes como roubos e furtos em regiões com maior número de registros dessas ocorrências. O curso de formação tem carga horária de 440 horas e inclui disciplinas como armamento e tiro, técnicas de abordagem, defesa policial, gerenciamento de crises e uso de câmeras corporais.

As aulas são ministradas por instrutores da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e da PRF, além de módulos complementares oferecidos pela prefeitura em parceria com o Instituto Leme. A previsão é que a primeira turma conclua a formação na primeira semana de novembro.

Guarda armada

A atuação armada da Divisão de Elite da Guarda Municipal foi regulamentada após a aprovação de um projeto de lei enviado pelo prefeito Eduardo Paes à Câmara Municipal. A proposta foi aprovada em junho de 2025 por 34 votos a 14.

O texto autoriza o porte funcional de arma de fogo e define que a força especial deverá realizar policiamento ostensivo, preventivo e comunitário, além de garantir a proteção de bens, serviços e instalações públicas.

Com a regulamentação, a remuneração dos agentes, considerando salário base e gratificações por risco e uso de armamento, deve chegar a cerca de R$ 13 mil. Atualmente, apenas Rio de Janeiro e Recife ainda não contam com guardas municipais armados entre as capitais brasileiras, cenário que será alterado com a sanção da nova legislação.

Icone do Whatsapp Compartilhe no Whatsapp!
André Silva

André Silva

Bastante ativo na cobertura cultural, ja foi contemplado com o Prêmio Themis de Jornalismo, concedido pelo TJRS. Além da cultura, caminha por várias editorias, inclusive em cobertura de eventos internacionais, como a Cúpula do G20 e o encontro dos Brics.