O Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, iniciou a reabertura gradual nesta sexta-feira (16), após permanecer fechado por cerca de duas semanas em razão de um incêndio de grandes proporções no subsolo, ocorrido no dia 2, que resultou na morte do chefe de segurança Anderson Aguiar, de 43 anos, e da brigadista Emellyn Silvia Aguiar Menezes, de 26, além de deixar três pessoas feridas.
A liberação para funcionamento foi concedida pelo Corpo de Bombeiros após vistorias no local. Segundo a administração do shopping, todos os sistemas e estruturas passaram por revisões para garantir a segurança do público. No entanto, o subsolo (L0) e parte do primeiro piso (L1), que abrange 14 lojas acima da Bell’Art, seguem interditados pela Defesa Civil. Pelo menos uma escada rolante permanece fora de operação, e equipes de manutenção ainda circulam pelo espaço.
Com a reabertura, lojistas e funcionários começaram a retomar as atividades, embora alguns estabelecimentos continuem fechados. Equipes da Subprefeitura da Grande Tijuca acompanharam o processo desde as primeiras horas do dia. De acordo com o subprefeito Higor Gomes, todas as exigências estabelecidas para a retomada do funcionamento foram atendidas.
A Polícia Civil continua investigando possíveis falhas nos protocolos de segurança do shopping, incluindo o funcionamento do sistema de hidrantes e o tempo de resposta da brigada de incêndio.
Entenda o caso
O incêndio teve início em 2 de janeiro, em uma loja de artigos de decoração localizada no subsolo do shopping. Duas pessoas morreram e outras três ficaram feridas. No momento do ocorrido, mais de 7 mil pessoas estavam no local. No dia seguinte, bombeiros precisaram utilizar um helicóptero para acessar áreas atingidas, devido à dificuldade de entrada por terra causada pela intensa fumaça.
Mesmo após 48 horas, equipes do Corpo de Bombeiros ainda atuavam no rescaldo das chamas. Segundo a corporação, o fogo começou em um ponto de difícil acesso, o que provocou grande concentração de fumaça no interior do prédio e exigiu uma operação técnica especializada. Durante a interdição, muitos clientes tiveram que deixar pertences para trás e não conseguiram retirar veículos do estacionamento.
O incêndio também provocou um comprometimento estrutural no piso do térreo, exatamente acima da loja onde o fogo começou, levando à interdição total do subsolo pela Defesa Civil Municipal. A investigação está a cargo da 19ª DP (Tijuca). O calor intenso no local chegou a dificultar o trabalho da perícia, mesmo dias após o controle das chamas.
Em depoimento, o diretor de operações da brigada afirmou que houve falha no sistema de alarme da loja, que seria fundamental para alertar a segurança sobre a presença de fumaça. Um supervisor do estabelecimento relatou ainda que o hidrante estava sem água, obrigando a equipe a utilizar equipamentos de um quiosque vizinho. Ele também afirmou que os primeiros agentes de segurança chegaram ao local cerca de sete minutos após o alerta e a evacuação.
Imagens das câmeras de segurança registraram os últimos momentos do chefe de segurança, que retornou à loja em chamas na tentativa de resgatar duas brigadistas. Anderson foi retirado do local em uma maca, utilizando máscara de oxigênio, com a roupa coberta de fuligem. Ele chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu. A brigadista Emellyn também morreu após inalar fumaça tóxica no subsolo.