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São Gonçalo

‘Encontrar o Papai do Céu’: ex-padre que incentivava morte dos enteados é condenado em São Gonçalo

Redação | Publicado em:

Ex-padre é condenado a 48 anos de prisão por abusos contra enteados em São Gonçalo
Réu foi considerado culpado por tortura, estupro de vulnerável, envio de material pornográfico a criança e por incentivar vítima a tirar a própria vida - Foto: Divulgação / Polícia Civil

Um ex-padre foi condenado a mais de 48 anos de prisão por crimes cometidos contra dois enteados em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. A sentença contra o padrasto foi dada pelo Tribunal do Júri da 4ª Vara Criminal do município, após os jurados aceitarem as acusações apresentadas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

A pena aplicada foi de 48 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão. O ex-religioso foi considerado culpado por tortura, instigação ao suicídio, estupro de vulnerável e fornecimento de material pornográfico a uma criança com finalidade libidinosa.

Segundo a denúncia do MPRJ, os crimes ocorreram entre outubro de 2020 e maio de 2021, quando o homem morava com a companheira, os dois enteados e uma filha do casal. Durante esse período, as vítimas teriam sido submetidas a agressões físicas, violência psicológica e abusos sexuais dentro da própria casa.

Um dos episódios mais graves apontados durante o julgamento envolveu a acusação de que o ex-padre teria incentivado uma das crianças a tirar a própria vida. De acordo com o Ministério Público, o menino era colocado de castigo em um terraço sem proteção e era estimulado pelo padrasto a se jogar do local, sob a promessa de que encontraria “Papai do Céu” e ficaria feliz.

Para os jurados, o réu teria se aproveitado da fragilidade da vítima para induzi-la a cometer um ato contra a própria vida.

As investigações começaram depois que uma das crianças apresentou mudanças no comportamento e precisou de atendimento especializado. Inicialmente, ela chegou a receber um diagnóstico de esquizofrenia, mas uma avaliação posterior feita por uma equipe multidisciplinar apontou que os sinais apresentados estavam relacionados aos episódios de violência sofridos.

“Os abusos foram tão intensos que o filho mais novo, na época com 6 anos, contou à mãe que ouvia vozes que diziam para ele se matar. Ele precisou passar por tratamento psiquiátrico, que dura até hoje, e foi diagnosticado com um quadro de esquizofrenia”, disse o delegado à época.

Após os relatos dos abusos, o MPRJ incluiu novas acusações no processo, entre elas os crimes de violência sexual, fornecimento de conteúdo pornográfico e instigação ao suicídio. O Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese da acusação.

Ameaça de morte

Antes da condenação pelo Tribunal do Júri, o ex-padre já havia sido preso, em 2023, por descumprir medidas protetivas determinadas pela Justiça contra a ex-esposa. Ele era investigado por denúncias de violência física, psicológica e sexual, além de ameaças constantes de morte contra a vítima.

Segundo as investigações, o homem teria violado a ordem judicial em diversas ocasiões. Em uma das situações, ele foi flagrado por câmeras de segurança enquanto rondava a casa da ex-companheira, mesmo estando proibido de se aproximar dela.

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