Ônibus lotados, atrasos e descaso com passageiros. Essa é a rotina enfrentada por quem depende das linhas intermunicipais 445M e 446M de São Gonçalo para Niterói.
Mesmo com o crescimento populacional da região, usuários afirmam que o serviço não acompanhou a demanda e reclamam de longos intervalos, superlotação e dificuldades ainda maiores aos finais de semana e feriados.
As linhas fazem o trajeto entre o Engenho Pequeno, em São Gonçalo, e Terminal João Goulart, em Niterói – sendo a 446 via Mentor Couto, e seguem como uma das principais opções de transporte para milhares de passageiros.
Entre os moradores, a sensação é de abandono e desgaste diário.
“Eu pego eles um dia sim e outro não e demora bastante. Você fica plantada esperando o ônibus vir. Sai um e depois pra chegar outro demora demais. E ele não tem um horário certo, às vezes é pra passar em um horário e passa em outro. Eu moro há pouco tempo no Engenho Pequeno e já sofro, imagina quem mora há anos e continua assim. Sem mudar nada?”, questiona a moradora Elisângela Abreu.
Rotina alterada
A demora também obriga passageiros a mudarem completamente a rotina para evitar atrasos. “Para ir ao médico, tenho que sair de casa bem mais cedo para não chegar atrasada. Haja paciência”, relata a moradora Rosa Pepe.
Piora no horário de rush
Nos horários de pico, principalmente entre 6h e 8h, e no fim da tarde, por volta das 17h, o cenário se torna ainda mais caótico. Pontos cheios e ônibus congestionados fazem parte do cotidiano de quem precisa seguir em direção a Niterói ou retornar a São Gonçalo.
“É ônibus lotado até a catraca”, resume o eletricista Fernando Ribeiro.
Segundo os passageiros, o problema é antigo e nunca foi resolvido. “Já tem anos que é assim e nada muda”, afirma Rosa.

A situação, segundo os relatos, piora drasticamente aos sábados, domingos e feriados, quando os intervalos aumentam ainda mais e, em alguns momentos, os coletivos sequer aparecem.
“É um inferno. É um sofrimento sempre. Já teve fim de semana que eu fui ao Barreto, um sábado, tive que mandar meu marido me buscar. Não passava nada. Aí ele foi me buscar e nós viemos para casa. Não tinha subido nenhum ônibus sábado e domingo. Isso já é de anos”, relata Rosa Pepe.
O passageiro Vicente Paz reforça as reclamações: “Agora, domingo e feriado, você chega aqui e precisa ter muita paciência até o ônibus chegar. Muita paciência, porque ele demora muito”.
Horários errados
Apesar de aplicativos de monitoramento apontarem intervalo médio entre 30 e 45 minutos, moradores afirmam que a espera costuma ser muito maior em diversos pontos do trajeto.
Diante da situação, usuários defendem a criação de outra linha ou reforço de horários no mesmo percurso para aumentar a oferta de ônibus e melhorar o serviço.
“Essa linha aqui, como não tem concorrência, fica à vontade. Só coloca ônibus na hora que quer, porque o empresário não quer perder, né? O empresário só pensa no lucro, no bolso dele. É normal, né?”, questiona o aposentado Vicente.



As reclamações também se repetem em outros bairros. Em frente a um dos pontos, o dono de um bar aproveitou os atrasos constantes para angariar clientes e colocou cadeiras para amenizar o sofrimento dos passageiros. “Só um banquinho mesmo para ajudar”, conta Rosa
O que diz a empresa
Procurada, a empresa responsável pelas linhas, a Viação Galo Branco, informou que ‘está cumprindo regularmente o seu quadro de horários determinado pelo Detro-RJ [Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro] para as linhas 445 e 446’.
A empresa também afirmou que fatores externos, como problemas de segurança pública ‘muito comuns na região do Engenho Pequeno e proximidades’ podem provocar atrasos e interrupções nas viagens.
Segundo a viação, ‘quatro ônibus foram sequestrados’ recentemente e ‘utilizados em barricadas’, sendo recuperados posteriormente com apoio das forças policiais.
O que diz o Detro-RJ
Responsável pela fiscalização de coletivos intermunicipais, o Detro-RJ informou que a grade horária mínima das linhas 445M e 446M, assim como demais linhas intermunicipais reguladas, está disponível em no site institucional, acessando http://www.detro.rj.gov.br/regulares-tarifas-itinerario/. Segundo o órgão, as partidas variam entre 60 a 120 minutos, a depender da linha, horário e dia da partida.
“A criação e manutenção dessa grade regulada se dá a partir de estudos técnicos de demanda realizados periodicamente pelo departamento. Esses levantamentos avaliam o impacto do serviço prestado à população local, aproveitamento de viagens e viabilidade operacional e econômica da ligação”, diz.
De acordo com o Detro-RJ, o monitoramento das viagens é realizado por meio do sistema GPS do Centro de Tecnologia de Fiscalização e Monitoramento (CTFM) e ações presenciais de fiscalização em terminais rodoviários de todo o estado.
“Em caso de irregularidades ou descumprimento de alguma determinação, a empresa responsável pela linha está sujeita às sanções previstas na legislação vigente, como autuações e até perda do serviço”, explica.
Por fim, informa que qualquer problema presenciado por passageiros pode e deve ser comunicado à equipe do Detro-RJ. O contato pode ser feito de forma online, no portal OuvERJ (https://www.rj.gov.br/ouverj/), ou ligando para os números diretos da Ouvidoria (21) 3883-4141 | (21) 3883-4100. O atendimento telefônico funciona diariamente, em dias úteis, das 09h às 17h. Todas as informações de irregularidades são investigadas e auxiliam o processo de fiscalização.