A mãe da criança que pediu doações para o filho de 1 ano e 4 meses, internado no Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), em São Gonçalo, atualizou o estado de saúde do pequeno e aproveitou para esclarecer contradições espalhadas na internet a respeito do vídeo em que ela aparece com o filho fazendo os pedidos. “Pedi sangue pro meu filho e ajuda com fraldas. O hospital fornece, sim, mas a fralda dá alergia nele. E sobre a doação de sangue, como alguém dá golpe de sangue?, questiona Dayanne da Silva Santana, de 26 anos.
Em entrevista ao ENFOCO, ela explica que a criança passou por uma transfusão sanguínea durante o tratamento das queimaduras graves sofridas em um acidente doméstico no dia 18 de abril, no bairro Jockey, onde mora com a família.
Após 21 dias de internação, a previsão é que a criança receba alta nesta sexta-feira (8), segundo Daynne.
Pedido de doações

Desempregada, ela garante que nunca houve campanha de Pix ou arrecadação financeira, esclarece que contou com todo o apoio do hospital para uma única transfusão de sangue realizada.
A jovem explica ter sido informada pela equipe médica que o procedimento foi necessário após a queda da hemoglobina causada pelas sucessivas raspagens das queimaduras, cirurgia conhecida como desbridamento. O pequeno também sofre de anemia falciforme e realiza tratamento contínuo.
“Ele estava fazendo uma cirurgia atrás da outra e a médica disse que a hemoglobina baixou e que ele precisaria de transfusão. Graças a Deus ele fez! Depois os exames mostraram que a hemoglobina subiu”, contou.
Vídeo nas redes sociais
Dayanne também rebateu informações de que teria acusado o hospital de não fornecer fraldas ou de ter pedido dinheiro nas redes sociais.
“O hospital fornece, sim, mas a fralda dá alergia nele. E sobre a doação de sangue, como alguém dá golpe de sangue?”, questiona.
Dayanne afirma que os pedidos de doação também eram destinados aos outros dois filhos, que permaneceram em casa com o pai durante a internação do caçula.
Ainda de acordo com a mãe, o vídeo que viralizou foi gravado posteriormente a primeira transfusão realizada e que não havia certeza sobre a necessidade de novas transfusões. Além disso, ela esclareceu que gravou as imagens em um momento sensível, a pedido de acompanhantes de outros pacientes que estavam no local e tentaram ajudá-la.
“As meninas, mães de outros pacientes que estavam comigo na mesma sala, falaram: ‘vamos gravar um vídeo para te ajudar, não só na doação de sangue, mas como alimento, fralda, as coisas”, conta.
Rumores e fake news
Após a repercussão do vídeo, rumores circularam nas redes sociais questionando até mesmo se a criança estava internada. A defesa da família confirma que houve necessidade médica da transfusão e que o problema enfrentado naquele momento foi a indisponibilidade temporária de bolsas de sangue.
‘É importante esclarecer que o hospital em nenhum momento negou o tratamento; houve apenas uma indisponibilidade temporária de estoque de sangue na ocasião, situação que já foi regularizada’, disse em nota o escritório Advogados Alice Sampaio e Alessandro Costa.
“Eu nunca falei que o hospital não fornecia fralda. Pelo contrário: fui muito bem tratada. Quando cheguei desesperada com meu filho, eles acolheram a gente. Toda a equipe cuidou muito bem dele. Eles trabalham por amor mesmo. Só que falaram que eu disse que o hospital não tinha fralda, e isso não é verdade. O hospital fornece, sim”, reforçou Dayanne.
Acidente doméstico
A internação se deu em decorrência das queimaduras de segundo grau, após o pequeno puxar uma panela com óleo quente enquanto a mãe preparava comida. O menino sofreu ferimentos na mão, no braço e na região próxima ao peito.
“Foi muito rápido. Eu estava na cozinha e os meus filhos no quarto brincando. Só que o menor já está na fase de andar. Eu não sabia que ele já alcançava o fogão […] No primeiro dia eu chorei muito. Como mãe, eu me senti muito culpada. Eu sou uma ótima mãe, cuido muito bem dos meus filhos. Fiquei pensando: ‘Poxa, por que eu não prestei mais atenção?’”, relembrou Dayanne.
A direção do Heat confirmou que a criança foi internada no dia 18 de abril. Ficou durante todo o período de internação sendo acompanhada pela equipe da pediatria e cirurgia plástica. No início da internação foi realizada transfusão de sangue. Em relação a este procedimento, esclarecemos que a reposição de estoque é procedimento rotineiro e sempre bem-vindo em qualquer unidade hospitalar.
Segundo a unidade, a criança realizou mais um curativo no centro cirúrgico nesta sexta-feira (8), está em excelente estado geral e recebeu alta para casa. Ela continuará sendo atendida no consultório pós-cirurgico do Heat, conforme arientação prestada à família.
Família enfrenta dificuldades
Há três semanas acompanhando o filho no hospital, a mãe relata dificuldades emocionais e financeiras. Além do caçula, ela cuida de outros dois filhos, entre eles uma criança diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de três anos, além da mãe e avó das crianças, diagnosticada com Alzheimer.
“Meu marido trabalha vendendo bala, mas está há 21 dias em casa cuidando dos meus filhos e da minha mãe. É muito triste ver meus filhos pedindo leite e biscoito e eu não ter”, desabafou.