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Foto: Reprodução

O esvaziamento de um antigo prédio comercial tem provocado mudanças na rotina de quem circula pelo bairro Raul Veiga, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Desativado após funcionar como base de uma empresa terceirizada da Oi, o imóvel passou a apresentar sinais de abandono e hoje é ocupado de forma irregular, segundo relatos de moradores.

Situado a poucos passos da Praça Chico Mendes e alguns metros do comércio de Alcântara, na esquina com a Estrada Raul Veiga, o prédio está em um ponto de grande circulação. A presença constante de pessoas no interior da estrutura, porém, tem causado preocupação entre moradores e trabalhadores da região.

Frequentador diário de uma academia em frente ao imóvel, o fotógrafo Paulo Momenteiro, de 37 anos, responsável pelas imagens que mostram a situação do prédio, conta que a deterioração do espaço ocorreu gradualmente após o encerramento das atividades empresariais.

“É muito triste ver a situação em que esse prédio se encontra hoje. O imóvel está completamente abandonado. Antes, ele era ocupado por uma empresa terceirizada da Oi, mas agora passou a ser utilizado por moradores de rua e usuários de drogas”, disse ao ENFOCO.

Segundo ele, ainda restam móveis antigos, fiações e materiais metálicos espalhados pelo terreno, o que acaba atraindo retiradas irregulares.

A gente percebe que muitos desses itens acabam sendo retirados e levados para venda em ferros-velhos clandestinos da região. O espaço virou um ponto de acúmulo de pessoas, e isso tem impactado diretamente quem mora e trabalha por aqui”, completou.

Além da movimentação dentro do prédio, o morador relata reflexos também nas calçadas e vias próximas, com resíduos e fragmentos de vidro.

“É comum vermos lixo espalhado pelas ruas próximas, além de vidros quebrados jogados nas calçadas. Muitas dessas pessoas circulam aparentemente desorientadas, algumas carregando barras de ferro e objetos cortantes, o que representa um risco para pedestres”, falou.

Outro ponto citado pelos vizinhos é o receio de acidentes provocados por focos de fogo no interior do imóvel.

Outro ponto que preocupa muito é o fato de colocarem fogo tanto dentro do imóvel quanto nas imediações. Isso pode causar acidentes graves a qualquer momento. Nós vivemos com medo constante pela nossa segurança”, relatou um dos moradores da rua que preferiu não se identificar.

Diante do cenário, alguns moradores passaram a instalar cercas e reforçar a proteção de suas casas, numa tentativa de aumentar a sensação de segurança.

cerca de seguranca
Moradores instalam cerca de segurança em suas casas – Foto: Grupo Enfoco

O que dizem as autoridades

Procurada pelo ENFOCO, a Prefeitura de São Gonçalo informou que “o prédio é de propriedade particular e que situações relacionadas à segurança pública devem ser comunicadas às autoridades policiais”.

Já a Polícia Militar, por meio do 7º BPM (Alcântara), afirmou que “a região conta com policiamento 24 horas, realizado por viaturas e motopatrulhas, com reforço do Regime Adicional de Serviço (RAS)”, e “orienta a população a acionar o 190 ou o aplicativo 190RJ em caso de movimentações suspeitas”.

Também foi ressaltado que “pessoas em situação de rua vivem em condição de vulnerabilidade social e devem ser atendidas por serviços de acolhimento da rede pública”, finaliza a nota da PM.

O proprietário do imóvel não foi localizado.

André Silva

André Silva

Bastante ativo na cobertura cultural, ja foi contemplado com o Prêmio Themis de Jornalismo, concedido pelo TJRS. Além da cultura, caminha por várias editorias, inclusive em cobertura de eventos internacionais, como a Cúpula do G20 e o encontro dos Brics. Instagram: @andrre.sillva