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Região

Som dos fogos no réveillon é alvo de criticas em Niterói

Ezequiel Manhães | Publicado em:

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queima de fogos ascom niterói
Festa da Virada acontecerá em dois pontos da cidade (Praia de Icaraí e Itaipu). Foto: Divulgação – Prefeitura de Niterói



Diferente da capital paulista, que adotou fogos silenciosos para a festa da virada, Niterói manteve a tradicional queima de fogos, marcada para acontecer no dia 31, nas praias de Icaraí e Itaipu, em Niterói, e virou alvo de criticas por donos de animais domésticos na cidade.



Inclusive, a onda de questionamentos sobre os barulhos dos rojões e bombas, assim como os malefícios que podem causar à saúde dos bichinhos, trazem à tona a ideia da criação de uma lei para proibir a circulação e uso de fogos de artifício ‘barulhentos’ na cidade, visando o bem estar dos pets. 



Na Câmara dos Vereadores de Niterói, já tramita um projeto do vereador Leandro Portugal (PV) sobre o assunto. A intenção, no entanto, ainda está estacionada na Casa. De acordo com o parlamentar, em justificativa para a validação do projeto, os fogos amplamente usados principalmente neste mês festivo, prejudicam, além dos animais: idosos, crianças, autistas, pessoas com deficiências e acamadas – por isso, a intenção de venda e soltura apenas de fogos visuais, com luzes e cores, sem estampido, já a partir da implantação.



Uma vez aprovado, o Projeto de Lei (PL) 004/2019 pode gerar multa de R$ 2 mil para quem descumprir as regras. Segundo o plano, o valor seria atualizado anualmente pela variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).



Nesta semana, a Prefeitura já revelou que a Praia de Icaraí vai receber 7,5 toneladas de explosivos, que devem produzir um espetáculo pirotécnico no período de 15 minutos. E conforme o próprio Executivo, a empresa responsável pela instalação e detonação dos fogos, garantiu que este ano as explosões serão ainda mais potentes que nos anteriores. Em Itaipu, será usada 1,5 tonelada de fogos, em uma única balsa. 



Hunter
Hunter, de 4 anos, tem medo de fogos. Foto: Arquivo Pessoal



Segundo o professor de Educação Física Igor Mesquita, de 24 anos, esse assunto é um problema sério dentro de casa com o seu cachorro Hunter, de 4 aninhos, que fica muito nervoso com os explosivos todo final de ano.



“Já nas primeiras horas do dia 31, muitas pessoas começam a soltar fogos em vários pontos da cidade e já temos que deixar tudo preparado para que nosso cachorro não entre em desespero. A audição deles é muito sensível e o barulho forte dos fogos deixa o coração do nosso cachorrinho muito acelerado. Parece que ele terá um ataque do coração a qualquer momento e a gente tenta isolar o som das ruas”, relata. 



Ele também disse que defende a aprovação do projeto de forma imediata.



“Já passou da hora, pois a cada ano que passa os animais de estimação estão correndo mais risco de morte, não só o meu como o de todas as famílias. Espero que botem a mão na consciência, pois muitos animais já morreram dessa forma”, finalizou o professor, morador de Icaraí. 



Moradora do Centro, a professora Fernanda Cruz, de 50 anos, também conta que adota medidas para proteger os dois gatos e três cachorros de estimação que tem, na festa de Ano Novo.



“Deveria ser extinto os fogos com barulhos! Dá muito nervoso vê-los agoniados. Aí o que eles fazem? Se esconde em tudo quanto é canto lá de casa e ficam com os olhinhos aparentemente tristes meio que pedindo ajuda. Agora a gente deixa eles trancadinhos no quarto, com as janelas fechadas, para tentar reduzir o barulho”, contou.



Ainda no PL, Portugal lembra que o plano elaborado por ele colabora com solicitações da população, de instituições de Saúde e Assistência e de entidades protetoras de animais.



De acordo com a presidente da Associação Casa do Cão e Gato, Rosimar Lessa, qualquer Projeto de Lei que venha ajudar a causa animal é sempre bem-vinda. Ela também destaca o fato de já existir fogos de artifício especiais para não fazer barulho.



“Os bichinhos escutam de uma forma diferente. Pelo conhecimento que eu tenho com cães e gatos, vejo o quanto sofrem. Dá um pavor neles. Conheço animais que já até faleceram em épocas assim. Tivemos um caso de um cachorro em um prédio na Moreira César que chegou a pular da janela, enquanto a família foi para a praia”, finalizou Rosimar – solicitando uma atenção maior a causa, por parte de todos os vereadores.


Ezequiel Manhães

Jornalista com experiência em hard news e produção audiovisual, tendo como foco reportagens factuais, especiais e conteúdos multimídia. Atua com rapidez, comprometimento e precisão na apuração, tendo como destaques coberturas de temas como política, economia, cidades, segurança pública e comportamento. LinkedIn: @ezequiel-manhães-b073921b3

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