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Caso é investigado pela 81ª DP (Itaipu) - Foto: Divulgação / Inea

Apelidos inspirados em ídolos do futebol ajudaram a dar fama nas redes sociais, mas acabaram chamando a atenção das autoridades ambientais. Conhecidos como “Gabigol do Mangue” e “Arrascaeta do Mangue”, dois influenciadores digitais foram detidos, junto com um terceiro homem, durante uma ação contra a pesca ilegal de caranguejos no Parque Estadual da Serra da Tiririca, em Niterói, na manhã desta terça-feira (6).

A operação foi realizada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), com apoio de policiais do programa Segurança Presente e de guarda-parques. O trio foi flagrado capturando caranguejos da espécie uçá (Ucides cordatus) dentro de uma área de proteção integral, onde a atividade é proibida. Segundo o Inea, os envolvidos costumavam exibir a prática nas redes sociais e somam mais de 260 mil seguidores em uma plataforma digital.

Após a abordagem, os suspeitos foram levados para a 81ª DP (Itaipu), onde prestaram esclarecimentos. Durante a ocorrência, foi constatado que dois deles possuem antecedentes criminais. De acordo com a polícia, um acumula registros por tráfico e associação para o tráfico de drogas, além de porte ilegal de arma de fogo. O outro tem passagens por desobediência, falsa identidade e lesão corporal.

Os três vão responder por crime ambiental com base no artigo 29 da Lei 9.605/98, que trata da proibição de matar, perseguir, caçar ou apanhar animais silvestres sem autorização, especialmente em unidades de conservação. Em nota, o secretário estadual do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi, afirmou que a fiscalização será mantida e reforçada para coibir crimes contra a fauna e a flora no estado.

Após a operação, os caranguejos apreendidos foram devolvidos ao mangue em uma área da própria unidade de conservação. De acordo com o Inea, o aumento do fluxo de visitantes durante o verão levou à intensificação das ações de fiscalização em parques estaduais. Denúncias de crimes ambientais podem ser feitas de forma anônima ao Linha Verde ou pelo aplicativo Disque Denúncia Rio.

O que diz a defesa

Em nota, o advogado Daniel Vargas, negou que os três clientes estivessem praticando pesca ilegal no local. Segundo ele, os influenciadores foram ao mangue para produzir conteúdo sobre o acúmulo de lixo na área, tema que, de acordo com a defesa, já havia sido abordado em gravações feitas no dia anterior.

Ainda segundo o advogado, havia um quarto homem no local no momento da abordagem, citado no registro de ocorrência. De acordo com Vargas, esse indivíduo chegou a ser detido, mas foi liberado por um policial após informar que iria buscar roupas e não voltou. Ele ressaltou ainda que o quarto indivíduo não é conhecido dos influenciadores e não teria qualquer ligação com eles.

A defesa sustenta que os rapazes têm ciência de que se trata de uma área de preservação ambiental e que frequentam o local exclusivamente para produzir conteúdo para as redes sociais, com foco na denúncia das condições do mangue, especialmente o descarte irregular de lixo.

Redação

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