A audiência que daria início à fase de instrução do processo criminal contra o rapper Oruam, marcada para esta segunda-feira (23), foi adiada após uma das vítimas não comparecer ao fórum. A nova data foi definida para 30 de março, às 11h, por decisão da 3ª Vara Criminal da Capital do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
O artista, cujo nome de registro é Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, responde por duas tentativas de homicídio qualificado contra agentes da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, além de acusações de resistência, desacato, ameaça e dano qualificado. Ele é considerado foragido após a revogação de um habeas corpus que havia suspendido sua prisão preventiva.
A sessão foi remarcada depois que a defesa solicitou o adiamento em razão da ausência do delegado Moysés Santana Gomes, apontado como uma das vítimas. A juíza Tula Corrêa de Mello acolheu o pedido e determinou nova data para a continuação da Audiência de Instrução e Julgamento, etapa em que são colhidos depoimentos de vítimas, testemunhas e réus.
Também figuram como acusados no processo William Matheus Vianna Rodrigues, Pablo Ricardo de Paula Silva e Victor Hugo Vieira dos Santos. Outro agente apontado como alvo das agressões é o oficial de cartório Alexandre Alves Ferraz.
Segundo a acusação, o caso ocorreu em julho de 2025, no Joá, Zona Oeste do Rio, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão contra um adolescente investigado por envolvimento com o tráfico de drogas. O jovem foi localizado dentro da residência do cantor.
Denúncia do Ministério Público
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o rapper e os demais acusados teriam arremessado pedras contra os policiais a partir de uma sacada situada a cerca de 4,5 metros de altura.
A promotoria sustenta que a ação assumiu o risco de provocar a morte dos agentes, caracterizando dolo eventual. Para o órgão, a conduta extrapolou uma reação à presença policial e configura tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e por ter sido praticada contra agentes de segurança pública em serviço.
Além das acusações relacionadas à tentativa de homicídio, os denunciados respondem por resistência qualificada, desacato, ameaça e danos ao patrimônio público, incluindo avarias em uma viatura utilizada na operação.
Com o adiamento, a expectativa é que a próxima audiência marque o avanço da instrução processual que antecede eventual julgamento pelo Tribunal do Júri.