Uma investigação sobre a movimentação de dinheiro do tráfico de drogas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, terminou com a prisão de um homem conhecido como “Rei da Sucata”, neste sábado (7), em São Paulo. Ele foi localizado por policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) enquanto fazia compras em uma joalheria de luxo, dentro de um shopping de alto padrão.
Segundo a Polícia Civil, o investigado fazia parte de uma estrutura empresarial suspeita de ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas do Comando Vermelho. A apuração aponta que uma empresa do setor de metais teria transferido aproximadamente R$ 4,6 milhões para contas de um operador financeiro ligado ao traficante Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, apontado como liderança criminosa na região do Salgueiro.
Operação identificou rede de empresas
De acordo com a investigação, o esquema utilizava negócios dos setores de reciclagem, sucatas e metais para movimentar valores atribuídos à atividade criminosa. Os recursos passariam por contas bancárias de diferentes empresas e pessoas antes de serem incorporados à economia formal.
Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram que, entre abril de 2023 e setembro de 2024, uma empresa de fundição de metais não ferrosos realizou repasses de cerca de R$ 4,6 milhões ao operador financeiro de “Rabicó”.
Outras movimentações, de aproximadamente R$ 1,6 milhão, também foram identificadas em contas relacionadas a empresas do mesmo circuito investigado.
A Polícia Civil afirma que o preso administrava efetivamente a companhia, embora ela estivesse formalmente vinculada ao pai dele, que também foi capturado durante uma etapa anterior da investigação.
Suspeito estava foragido desde operação em maio
O levantamento financeiro que deu origem à Operação Contenção identificou movimentações superiores a R$ 453 milhões. A ação foi deflagrada em 29 de maio e terminou, naquela ocasião, com 24 pessoas presas.
“Rei da Sucata” não foi encontrado durante a operação e permaneceu foragido. Segundo a DRE, ele deixou o Brasil e chegou a ficar nos Estados Unidos. O investigado também constava em alerta vermelho da Interpol.
Após cinco meses de monitoramento, os agentes identificaram o retorno dele ao país, no início de outubro, e acompanharam seus deslocamentos até a localização em São Paulo.
A prisão contou com a participação do Grupo de Segurança Institucional do Ministério Público de Minas Gerais (GSI/MPMG) e apoio do Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos Estados Unidos.