A morte de Luiz Alex da Silva Oliveira Garcia, de 23 anos, assassinado a facadas pelo próprio irmão dentro de casa, em Mumbuca, Maricá, expôs uma história de mais de uma década de luta da família em busca de tratamento para problemas relacionados ao uso de drogas. O crime aconteceu na manhã desta terça-feira (29).
Em meio à dor, a mãe dos dois, a operadora de lojas Danielli Quintanilha, de 41 anos, relatou os anos de tentativas para conseguir ajuda para os filhos.
“Ambos têm problemas com drogas. Essa minha dificuldade vem desde muito cedo”, afirmou.
Danielli disse que possui documentos e registros de pedidos de ajuda feitos ao longo dos anos e contou que os filhos passaram por tratamentos e pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps).
Segundo ela, em determinado momento, encontrou um profissional que conseguiu encaminhar o atendimento de forma que considerou efetiva, mas o trabalho foi interrompido.
“Eu acho que se ele tivesse conseguido ficar, meu filho estaria aí e eu teria vencido essa luta”, desabafou.
Mãe nega agressões atribuídas ao filho
Danielli também fez questão de defender a memória de Luiz Alex. Segundo ela, apesar dos problemas provocados pela dependência química, o filho era amoroso e protetor.
A mãe negou ainda uma informação que, segundo ela, circulou após a morte do rapaz e que apontava que Luiz Alex teria cometido agressões contra ela.
“Ele nunca me agrediu, ele sempre me protegeu”, afirmou.
Danielli reconheceu que chegou a registrar uma ocorrência contra o filho por questões relacionadas a problemas materiais, mas ressaltou que, segundo seu relato, nunca sofreu violência física ou emocional por parte dele. Ela também afirmou que o amor pelos dois filhos era igual.
Tragédia dentro de casa
De acordo com as informações da ocorrência, Luiz Alex foi morto durante uma briga com o irmão, dentro da residência da família, no bairro Mumbuca.
Segundo o relato apresentado, uma das questões que teria motivado o conflito seria a percepção do acusado pelo crime de que a mãe amava mais o irmão. Danielli, porém, afirma que sempre tratou os dois filhos da mesma maneira.
Além dos dois homens, ela tem uma filha de oito anos.
O irmão apontado como autor das facadas fugiu após o crime. As circunstâncias da discussão e a localização do acusado estão sendo investigadas.
Corpo ainda não havia sido liberado
Até às 10h desta quarta-feira (30), o corpo de Luiz Alex permanecia no Instituto Médico Legal (IML) do Barreto, em Niterói.
Ainda não havia informações sobre a data e o local do sepultamento. Ao lembrar da trajetória do filho, Danielli falou sobre a dificuldade de lidar durante anos com a dependência química e fez um apelo para que outras famílias tenham acesso a apoio.
“Eu amo muito o meu filho e eu espero que não haja outras famílias que passem por isso”, declarou.