Uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) desencadeada nesta quinta-feira (9) colocou no centro das investigações um suposto esquema de corrupção que teria desviado R$ 86 milhões do Instituto Rio Metrópole (IRM). Batizada de Operação Ouroboros, a ação resultou no cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra servidores públicos e empresários investigados por organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão. Cinco investigados foram localizados e presos, enquanto um permanece foragido.
Contratos sob suspeita
Segundo o MPRJ, o grupo teria utilizado contratos firmados pelo IRM para favorecer empresas previamente escolhidas, que posteriormente repassavam parte dos recursos públicos a uma entidade apontada como sem capacidade operacional para executar os serviços contratados.
A investigação aponta que o dinheiro era movimentado por meio do Instituto Bio, utilizado, segundo os promotores, para ocultar a origem dos valores antes de serem retirados em espécie.
Saques em dinheiro chamaram atenção dos investigadores
De acordo com o Ministério Público, a ex-fiscal de contratos Caroline Soares Barros, fundadora do Instituto Bio, realizava os saques dos recursos e ficou conhecida durante a investigação como a “Mulher da Mala”. Ainda conforme a denúncia, os valores eram transportados sob escolta de uma empresa de segurança privada.
Entre os presos também estão o presidente do Instituto Rio Metrópole, Davi Perini Vermelho, o Didê; o diretor da autarquia Franquis Dias Nepomuceno; o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva; e a gestora de contratos Amanda Íthala Santos da Paschoa.
Já Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM, não foi localizado e é considerado foragido.
Auditoria deu origem à investigação
Segundo o Governo do Estado, a investigação começou após uma auditoria interna identificar indícios de irregularidades em contratos da autarquia. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público, que aprofundou a apuração e deflagrou a Operação Ouroboros.
As investigações seguem para identificar todos os envolvidos, esclarecer o destino dos recursos e buscar o ressarcimento dos prejuízos causados aos cofres públicos.