Três pessoas apontadas pela Polícia Federal (PF) como integrantes da cúpula de uma organização criminosa acusada de desviar cerca de R$ 45 milhões de clientes e beneficiários da Caixa Econômica Federal foram presas nesta sexta-feira (18), no Rio de Janeiro e em São Paulo. As detenções fazem parte da segunda fase da Operação Infiltrados, que investiga um esquema de fraudes bancárias, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
De acordo com a PF, os suspeitos teriam utilizado informações sigilosas para acessar contas das vítimas e retirar os valores de forma eletrônica. Entre os alvos estavam beneficiários de programas e recursos como o FGTS e o auxílio emergencial.
A investigação aponta ainda que o grupo contava com o apoio de pessoas ligadas à contravenção. Além das fraudes, os envolvidos são suspeitos de tentar atrapalhar o trabalho dos investigadores, inclusive por meio de ameaças e de uma tentativa de cooptação de servidores da Justiça Federal.
Em São Paulo, um homem e uma mulher apontados como responsáveis pela coordenação das fraudes foram presos. Segundo a investigação, os dois conseguiam obter acesso às contas das vítimas e comandavam parte das movimentações financeiras.
Para dificultar o rastreamento e a recuperação dos recursos, os investigadores descobriram que o casal teria criado uma empresa em ilhas britânicas, consideradas paraísos fiscais. Parte do dinheiro também teria sido convertida em criptomoedas, modalidade que pode dificultar o rastreamento das transações.
No Rio de Janeiro, outro suspeito foi preso. Ele é apontado como operador financeiro do esquema e, segundo a PF, atuaria como testa de ferro de um homem considerado foragido e que não foi localizado durante a operação.
Investigação começou em 2025
O caso chegou ao conhecimento da PF em 2025, após informações sobre fraudes praticadas contra clientes da Caixa. Os criminosos teriam invadido contas bancárias e retirado dinheiro das vítimas.
A primeira etapa das investigações ocorreu durante a Operação Trampo. Na ocasião, os agentes identificaram o funcionamento do esquema e o desvio dos recursos.
Com o avanço das apurações, a PF descobriu indícios de que servidores públicos e outras pessoas também estariam envolvidos. Conforme os investigadores, alguns deles teriam ajudado a repassar informações privilegiadas e a dificultar o avanço das diligências.
Os investigados são suspeitos dos crimes de furto mediante fraude, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A Polícia Federal também apura possíveis crimes de obstrução da Justiça e violação de sigilo funcional, além de outras infrações que possam ser identificadas durante o andamento do caso.